Google+ Followers

Google+ Followers

Google+ Followers

quinta-feira, 19 de julho de 2018

5397 - Sobre a fazenda de Estevão José de Simas

Medidas das propriedades, antigamente, eram feitas de forma muito incerta
até mesmo em áreas de grande importância como a do Frigorífico Renner


A área de terras de propriedade de Estevão José de Simas situava-se entre os morros Pedreira, São João, dos Fagundes ou Formiga, seguindo outros morros em direção da serra. Fazia divisa ao Oeste com o arroio Paredão e o Rio Cai ao Sul e a Sudeste. Finalmente o Arroio Maratá ao Leste. Totalizando uma área de 4.425 hectares, conforme a documentação. Posteriormente, quando esta área passou por medição judicial, os peritos agrimensores constataram apenas 2.200 hectares. Uma colossal diferença. Segundo a antiga documentação, a área total era de uma légua quadrada; a medição deixou claro que a largura era de menos de meia légua. Como explicar uma diferença tão grande?
Fiz um trabalho de unificação das áreas do antigo Frigorífico Renner. Um dos documentos dizia: “Uma área de terreno que vai do rio até encontrar um valo velho.” Somente equacionei a situação com um antigo funcionário do Renner, que lembrava por onde passava o valo velho”. O Cid Machado fez a medição e resolveu o assunto; a área foi dimensionada e devidamente registrada. Pena que quando toda a documentação foi feita, proibiram a exportação. O resultado foi a todos visível: “Na chon”.
Assim Estevão Simas estabeleceu-se com a sua família e os remanescentes da família Vilela na famosa Casa de Telhas. Por tradição familiar eram devotos de São João Batista. Desde cedo, na medida em que mais moradores se instalaram da periferia de sua propriedade, começaram a pleitear a instalação de uma capela.
Evidente que, naquele tempo, com a dificuldade de locomoção e as distâncias a percorrer entre a sede, que era Triunfo, e mesmo a capital, onde ficava a Mitra, muito tempo decorreu, desde a vontade inicial e a sua concretização. Neste meio tempo, aparece por nossa paragem o cidadão Tristão Fagundes.
Simas e sua mulher tiveram 5 filhos: JOSÉ MANOEL, major legalista farrapo; FELIZBERTO, ESTEVAM (homônimo ao pai), BERNARDA ou BERNARDINA ROSA DE ARAÚJO, que é a mesma BERNARDINA MARIA ROSA DE ARAÚJO ou BERNARDINA MARIA SIMAS (este é o melhor nome) e CÂNDIDA, que morreu solteira, ou vendeu sua herança antes da medição judicial, porque nela não figura.

Texto de Ernesto Arno Lauer divulgado na sua página de Face Book

terça-feira, 3 de julho de 2018

5396 - A fundação da fábrica de banha

Neste prédio, ainda hoje preservado, teve início a primeira indústria Oderich
CAÍ - São Sebastião do Caí, apesar de pequeno com seus cerca de 24 mil habitantes, pode ser considerado um município bastante culto. Tanto que autores caienses já produziram quatro livros importantes sobre a história do seu município.
O primeiro deles foi Alceu Masson, que escreveu a monografia Caí no ano de 1940.
Outra obra importante foi escrita pela caiense Helena Cornelius Fortes e lançada em 1975, por ocasião ao centenário de criação do município. 
Há, ainda, o livro Bernardo Padeiro, que aborda a história moderna da cidade a partir do olhar do padeiro caiense Bernardino Ernani da Costa.
Além disso é produzido no município o blog Histórias do Vale do Caí - maior blog de história regional do país, - que já conta com 5.393 artigos publicados e se aproxima de um milhão de visualizações na internet. 
Agora surge uma nova obra fundamental para o estudo histórico do município. Denominado No Hotel da Esquina Verde, com o nome de No Hotel da Esquina Verde,  a obra foi escrita por Cynthia Oderich Trein. 
Com 370 páginas o livro foi editada em fino papel couche e contém, além do texto primoroso e rico em informações, muito da história da família Oderich e do município de São Sebastião do Caí. Assuntos preferencias da escritora.
Dizer que se trata de uma obra monumental não é nenhum exagero e ela é importante para o reconhecimento da importância do legado proporcionado aos caienses por uma das mais ilustres famílias do município. 
Na capa, o livro ostenta uma gravura do casarão Oderich, que ainda existe hoje, bem conservado, na esquina das ruas Marechal Deodoro e Coronel Guimarães.
Ali vivia Adolf Oderich, imigrante alemão e fundador das industrias Oderich.
A autora Cynthia Oderich Trein é empresária e reside em São Paulo, onde nasceu.  Em sua obra ela demonstra o amor e orgulho que tem pela sua família e o grande legado deixado por ela. 
O livro foi baseado em escritos deixados por antigos membros da família e a mais preciosa fonte de informações para essa obra foi um livro datilografado, e escrito em alemão. por Irene Oderich Hagemeister, filha de Adolfo falecida em 1890. 
A autora valeu-se, ainda, de diversas fontes escritas, como cartas guardadas há mais de um século e depoimentos que lhes foram dados por membros da família com preciosas informações. Um exemplar do livro foi doado à Biblioteca Pública de São Sebastião do Caí, ficando acessível para quem o quiser ler ou consultar.
Adolfo Oderich, nascido na Alemanha em 1857, veio para o Brasil em 1879, com 21 anos e morreu em 1941. Ele foi avô de Cristiano e Luiz Fernando Oderich e bisavô de Alexandre Oderich. Todos ainda residentes no município. A família guardou os vínculos com o Caí estabelecidos pelo pioneiro Adolfo Oderich. Três das principais empresas caienses, a Conservas Oderich, a Indústria e Comércio  Oderich e a Odim foram criadas e continuam sendo dirigidas por descendentes do pioneiro imigrante Adolfo Oderich.

 Matéria de Renato Klein publicada no jornal Fato Novo

5395 - Livro sobre a época de ouro de São Sebastião do Caí

Cynthia Oderich Trein reuniu antigos escritos da família num livro que retrata a conquistas 
da sua família e diz muito sobre a história de São Sebastião do Caí


CAÍ - São Sebastião do Caí, apesar de pequeno com seus cerca de 24 mil habitantes, pode ser considerado um município bastante culto. Tanto que autores caienses já produziram quatro livros importantes sobre a história do seu município.
O primeiro deles foi Alceu Masson, que escreveu a monografia Caí no ano de 1940.
Outra obra importante foi escrita pela caiense Helena Cornelius Fortes e lançada em 1975, por ocasião ao centenário de criação do município.
Há, ainda, o livro Bernardo Padeiro, que aborda a história moderna da cidade a partir do olhar do padeiro caiense Bernardino Ernani da Costa.
Além disso é produzido no município o blog Histórias do Vale do Caí - maior blog de história regional do país, - que já conta com 5.393 artigos publicados e se aproxima de um milhão de visualizações na internet.

Agora surge uma nova obra fundamental para o estudo histórico do município.
Com o nome de No Hotel da Esquina Verde,  a obra foi escrita por Cynthia Oderich Trein.
Com 370 páginas o livro foi editada em fino papel couche e contém, além do texto primoroso e rico em informações, muito da história da família Oderich e do município de São Sebastião do Caí. Assuntos preferencias da escritora.
Dizer que se trata de uma obra monumental não é nenhum exagero e ela é importante para o reconhecimento da importância do legado proporcionado aos caienses por uma das mais ilustres famílias do município.
Na capa, o livro ostenta uma gravura do casarão Oderich, que ainda existe hoje, bem conservado, na esquina das ruas Marechal Deodoro e Coronel Guimarães.
Ali vivia Adolf Oderich, imigrante alemão e fundador das industrias Oderich.
A autora Cynthia Oderich Trein é empresária e reside em São Paulo, onde nasceu.  Em sua obra ela demonstra o amor e orgulho que tem pela sua família e o grande legado deixado por ela.
O livro foi baseado em escritos deixados por antigos membros da família e a mais preciosa fonte de informações para essa obra foi um livro datilografado, e escrito em alemão. por Irene Oderich Hagemeister, filha de Adolfo falecida em 1890.
A autora valeu-se, ainda, de diversas fontes escritas, como cartas guardadas há mais de um século e depoimentos que lhes foram dados por membros da família com preciosas informações. Um exemplar do livro foi doado à Biblioteca Pública de São Sebastião do Caí, ficando acessível para quem o quiser ler ou consultar.
Adolfo Oderich, nascido na Alemanha em 1857, veio para o Brasil em 1879, com 21 anos e morreu em 1941. Ele foi avô de Cristiano e Luiz Fernando Oderich e bisavô de Alexandre Oderich. Todos ainda residentes no município. A família guardou os vínculos com o Caí estabelecidos pelo pioneiro Adolfo Oderich. Duas das principais
 empresas caienses, a Conservas Oderich e a Indústria e Comércio  Oderich.

Matéria publicada no jornal Fato Novo

5394 - História de Vale Real

A ponte baixa sobre o rio Caí foi construída pelos próprios moradores da localidade


  Os primeiros imigrantes alemães começaram a chegar ao Brasil em 1824, alcançando as terras de Vale Real somente 1851. Eles eram provenientes das terras alemãs da região do Reno, Monzefeld, Mholstein, Oldenburg e Pomerânea. 
A colonização valerrealense é, sobretudo, de origem germânica, sendo que somente após 1875 é que chegaram os colonos provenientes da Itália. Entre os sobrenomes das primeiras famílias estavam:os Finkler, Freiberger, Stoffels, Arenhardt, Staudt, Krewer, Schneider, Puhl, Rauber, Gauer e Schmitz. 
Ao pisar na rampa de um navio rumo ao Brasil, os imigrantes não deixavam para trás apenas suas raízes, mas também parte de sua identidade. Rumavam para a América em busca de novos horizontes e oportunidades. Do Velho Mundo traziam suas famílias, sua honra, sua coragem e sua fé. 
Muitos sonhos e quase nenhum direito. De muitas promessas, restava aos imigrantes a árdua tarefa de refazer sua vida na sua nova Pátria. Em Vale Real, os traços culturais herdados dos imigrantes são perceptíveis na arquitetura, na música na dança e na culinária, fazendo de nosso município um refúgio dos costumes e tradições do passado com as inovações do presente.
  Em seu rico passado, Vale Real teve uma das mais importantes casas comerciais da região. A Casa Comercial Reimboldo Stoffels servia, além de entreposto comercial, como hospedaria, ambulatório e casa de secos e molhados. 
Além deste importante centro comercial, Vale Real já teve também uma cervejaria que distribuía, em épocas de Kerb, cervejas e refrigerantes para a comunidade local e região. Teve tambiques uma fábrica de foguetes faziam parte do ramo comercial da Vale Real em épocas passadas.O transporte era feito por intermédio de carroças ou a pé, sendo que aos poucos foram sendo substituídos pelos primeiros caminhões. A Travessia do Rio Caí era feita com o auxílio de uma balsa e, a alfafa, feijão e milho era a base da economia da época, sendo que muitos destes produtos eram levados inclusive a Porto Alegre.
  Os anos que seguiram o início da colonização valerrealense foram prósperos. 
Tendo inicialmente São Leopoldo como município mãe, passou a pertencer a São Sebastião do Caí em 1875 e depois, em 1959, à Feliz, o Vale Real se mostrou capaz de trilhar seus próprios caminhos, criando sua própria história nos moldes de seu rico passado. 
 Por anseio da comunidade local e seguindo os passos de município vizinhos, em 1989 foi empossada a Comissão da Emancipação que redigiu e organizou a documentação necessária para elevar Vale Real de vila a cidade. 
Em 1991, foi realizada a Consulta Plebiscitária entre a população eleitoral, tendo a aprovação popular de 1388 votos a favor, num total de 2054 eleitores. Em 20 de março de 1992, por força da Lei Nº 9615, criava-se o Município de Vale Real. A vitória do SIM desfraldou um forte ritmo de desenvolvimento e o prelúdio de uma trajetória social para o jovem Município que se desenvolveu rapidamente.
  Atualmente a economia local é fomentada principalmente pelos setores da metalurgia, confecção, hortifrutigrangeiros e olarias. A arrecadação municipal ainda é estimulada por lojas e entrepostos comerciais que oferecem à comunidade local uma grande variedade de produtos.
Fizeram parte da Comissão Emancipacionista: Anísio Farias, Roque Freiberger e Gilberto Freiberger
Johnatan R. K. Rauber - historiador / Foto: Acervo Prefeitura Municipal

quarta-feira, 20 de junho de 2018

5393 - Término da obra de asfaltamento da estrada Caí-Hortêncio

Em 20 de junho de 2018, o jornal Fato Novo noticiou a conclusão das 
obras de asfaltamento da estrada entre o Caí e São José do Hortêncio


CAÍ - Há um mês atrás moradores do bairro Chapadão Baixo  faziam protesto impedindo o trânsito de veículos na RS-874, estrada que liga o Caí a São José do Hortêncio. Eles estavam revoltados com a poeira que levantava da estrada com o passar de veículos e invadia suas casas.
Agora esse problema não existe mais.  Toda a pista está coberta de asfalto e a poeira é coisa do passado.
Isso não quer dizer que a obra esteja pronta. No trecho que agora foi asfaltado, ainda faltam detalhes, como a pintura das faixas na pista e a colocação de placas de sinalização.
Mas o trânsito está liberado no trecho, apesar das obras. E, se outra interrupção no serviço não vier a ocorrer, a total conclusão da obra está muito próxima de ocorrer.
Na manhã de ontem, o prefeito Clóvis Duarte esteve em visita às obras e, perguntado sobre qual seria a próxima estrada asfaltada no município, ele respondeu que será a do santuário, no bairro Conceição.  Uma obra importante devido ao seu potencial turístico.
Assim, aos poucos, o município vai deixando de ser um local atrasado com estradas que, no verão, sujam os carros com poeira e, no inverno, com barro.
O Caí, nos últimos anos, teve um bom avanço. Mas ainda faltam ser asfaltadas estradas como a estrada da Vigia, do Pareci Velho, do Passo da Taquara e do Campetre da Conceição.
FINALMENTE
O último trecho do asfaltamento da estrada Caí-Hortêncio foi finalizado por volta de três horas da tarde de ontem. 
Falta, agora, apenas pintar as faixas de sinalização na pista e colocar as placas de trânsito nas laterais da rodovia.
Faltaram apenas alguns meses para que a obra, iniciada em dezembro de 2014, quando Tarso Genro ainda era governador do estado, completasse o seu quarto aniversário.

Matéria publicada pelo jornal Fato Novo - Fotos de Ricardo Marques

5392 - A grande contribuição dos alemães para a indústria no Brasil

A Volkswagen instalou sua primeira fábrica no Brasil na década de 1950, 
quando a Alemanha ainda se recuperava da destruição sofrida na guerra


Os imigrantes alemães e seus descendentes também foram a chave para o boom agrícola do Brasil. A produção em larga escala da soja protagonizada pela cidade de Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, e com isto veio o surgimento e expansão da indústria agrícola ou de máquinas agrícolas, como grande ícone a antiga SLC de Horizontina RS – veja um breve relato que fiz um tempos atrás, mas que pode complementar este resgate histórico:

“Cito empreendedores de origem alemã como Gerdau (maior multinacional brasileira, com grande número de fábricas de aço nos EUA), a antiga SLC (Schneider, Logemann e Cia) fabricante da primeira colheitadeira de grãos (soja, milho, trigo, arroz...) brasileira, consagrando Horizontina como a capital nacional da colheita mecanizada, a IDEAL da família Gelbhaar de Santa Rosa (também fábrica de colheitadeiras), Eickhoff e Fankhauser fabricantes de plantadeiras, antiga fábrica de tratores Müller, as indústrias de couro e calçadistas do Vale do Rio dos Sinos no RS, cidades do noroeste gaúcho, colonizadas em sua maioria por alemães, responsáveis pela produção leiteira e de suínos do Estado, o pastor luterano teuto-americano Lehenbauer que trouxe as primeiras sementes de soja para Santa Rosa (“Capital Nacional da Soja”), de onde a cultura foi difundida, tornando-se hoje o produto agrícola mais produzido no Brasil, importantíssimo para a economia nacional e exportações. 

Temos ainda Kohlbach, Renner, WEG, Schulz, VARIG... Ainda temos indústriis de capital alemão, como Stihl, Thyssen Krupp, Mannesmann, Siemens, Voith, Volkswagen, Mercedes-Benz, Motores MWM... 
A Alemanha é um dos países que mais possui investimentos no Brasil, sendo responsável por cerca de 10% do seu PIB.”

Artigo de André Luís Hammann

domingo, 10 de junho de 2018

5391 - A contribuição alemã para a formação da nação brasileira III

Um dos primeiros europeus a viver no Brasil foi o alemão Hans Staden
  • Já desde 1489 existia em Lisboa, no Portugal, uma guarnição militar permanente com 35 artilheiros alemães, ou “atiradores de carabina”, os quais possuíam privilégios especiais e participavam de todas as viagens grandes de descobrimento dos portugueses. Tais alemães atingiram o Brasil com a frota de Cabral. Mas eles não foram as únicas pessoas da Alemanha que desembarcaram em 22 de abril de 1500 com Pedro Álvares Cabral na baía de Porto Seguro, na Bahia. O conselheiro, náutico e médico mestre Johann (de sobrenome provavelmente Emenelaus ou Emmerich) estava junto lá, bem como o cozinheiro alemão de Cabral. Mestre Johann ou João escreveu em 28 de maio de 1500, dias antes de Pero Vaz de Caminha, uma carta ao Rei Emanuel I, na qual ele descreveu, entre outras coisas, o “Cruzeiro do Sul”, explicando-o de modo científico. Assim o relatam os historiadores portugueses Frazão de Vasconcellos e Pedro Calmon.
  • Os primeiros alemães que se radicaram de modo planejado no Brasil, chegaram já em 1532 com Martim Afonso de Sousa até São Vicente. Segundo registro no livro de bordo eles eram enumerados em primeiro lugar, ao lado de italianos e de franceses. Assim eles participaram, entre outros, da fundação da primeira colônia agrícola do Brasil.
  • Nunca esquecido é o Hans Staden, o qual nos deixou em 1557 os primeiros documentos sobre a fauna e a flora, bem como sobre os povos indígenas que viviam na primeira metade do século 16 no Brasil. As primeiras imagens e o primeiro livro sobre o Brasil e seus aborígines são deste soldado mercenário de Homberg, na margem do rio Efze, província de Hessen. No filme produzido faz algum tempo por Luis Alberto Pereira, com o nome de “Hans Staden” é chamada a atenção, de forma impressionante, sobre a vida do mesmo no Brasil, naquela época histórica.
  • Ulrich Schmiedel de Straubing, Baviera, prestou igualmente uma colaboração valiosa à história inicial do Brasil; ele tem importância igual para os paises do Rio da Prata como Hans Staden para o Brasil. O livro editado em 1567 em Frankfurt/Meno “História verdadeira e agradável de algumas paisagens nobres e indígenas” possui um valor elevado como obra sobre as origens e condições da época colonial primitiva no Brasil.
  • Heliodoro Eobano Hesse deve ser considerado co-conquistador e co-fundador do Rio de Janeiro. Ele tinha sido em São Vicente gerente comercial da filial de Adorno, tendo ali conhecido também o Hans Staden. Como aliado de Estácio de Sá ele participou dos combates contra os franceses no Rio de Janeiro, nos quais Estácio de Sá foi morto. Porém Hesse se tornou, depois da vitória em 20 de janeiro de 1567, co-fundador da segunda São Sebastião do Rio de Janeiro.
  • A partir de 1535 aconteceu a imigração de famílias alemãs de comerciantes e armadores de navios ao Brasil, Assim chegou Arnual von Holland, patriarca da família Holanda, ele se tornou plantador de cana de açúcar e proprietário de engenhos próximos de Olinda, no Pernambuco. Em 1545 encontra-se Seebald Lins no Brasil, o patriarca da família Lins. Operou como armador de navios e comerciante de exportação de açúcar, madeira de pau brasil e de algodão, de Pernambuco. A família comerciante dos Hutter também emigrou naquele tempo para o Brasil. O seu sobrenome traduzido para o português transformou-se em “Dutra”.
  • Por volta de 1600 aconteceu a primeira expedição bandeirante ao interior de São Paulo. Em 1601 ocorreu uma expedição sob o comando do alemão Jost ten Glimmer e do bandeirante alemão Pedro Taques.
  • Moritz Graf von Nassau-Siegen-Dillenburg desembarcou em 1637 no Recife, Pernambuco, enviado pela Companhia Holandesa da Índia Ocidental. Então foi hasteada também a bandeira do Império Sacro Romano da Nação Alemã, do qual os Paises Baixos ainda faziam parte, formalmente, até 1648. Foi ele que transformou o Recife na cidade mais moderna de toda a América; os cientistas e pesquisadores alemães que ele trouxe consigo forneceram à Europa as primeiras informações científicas sobre o Brasil e sua população. A nação brasileira deve aos mesmos a primeira contribuição básica para o seu desenvolvimento espiritual/científico, e com isso uma auto-estima nacional. As características de Mauricio de Nassau foram tolerância política, étnica e religiosa (também a primeira sinagoga de toda a América, recentemente redescoberta, fora construída naquele tempo em Recife). Houve incentivo á ciência e arte, começou uma “época dourada” para o nordeste brasileiro. Isso até a volta dele à sua pátria alemã, em 1644.
  • Em 1648 o Georg Markgraf, o primeiro estudioso das ciências naturais, do séqüito de Moritz v. Nassau, publicou a sua obra “História Naturalis”.
  • Em 1660 chegou o monge beneditino Richard von Pilar ao Rio de Janeiro. Ele é considerado o fundador da arte de pintura brasileira. Peritos de arte encontram nas obras dele “um leve traço da antiga grande escola de pintura de Colônia”.
  • O primeiro navio brasileiro, uma fragata, foi construído em 1668 no Maranhão, no estaleiro do Kasper Werneck e Simão Ferreira Coimbra.
  • Eleodor Ebano, um neto de Heliodor Eoban Hesse, estará fundando Nossa Senhora da Luz, mais tarde Curitiba, elevado em 1668 à categoria de vila. Ele é tido como conquistador do Paraná.
  • Em 1684 a população de São Luiz, Maranhão, revoltou-se pela primeira vez contra a opressão portuguesa; ela foi chefiada pelo plantador e vereador alemão Emanuel Beckmann (Manuel Bequimão).
  • Em 1685 o trabalho jesuíta na Brasil atingiu o seu apogeu, jesuítas alemães erigiram o “Estado do Mayna” no Rio Amazonas superior. Em 1690 Johann Philipp Bettendorf publicou sua “Crônica” a respeito do “Estado Mayna”. Em 1696 apareceu a descrição da viagem de Anton Sepp von und zu Rechegg aos índios Guaranis no trilátero dos países Brasil-Paraguai e Argentina.
  • O padre Eusebius Nierenberg publicou a primeira obra na língua guarani; em 1705 ele construiu nas Missões riograndenses, em São Miguel, a primeira impressora, imprimindo ali o primeiro livro em solo brasileiro. Mais ou menos a metade dos religiosos jesuítas que atuavam em solo sul-americano até a proibição desta ordem, tinha origem na região de fala alemã.
  • Em 1707 o padre Samuel Fritz, de Trautenau, nos Sudetos, confeccionou o primeiro mapa do Amazonas. Esta obra do jesuíta alemão foi aproveitada ainda até o início do século 20 por causa de sua exatidão insuperável.
  • Em 1676 Johann Friedrich Böhm tornou-se o comandante supremo de todas as tropas no “Estado do Brasil”. Foi introduzida a maneira prussiana de exército. Ele fora designado como “libertador do Rio Grande do Sul”, pois como oficial ele defendeu o sul do Brasil com êxito contra os espanhóis. Na Guerra dos Sete Anos ele havia conseguido as suas experiências militares sob o comando do Conde de Lippe, um aliado de Frederico o Grande, e tais experiências lhe foram proveitosas agora na Brasil. Ele é considerado o fundador do exército brasileiro.
  • Em 1808 a corte portuguesa fugiu diante de Napoleão ao Rio de Janeiro, no Brasil. Entre os 15.000 funcionários e oficiais, cientistas e especialistas de todos os gêneros, inclusive artistas, também havia gente do espaço lingüístico alemão. A Academia Militar foi fundada em 1810 por Wilhelm Ludwig Barão von Eschwege, e por Francisco Borja Garção Stockler.
  • Von Eschwege inaugurou também em 1812 a “Fábrica Patriótica”, a forja siderúrgica de Congonhas do Campo em Minas Gerais. Ele está sendo considerado o fundador da indústria pesada brasileira, e ainda como o empresário industrial mais importante no Brasil no começo do século 19. E ainda como “Patriarca da Geologia Brasileira”. Em 1814 Daniel Peter Müller construiu a primeira fábrica de armas no país em São Paulo.
  • Maximilian Príncipe de Wied-Neuwied (Max von Braunsberg) chegou em 1915 ao Brasil. Pesquisou animais e plantas, no interior de Minas Gerais, estudou as línguas, os usos e costumes das tribos ali radicadas, editando a primeira monografia dum povo do Brasil, a saber a dos índios botocudos.
  • Em 1816 veio Sigismund Ritter von Neukomm ao Brasil; ele está sendo considerado pioneiro das “modinhas” brasileiras em concertos, exercendo grande influência como professor de música.
  • Com o casamento à distância da arquiduquesa Leopoldina de Habsburg com o príncipe herdeiro Pedro de Bragança em 1817 iniciou-se capítulo novo na história brasileiro-alemã. O significado de Leopoldina, que se autodenominava “princesa alemã”, não pode ser avaliada a não ser no grau mais elevado. A nação brasileira deve a ela a sua independência de Portugal. Sob a presidência dela foi tomada a decisão unânime do Conselho de Estado; a missiva dela a Pedro I determinava o último passo para a autonomia estatal do Brasil. Sem dúvida foi ela a figura feminina mais destacada da história brasileira.
  • A bandeira brasileira é expressão da feliz união de duas dinastias. A cor verde procede da casa dos Bragança, de Dom Pedro. A amarela da casa Lothringen-Habsburg, da qual era procedente o pai de Leopoldina, o imperador alemão Franz II, mais tarde imperador da Áustria Franz I. Como símbolos da independência, alcançada pelos monarcas brasileiros, permanecem amarelo e verde como as cores nacionais também na República. Por obséquio, em quais escolas do Brasil isto está sendo ensinado?
  • Em 1819 foi fundada a cidade de Nova Friburgo por suíços-alemães, no estado do Rio de Janeiro. Com Friedrich Sauerbronn, primeiro pastor evangélico no Brasil, chegou até lá, em 1824, um grupo de 300 alemães da província de Rheinhessen.
  • A colônia alemã “São Leopoldo” foi fundada em 25 de julho de 1824 no Rio Grande do Sul. Depois disso, com incentivo da coroa, foram radicados durante muitos decênios, pessoas das regiões de fala alemã da Europa, principalmente nos estados sulinos brasileiros. Começa assim uma nova forma de colonização, bem diferente da maneira de economia dos latifúndios.
  • Em 1825 o médico, estudioso das ciências naturais, Georg Heinrich Duque de Langsdorff começou a sua expedição pela mata virgem do Mato Grosso.
  • Karl Friedrich Philipp von Martius publicou a partir de 1840 sua “Flora Brasiliensis”, a mais importante obra botânica de todos os tempos. O seu companheiro e acompanhante fiel durante a permanência dele no Brasil, desde 1817, foi o zoólogo Johann Baptist von Spix.
  • Em 1850 o farmacêutico alemão e maçom. da ordem superior de maçonaria, Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau fundou em Santa Catarina a cidade de Blumenau.
  • Em 1866 aconteceu durante a guerra do Paraguai a maior batalha, a das margens do Tuiuti, com a vitória dos aliados Brasil, Argentina e Uruguai, que foi alcançada especialmente através da “bateria alemã de artilharia”. Anton Ludwig von Hoonholtz, barão de Tefé, ficou com a designação “Herói da Guerra do Paraguai”; a vitória definitiva foi conseguida em 1870 pela atuação do marido, de descendência alemã, da Princesa Herdeira Isabel, Gaston von Orleans, o Conde d’Eu.
  • O brasão da República do Brasil, as chamadas armas do Brasil, é um esboço do engenheiro alemão Arthur Sauer. Ele o confeccionou em 1889, sob ordem de seu amigo, o marechal Deodoro da Fonseca, o primeiro presidente da República nova e também Grão-mestre de maçonaria do Grão-Oriente. Como é regra na heráldica, o brasão brasileiro é ao mesmo tempo simples, mas de significado simbólico bem acentuado. E ainda hoje ele é um dos símbolos nacionais mais sagrados dos brasileiros.

    É impossível relacionar a imensidão de personalidades e de fatos relevantes neste ensaio relativamente bem resumido, os quais foram decisivos até a formação da República do Brasil. Esta relação por itens e pontos é finalizada de propósito com a ocorrência importante para a história moderna do país, pois é relativamente mais simples lembrar-se de fatos que datam de no máximo cem anos. Para dizer isso com as palavras de Karl Heinz Oberacker Jr: ”Pessoal alemão contribuiu assim de maneira destacada para a circunstância deste espaço, dentro do qual no decurso de séculos deveria surgir a nação brasileira, ser incluído na abrangência dos conhecimentos da Europa. A nação brasileira deve agradecer a tal abrangência, em última análise, a sua existência em geral. E a Europa, e não somente Portugal, forneceu a esta nação as fundamentações básicas da vida, pois entre os primeiros colonizadores que se radicaram na América do Sul portuguesa, encontravam-se, ao lado de portugueses, ainda membros outros povos, e nem por último também alemães, os quais, no percurso de séculos até os dias de hoje, tiveram um papel importante na história do país”.     

  • Pesquisa de Dietrich Bonke

sexta-feira, 8 de junho de 2018

5390 - O doutor Krekel



Em suas pesquisas sobre história da região, o pesquisador Paulo Daniel Spolier encontrou esse anúncio publicado no jornal O 5 de Abril do ano de 1933.

Texto do anúncio: 

Doutor Krekel
São Sebastião do Cahy
Chirurg und Frauenarzt
1. u. 15 jeden Monats in Neu Hamburg
Bei Herrn Dr. Gunther Shinke


Tradução:

Doutor Krekel
São Sebastião do Cahy
Cirurgião e ginecologista
1. u. 15 a cada mês em New Hamburg
Com o Dr. Gunther Shinke

Quado o doutor Bruno Cassel veio se estabelecer em São Sebastião do Caí - na década de 1930 - haviam somente dois médicos na cidade. Um era o doutor Hunsche e o outro o doutor Krekel. 
Krekel era alemão e, assim como o doutor Hunsche, era bastante idoso. Alguns anos mais tarde ele voltou para a Alemanha. Provavelmente depois de 1945, quando terminou a segunda guerra mundial.

Reprodução do anúncio de jornal realizada por Paulo Daniel Spolier

5389 - O galo godofredo

Além de trilhos, haviam criações de galinha nos quintais das casas 
da principal rua de Montenegro

Estória do tempo em que se criava galinhas nos quintais das casas da Ramiro Barcelos
Pois os Cauduro passaram a fabricar a bola que levou o mesmo nome e foi o suprassumo dos campos pelo Rio Grande do Sul afora. Não demorou e a bola Cauduro foi escolhida como a esfera oficial do Campeonato Gaúcho. O Elohy contratou um cidadão que muito conheci, mas da sua vida praticamente nada soube. Ele era a encarregado de passar pelos campos onde os jogos oficiais se realizavam, anunciando: BOLAS CAUDURO - AS OFICIAIS DO CAMPEONATO GAÚCHO. Repetia isto, desfilando pelas gerais e sociais de todos os campos de nosso interland.
Com o meu pai ele já falava um pouco mais e assim fiquei sabendo do seu nome: GODOFREDO.
Os anos se passaram e já no início da minha adolescência o meu pai comprou um galo, para dar apoio no galinheiro, cheio de frangas novas e retunbantes. Naquele tempo, o dos CUBEIROS, ter uma galinheiro em plena Ramiro era totalmente permitido. Galinhas eram criadas pelas cercanias - naquele tempo caldo de galinha era remédio; sempre a primeira coisa que o médico receitava, quando vinha visitar o doente em casa - sempre vinha de carro de praça e cobrava a visita.
Pois, o Godofredo, depois de uma certa demonstração de vitalidade, desistiu dos seus afazeres diários e obrigatórios. Ao contrário, passou a cantar e ciscar pelo galinheiro, nem se preocupando com o belo sexo. A coisa andou e desandou; dos ovos que colhíamos, a redução foi catastrófica. Para quem comia ovos diariamente e a dona Luiza era exímia doceira, muito utilizando os ovos, a diminuição significou comoção no seio da família.
Agora vejam o que aconteceu na última partida do Gremio contra o VEnezuelano MOnagás, ou algo parecido. Contaram que se o Grêmio tivesse oferecido três cestas-básicas, destas que se compra no comércio de Montenegro, tudo poderia ter sido resolvido mais facilmente.
Mas não, a equipe tricolor resolveu partir para o confronto, num verdadeiro balé de sarandeio. Começaram a ciscar, correr, dividir, cantar as próprias louas na grande virtude da troca de passes ao longo da área.
Assim foi com o GODOFREDO, ciscava, cantava, rebolava e nada. Certo dia, o seu Lauer, já cansado com o exibissionismo do galo, decretou: No domingo vamos comer o Godofredo.
Aconteceu o milagre: o decreto de estrangulamento foi na quarta e na sexta, não havia mais ninhos suficientes para guarnecer tantos ovos, que acabaram por chegar. Eis o grande alerta: CISCEM POUCO, PRODUZAM MAIS, MAS DENTRO DO PRÓPRIO GALINHEIRO.

Crônica de Ernesto Lauer

5388 - A banda caiense chamada Jazz Rio Branco



O pesquisador Paulo Daniel Spolier, que é caiense do bairro Areião, encontrou, no Arquivo Público Municipal de Novo Hamburgo, essa foto da banda - ou jazz como se dizia na época - caiense

segunda-feira, 14 de maio de 2018

5387 - Seu Aldino nasceu no ano da terrível Gripe Espanhola



Nesta casa, o comerciante Aldino Selbach manteve o seu armazém, 
por várias décadas

O comerciante João Pedro Aldino Selbach (pai da nossa colaboradora Marisa Selbach), nasceu há cem anos, no fatídico ano de 1918, o último da Primeira Guerra Mundial. 
Milhões de pessoas morreram nessa guerra travada na Europa e envolvendo alguns dos países mais civilizados da época, como a Alemanha, Inglaterra e França.
Mas esse ano foi fatídico não apenas por causa da guerra, que não se estendeu até o continente americano. 
Uma outra terrível desgraça espalhou-se pelo mundo inteiro: a gripe espanhola, uma epidemia que - segundo comentava Aldino - matou de três a quatro membros das numerosas famílias da época.


Dados fornecidos por Marisa Selbach, foto do Google Maps

sábado, 12 de maio de 2018

5386 - Assim como Barsília, o Caí nasceu como uma cidade planejada.

A prefeitura do Caí, então chamada de Câmara Municipal, administrava 
um grande município que incluía, inclusive, a atual cidade de Caxias do Sul



A ampliação da foto mostra que o que estava escrito na fachada do prédio 
era Câmara de Municipal


No século XIX não existiam estradas no Vale do Caí e, muito menos na Serra. Por isso o plano do governo imperial era levar os imigrantes até o Porto dos Guimarães, navegando pelo rio Cai. E, de lá, eles teriam de ir a pé até o local onde terras cedidas pelo governo os esperavam: no alto da Serra, .
A imigração era muito importante para o governo do imperador Dom Pedro II e, para concretizar o projeto, o primeiro passo foi criar uma cidade para dar apoio aos imigrantes no ponto máximo até o qual era possível ir de barco no rio Caí.
Esse lugar era o Porto dos Guimarães onde havia apenas um pequeno amontoado de casas.
Para viabilizar a colonização da região serrana (onde hoje existem as cidades de Caxias do Sul e Farroupilha) o governo imperial mandou construir um porto naquele local e, também, uma cidade.
Técnicos planejaram a cidade, com ruas largas e retilíneas. Sem demora foi criado o município de São Sebastião do Caí, com a instalação de uma câmara municipal (que exercia o poder executivo naquela época) e um forum. Tudo isso para que os colonos instalados na serra pudessem contar com um suporte mais próximo deles. Outras cidades, como São Leopoldo eram bem mais distantes.
Assim nasceram a cidade e o município de São Sebastião do Caí,  em 1º de Maio de 1875. e a câmara passou a administrar a região de Caxias do Sul e arredores, onde se instalaram milhares de imigrantes.
Caxias, assim como São José do Hortêncio, Feliz, Bom Princípio e São Vendelino, faziam parte do novo, e gigantesco, município de São Sebastião do Caí.
O tempo demonstrou o governo imperial estava certo ao investir no Caí. Milhares de imigrantes italianos passaram pela cidade e ali receberam algum apoio do governo, além de terras na nova colônia em cima da serra. E a colonização italiana foi um grande sucesso.
Na virada do século XIX para o século XX foi construído um porto em São Sebastião do Cai e uma barragem no Pareci, para tornar mais fácil o intercâmbio comercial da região serrana com o resto do  país e do mundo.
Neste período São Sebastião do Caí tornou-se uma das cidades mais dinâmicas do estado.
Depois que a estrada de ferro que liga Porto Alegre a Caxias do Sul, o porto de São Sebastião do Caí perdeu importância e a cidade mergulhou num período de crescimento lento que acabou lhe tirando o brilho adquirido nas décadas douradas de 1880, 1890 e 1990.
Empresas importantes que haviam se desenvolvido na cidade (Mentz, Renner...) transferiram suas sedes para Porto Alegre e o Caí mergulhou numa fase de estagnação que perdurou por décadas.
Assim como Brasília foi criada artificialmente, no interior do país, em área muito pouco povoada, também o Caí foi criado como parte de um plano de colonização e desenvolvimento.
Caí e Brasília foram criadas artificialmente, obedecendo a um plano e servindo a um grande propósito de interesse nacional: a atração de imigrantes europeus para servirem ao desenvolvimento do país.
OS VEREADORES GOVERNAVAM
Nas primeiras décadas da existência do município, o poder executivo municipal não era exercido por um prefeito, mas sim pelo presidente da Câmara Municipal.
Conforme consta na Wikipedia...

"As câmaras constituíram o primeiro núcleo de exercício político do Brasil. As câmaras e seus edis foram, por diversas vezes, elementos de vital importância para a manutenção do poder de Portugal na Colônia, organizando a resistência às diversas invasões feitas por ingleses, franceses e holandeses. Também, com o surgimento do sentimento nativista, já no século XVII, foram focos de diversas revoltas e distúrbios.

Brasil Império[editar | editar código-fonte]

Com a Independência do Brasil, a autonomia de que gozavam as câmaras municipais é drasticamente diminuída com a Constituição de 1824, e a Lei de 1 de outubro de 1828. A duração da legislatura é fixada em quatro anos e o vereador mais votado assumia a presidência da câmara, visto que até então não havia a figura do "prefeito", a não ser pela presente do alcaide (equivalente a prefeito, com poderes menores).

República[editar | editar código-fonte]

Com a Proclamação da República, as câmaras municipais são dissolvidas e os governos estaduais nomeavam os membros do "conselho de intendência". Em 1905, cria-se a figura do "intendente" que permanecerá até 1930 com o início da Era Vargas. Com a Revolução de 1930 criam-se as prefeituras, às quais serão atribuídas as funções executivas dos municípios. Assim, as câmaras municipais passaram a ter especificamente o papel de casa legislativa.
Durante o Estado Novo, entre 1937 e 1945, as câmaras municipais são fechadas e o poder legislativos dos municípios é extinto. Com a restauração da democracia em 1945, as câmaras municipais são reabertas e começam a tomar a forma que hoje possuem.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

5385 - Cinzas do craque João Nilson Peters foram jogadas no campo do Esporte Clube Rio Branco



Nilson jogou ao lado de Airton e outros grandes craques do Grêmio 
Portoalegrens, na década de 1950
Familiares do craque gremista Nilson Peters fizeram 
homenagem ao grande futebolista do passado





Na segunda feira, dia 30 de abril, familiares e amigos do grande futebolísta Nilson Peters participaram de uma comovente cerimônia realizada no centro do campo de futebol no bairro caiense do Rio Branco. Por volta do meio-dia, os familiares de Nilson Peters espalharam as cinzas trazidas em uma urna do grande craque do futebol. O esportista caiense faleceu em 06 de dezembro de 2017 em Porto Alegre com 84 anos de idade.
Nilson Peters, que foi um grande jogador de futebol profissional tendo atuado em 06 clubes gaúchos nas décadas de 1950/60 (Esperança, Grêmio, Floriano, hoje Novo Hamburgo, Santa Cruz, Grêmio Santanense e Juventude). Era irmão dos craques falecidos - Milton (Brotinho) e Paulo Ildon (Mugica). Nascido no bairro Rio Branco, iniciou jogando com seus irmãos no time do bairro e depois destacou-se profissionalmente no Esperança de Hamburgo Velho, sendo levado em 1956 ao Grêmio FBPA, onde teve companheiros de equipe como Sérgio Moacir T. Nunes, Airton (Pavilhão), Ortunho, Enio Rodrigues, Elton, Milton, Gessy, Juarez e outros craques gremistas.
Estavam presentes na cerimônia realizada no gramado do Rio Branco, a viúva Marisa Peters e seus cinco filhos: Eduardo, Adriana, Patrícia, Débora e Roberta, a irmã do Nilton: Maria Carmem, genros e netos.
O pai do Nilson era Eduardo Acylo Peters que leva o nome do Estádio, área na qual foi construído o atual campo do E. C. Rio Branco. Naquela ocasião da inauguração em 07/09/1986, Nilson esteve presente e deu o ponta-pé inicial do jogo que marcou a inauguração da nova sede do clube.
Iraní Rudolfo Lösch, historiador do futebol regional, fez o registro da solene despedida ao grande futebolista caiense junto à família Peters.


Matéria publicada no jornal Fato Novo com colaboração e Irani Loesch

terça-feira, 8 de maio de 2018

5384 - Perto do primeiro milhão

O rio Caí banha o território que compõem a região do Vale do Caí.
 Juntamente com seus afluentes ele banha os 20 municípios que a integram


O blog Histórias do Vale do Caí foi criado no mês de junho de 2009. Agora, passados quase nove anos do seu início, ele já conta com mais de 5.000 postagens produzidas. O interesse do público se comprova pelo fato do blog estar se aproximando do número de um milhão de visualizações.
Esse número torna-se ainda mais notável se considerarmos que o Vale do Caí é uma região pequena e pouco populosa. Tem em torno de 200 mil habitantes.
Não há, provavelmente, nenhuma outra região brasileira com tanta informação histórica reunida num mesmo endereço de internet. Nem mesmo as regiões metropolitanas do país contam com algo semelhante.
Contando com a fantástica vantagem de poder contar com a ferramenta de busca do blog para localizar os temas que mais interessam ao leitor, o blog se constitui num forte incentivo para aqueles que desejam conhecer melhor a região.
O Vale do Caí tem grandes méritos e uma importância histórica que poucos imaginam.
Por isso, vale a pena conhecer as suas histórias.
Sendo mantido o atual média de visualizações diárias, a marca de um milhão de visualizações deverá ser alcançada em setembro desse ano.

5383 - Feliz: terra da alegria e da qualidade de vida

Feliz se destaca pela sua beleza e pela qualidade de vida que proporciona aos sos seus habitantes.
O município de Feliz está situado no Vale do Caí, encosta inferior do Nordeste, no limiar da Serra Gaúcha.

Com 12.992 habitantes (estimativa IBGE/2013), Feliz preserva as características interioranas e mantém a tradição dos alemães que colonizaram a cidade. Ainda hoje, a população mantém vivas as raízes culturais dos antepassados, imprimindo no seu dia a dia os traços germânicos dos imigrantes. Esse legado pode ser percebido nas fachadas das construções, em jardins de muitas residências e também em diálogos realizados no dialeto alemão.

A valorização da cultura, da educação e o zelo pelo trabalho são algumas das características marcantes do povo felizense. Mas, as festas também fazem parte do dia a dia da população, quer seja por motivos religiosos, como os Kerbs, ou para relembrar a tradição dos antepassados, como o Festival Nacional do Chopp e o Encontro de Cervejarias Artesanais, ou ainda para celebrar a produção agrícola e da agroindústria familiar, o que acontece com a Festa Nacional das Amoras, Morangos e Chantilly - Fenamor.

Criação do Município de Feliz

Em 22 de dezembro de 1888, a então Picada Feliz, foi elevada à condição de Vila, passando então a chamar-se "Vila Feliz".

Em 17 de fevereiro de 1959, através da Lei Estadual 3.726/1959, foi decretada a Emancipação Política do município, que passou a chamar-se "Feliz". Em 31 de maio do mesmo ano, foi realizada a Instalação do Município. Em 1º de junho, assumiu o primeiro prefeito de Feliz, Kurt Walter Graebin, que teve como vice-prefeito Adalberto Weissheimer. Em 25 de julho daquele ano foi aprovada a Lei Orgânica do Município de Feliz.

A emancipação foi associada às reivindicações dos munícipes, realizada através de um Plebiscito. Antes da emancipação, o município pertencia a São Sebastião do Caí.

Origem do nome de Feliz

Há mais de uma versão para explicar a origem do nome do município de Feliz. No entanto, a mais aceita está relacionada a um acontecimento histórico, como consta no "Kozeritz Kalender", de 1962:

"Em 1850, uma comitiva sob o comando do engenheiro Afonso Mabilde foi incumbida de abrir um caminho através da mata dos pinhais e o Campo dos Bugres (Caxias do Sul) aos campos de criação de gado de Vacaria. Este grupo atravessou com uma canoa o rio das Antas, usando uma embarcação como elo de ligação com os já ocupados campos de Vacaria, donde obtinham os mantimentos necessários. Uma enchente, no entanto, teria arrastado a canoa e o grupo de homens se viu obrigado a retornar ao sul. Depois de ficarem muitos dias errantes pelo mato, sofrendo toda sorte de privações e perigos, finalmente teriam encontrado a casa de um colono e saudado este encontro com a exclamação: Oh Feliz! Em lembrança deste fato, a nova picada recebeu o nome de Feliz."

Berço de Qualidade de Vida

Em 1998, Feliz destacou-se como a primeira colocada no ranking dos municípios brasileiros com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Naquele ano, Feliz ficou conhecida nacionalmente como a "Cidade de Melhor Qualidade de Vida do Brasil". Foi a primeira vez que o Brasil integrou o grupo dos países com alto IDH, ocupando o 62º lugar no ranking mundial.

Cidade mais alfabetizada do Brasil

Dados do Censo do IBGE 2010 apontaram Feliz como sendo o município com o menor índice de analfabetismo do Brasil. Apenas 0,95% da população adulta não sabe ler nem escrever.

Cidade com o maior índice de desenvolvimento do Rio Grande do Sul

Feliz é o município com maior índice de desenvolvimento do Rio Grande do Sul, de acordo com o Indicador Social de Desenvolvimento dos Municípios (ISDM), lançado pelo Centro de Microeconomia Aplicada da Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), em 2012. No Brasil, a cidade ocupa a 5ª posição. Feliz obteve o índice de 6,19, numa escala que varia de 0 a 10.

11ª Cidade mais igualitária do Brasil

Com base no Atlas da Exclusão Social no Brasil, foi elaborado o Índice de Exclusão Social (IES). Feliz obteve os seguintes indicadores: índice de exclusão 0,818, índice de emprego 0,764, índice de pobreza 0,982, índice de desigualdade 0,829, índice de alfabetização 0,994, índice de escolaridade 0,451, índice de juventude 0,721 e índice de violência 1. Esses números colocam Feliz como a 11ª cidade mais igualitária do Brasil.

Matéria publicada na coluna Almanaque Gaúcho, do jornal Zero Hora