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sexta-feira, 14 de setembro de 2018

5417 - Renê Vicente Vier



Rene Afonso Vier, morador de Salvador do Sul, faleceu aos 77 anos de idade,
na madrugada de domingo, em decorrência de um AVC.
Vier estava internado há cerca de 10 dias no Hospital Beneficência Portuguesa, em Porto 
Alegre, onde passou por um procedimento cirúrgico. Durante o período de recuperação, 
seu estado de saúde acabou se agravando, com um forte derrame.
Os salvadorenses vinham acompanhando com expectativa o quadro de saúde de Renê 
Vier, na esperança de que pudesse superar essa situação e voltar ao convívio da 
comunidade, onde gozava de enorme prestígio e respeito. Tão logo que o óbito foi 
confirmado por familiares do dentista, mensagens de solidariedade e consternação 
tomaram conta das redes sociais em Salvador e redondezas.
Muitas das postagens recordavam as cantorias de Vier. Conforme pessoas mais próximas, 
ele descobriu na música uma alternativa para superar os momentos difíceis. E se revelou 
um grande talento, a ponto de ser presença quase que obrigatória em confraternizações 
de amigos, com direito a formar uma banda, o Quarteto da Fumaça.
Renê nasceu na então Vila São Pedro, atual São Pedro da Serra, e com cinco anos de idade 
a família de seu pai, João Alfredo Vier, que também era dentista, mudou-se para Barão. 
Após a conclusão do curso de Odontologia na Universidade Federal de Pelotas, em 1966, 
passou realizar atendimentos em Salvador do Sul.
Vier soube usar muito bem seu prestígio junto a importantes lideranças estaduais – como 
o então governador Jair Soares, no início dos anos 1980, que foi seu colega de faculdade – 
para contribuir na busca de melhorias importantes para a região, como o asfaltamento da 
estrada Montenegro/Salvador do Sul, a atual BR 470, além da instalação da telefonia direta 
e da implantação e expansão de atividades de escolas. Foi, ainda, um colaborador 
importante de entidades locais, como o CTG Querência da Serra, que ajudou a fundar 
e construir.
O bom humor e a solidariedade também foram marcas fortes na vida de Renê Vier. 
Costumava realizar atendimentos gratuitos a pessoas carentes da comunidade e aos idosos 
do antigo asilo instalado junto ao Hospital São Salvador.
Na produção primária, também mostrou grande vocação. Em ocasiões diversas, levou 

animais para exposição na Expointer e conquistou prêmios importantes, ajudando 
também a promover a sua cidade.
“Ele deixa muitas lembranças boas, lindas lições de vida. Sempre sorria para todos e 
queria ajudar a todos, não importava a situação. Pregava o entendimento político, era 
contra as desavenças”, recorda o irmão Nilson Vier, que, com emoção e entusiasmo, 
faz questão de recordar belos capítulos da história da vida de Renê.
A missa de corpo presente foi realizada na manhã da segunda-feira, na Capela Três 
Santos Mártires das Missões, que ficou pequena para abrigar os tantos amigos que 
foram se despedir de Renê Vier. O sepultamento aconteceu no Cemitério Católico de 
Barão, ao som de “Oh de casa”, música dos Irmãos Bertussi que Vier tratava como 
um hino em seu cotidiano.
Separado, deixa três filhos e dois netos.
Matéria de Cleo Meurer publicada no jornal Fato Novo

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

5416 - Obra do professor Roque Mengato

Os grão dourados de trigo


Os maduros e dourados grãos do trigo

Em 20 de dezembro de 2005, tive um sonho. Sonhei que passava por um campo de trigo. Lá pelas tantas, a plantação acabou repentinamente e me deparei com uma cabana rústica, sombreada por imponentes pinheiros. Disfarçadamente, espiei o interior da choupana e vi uma jovem senhora ninando um lindo menino, num simples berço de madeira com formato de mangedoura.
Ao ser notado, me apresentei e tratei de justificar a minha presença.
Escolhendo as  palavras com o máximo cuidado, disse que desejava levar um feixe de espigas de trigo maduras para enfeitar o meu presépio de Natal.
No sonho, o cenário todo era algo maravilhoso e confortador, com o trigal dourado que me cegava com o seu brilho.
A mãe e o menino, mais o pinheiro e o trigo ofuscante, me deixaram em êxtase.
A madona, me olhando fixamente, fez com que eu me sentisse elevado do espírito comum e rotineiro para um nível espiritual que nunca antes havia experimentado.
Acordei, então, antes do meu pedido ser atendido. O que deixou, em mim, um profundo desapontamento, angustiado e com um sentimento de vazio.
Passei dois  dias triste e pensativo. Três  dias depois, enquanto caminhava despreocupadamente pela margem da RS-122, fui surpreendido por um fato inesperado:
Sentado à sobra de uma árvore, vi um menino bem parecido com aquele do sonho e, bem ao lado dele, numa rachadura do asfalto, três vistosos pés de trigo, com oito espigas maduras.
Quem teria plantado os grãos que deram origem àquelas plantas? Teriam sido aves que as deixaram caír do céu?  Ou as sementes teriam caído de um caminhão graneleiro?
Sem hesitar, pedi ao menino licensa para colher as oito espigas maduras. A criança não disse nem sim nem não e eu fiz a colheita rapidamente. Enquanto isso, o menino desapareceu, seguindo por um carreiro, de chão batido, rumo ao Loteamento Popular.
Até hoje ainda guardo as oito espigas numa redoma de vidro e, nessa época natalina, quando contemplo aqueles maduros e dourados grãos, recordo o que dizia a minha avó:
- O pão que sobra em tua mesa faz falta para o pobre, que não se divorcia da fome.

Crônica do professor Roque Mengato

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

5415 - O Vale do Caí tem o maior site de história regional do país

Assim como Montenegro, Caí foi importante polo de desenvolvimento do Vale do Caí e serviu de apoio para a imigração alemã e italiana no vale e na serra

CAÍ - O jornal Fato Novo surgiu, em 17 de dezembro de 1981, com o objetivo de informar a população dos municípios do Vale do Caí e contribuir para o desenvolvimento regional.
Ao exaltar as boas iniciativas surgidas na região e ao apontar os entraves que prejudicavam o seu desenvolvimento, o jornal deu grande contribuição para o crescimento econômico e desenvolvimento cultural do vale que, hoje, é considerado o Vale da Felicidade. Uma das regiões com melhores índices de desenvolvimento do país.
O Vale do Caí passou por uma radical transformação e seus habitantes podem orgulhar-se do que foram capazes de realizar.
O seu desenvolvimento foi tão notável que a região ganhou o título de Vale da Felicidade. Título que mereceu devido aos índices de educação e saúde e à qualidade das suas administrações municipais.
HISTÓRIAS DO VALE DO CAÍ
A incrível transformação ocorrida no nosso vale serve de exemplo para o país e, por isso, merece ser estudada e copiada por outras regiões brasileiras.
A transformação ocorrida em alguns municípios da Vale do Caí, nessas últimas décadas, merece ser divulgada para que outros municípíos brasileiros se espelhem nela para também se transformarem em algo melhor.
O sucesso do Vale do Caí ficou explícito quando a mais importante publicação brasileira, a revista Veja, publicou ampla reportagem sobre a região intitulada O Vale da Felicidade.
Título que atualmente é utilizado como slogan para a divulgação da região visando o desenvolvimento do turismo no Vale do Caí. 
O que inspirou a revista a publicar tal reportagem foi,  provavelmente, a constatação feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de que  quatro municípios da região figuram entre os dez municípios brasileiros com melhores índices de alfabetização no país.
Quem ainda não conhece o  Histórias do Vale do Caí, pode acessar o blog através do Google. Basta escrever Histórias do Vale do Caí que vai encontrar um inacreditável acervo de informações sobre a história dos vinte municípios componentes da região.
São mais de 5400 artigos publicados, abordando os mais variados aspectos da história regional. Inclusive dois que explicam a origem do título Vale da Felicidade. 
O conteúdo do blog é gigantesco. Mas é fácil encontrar o assunto desejado escrevendo, na busca, algumas palavras que expressem o que interessa ao leitor. Por exemplo Vale da Felicidade.
Outra boa opção para a busca é escrever o nome de um município do Vale: Harmonia, Montenegro, Tupandi, São Sebastião do Caí...
Usando a busca do Google, pode se encontrar muita informação sobre qualquer um dos vinte municípios que integram o Vale do Caí.


5414 - Morre Carlos Edmundo Blauth aos 92 ano

Carlos Edmundo Blauth fez carreira como juiz do trabalho e chegou à presidência do Tribunal Regional do Trabalho 
O caiense Carlos Edmundo Blauth era filho de Helmuth Blauth, o mais destacado empresário caiense dos meados do século 20. Juntamente com o seu irmão Jaime Blauth, ele participou dos mais importantes empreendimentos lançados por Helmuth: A Ecol, Empresa Caiense de Ônibus, o Cine Aloma e a revenda de caminhões Blauth Veículos (mais conhecida pela abreviação Blavel).
Quando jovem Carlos Edmundo ajudava o pai na condução dos ônibus que ligavam o Caí a São Leopoldo e Porto Alegre. 
Mas ele também estudava e participava da vida política da cidade. Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na Pontifícia Universidade Católica, em Porto Alegre, formando-se em Direito no ano de 1957.
Também envolveu-se na política, chegando a se eleger vereador caiense no mesmo ano de 1957.
Mas a política ficou de lado pois Cali, como ele era mais conhecido no Caí, voltou sua atenção para o Direito.
Em 1961 ele foi nomeado Juiz Presidente Suplente exercendo a função em Novo Hamburgo.
No ano de 1963 foi nomeado Juiz  do Trabalho Substituto para atuar na cidade catarinense de Itajaí. Depois disso presidiu a Junta de Conciliação e Julgamento em Erechim, Vacaria e Montenegro. Atuou também, como juiz do trabalho em Porto Alegre e São Leopoldo.
No ano de 1988 ele foi promovido ao cargo de juiz  togado do Tribunal  Regional do Trabalho, exercendo a presidência da segunda turma julgadora e veio a ser eleito vice-presidente do tribunal. 
Depois disto passou a exercer o cargo de vice-presidente do tribunal  até o ano de 1993 e chegou a exercer a presidência do tribunal por cinco meses.  Aposentou-se em 25 de fevereiro de 1994.
Seu Cali, como ele era mais conhecido na sociedade caiense, aposentou-se no dia 25 de fevereiro de 1994.
Ele era casado com Maria Terezinha Fortes Blauth e o casal teve três filhos: Humberto, falecido precocemente; Carlos Edmundo e Isabel, além de dois netos e três bisnetas.
O enterro foi realizado às dez horas da manhã de segunda-feira, no Cemitério Municipal de São Sebastião do Caí.
CAUSA MORTIS
O doutor Cali vinha sofrendo de um grave problema nos rins que o deixou muito debilitado. E, neste estado, foi vítima de uma pneumonia que provocou a falência múltipla dos órgãos.

Matéria publicada no jornal Fato Novo

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

5413 - Cais do porto de Montenegro




O Rio Cai de todos os tempos. Antes da construção do cais, o barranco era muito baixo e por isso qualquer chuva provocava inundação. A área fronteira ao rio era um grande alagado, com muito barro. Por isso a construção do cais foi vital. Pena que depois veio a Viação Férrea e praticamente acabou com o transporte fluvial e de passageiros.

Fotos e texto enviados por Eduardo Kauer

terça-feira, 4 de setembro de 2018

5412 - O Caí depois de dez horas da noite


À noite, no inverno, o centro da cidade é pura tranquilidade

O Caí depois das 22 horas nas segundas realmente é uma bênção. Nas oito quadras que separam a RCC de minha casa, voltei completamente sozinho, parecendo estar numa cidade fantasma. Sem uma viva alma na rua, nenhum carro, nada. A prova está nas fotos que fui tirando e mandando para uma amiga de Londrina (PR) que não queria acreditar no que eu estava dizendo.
Detalhe: este é o centro da cidade.
Este é um dos motivos pelos quais amoooo minha cidade e não troco o Caí pela melhor casa na melhor paisagem do mundo.
São Sebastião do Caí, eu te amoooooo!


Texto de Pio Rambo divulgado em sua página de Facebook

5411 - O alambique de Harmonia

O primeiro porre
Foto de roda d´água muito parecida com a do alambique que existiu no centro de Harmonia
                                                                                                               Imagina uma tarde quente de verão. Imagina esta tarde com uma represa aconchegante de águas cristalinas esperando por alguém entrar dentro dela e encontrar em suas águas um banho confortante. Uma represa funda, onde só quem sabia nadar podia entrar e usufruir. E eu e meu irmão, mais um amigo nosso, filho do dono da represa tínhamos este privilégio. Nadar aprendemos desde cedo, já que o rio Caí, com todas as suas armadilhas fazia com que a gente se obrigasse a enfrentar todos os seus desafios, nadando.
Mas, foi uma tarde mágica naquelas águas. A convite de nosso amigo, tomamos banho durante um longo tempo na represa, que em sua saída tinha pedras íngremes e pontiagudas, algumas tomadas pelo limo, nada amigáveis para quem inventasse descer por este lado. A represa ficava no centro de Harmonia, e ela impulsionava uma roda d'água que movia uma serraria. A serraria dos Gewehr. E antes de ser serraria, era um alambique. E foi aí, no porão da serraria onde tinha este alambique, que tomei meu primeiro porre.
Depois do banho gostoso, de ficarmos sentados sobre a barra da represa para secarmos um pouco nossas roupas ao sol, nosso amigo convidou meu irmão e eu para descermos aquelas pedras íngremes, lisas e com limo, uns quinze metros de altura, e quando lá embaixo, experimentarmos uma bebida gostosa que tinha dentro dos barris no subsolo da serraria. Eram barris enormes, dois no total. Aceitamos. E quando chegamos lá, naquele ambiente abandonado, cheio de teias de aranha, cheirando a coisa azeda, ele sentou na frente de um destes enormes barris e disse:
- Este é um licor que meu pai fazia. Todos diziam que ele fazia isto muito bem, tanto que nós vamos experimentar hoje para ver se é verdade. Querem experimentar?
Curiosos como éramos, assentimos com a cabeça, aceitando a oferta.
Detalhe: isto foi nos anos sessenta e o pai dele falecera nos anos cinquenta. Então ele pegou um copo daqueles rajados, de servir vinho, uns cem mililitros de medida, abriu a torneira de madeira de um dos barris e encheu o copo. Na hora rescindiu no ar um aroma de licor meio adocicado, gostoso de sentir. Deu para meu irmão, que era o mais velho da turma para experimentar. Meu irmão tomou e aprovou o licor. Depois ele encheu um copo para ele, e também o tomou, para por fim, encher um copo e dar para mim. Eu tinha sete anos na época, ele tinha oito e meu irmão, nove. E o que tomamos era cachaça pura, envelhecida nos barris por mais de dez anos.
Depois da seção de degustação, logo tudo já girou. Nos segurando pelas paredes, meu irmão e eu fomos para casa, que não era longe dali, já tomados pelo álcool, cambaleando e rindo de tudo. Quando chegamos em casa e a mãe viu nossa situação foi à loucura. Enfiou um ovo cru goela abaixo de cada um para fazer-nos vomitar. Vomitamos muito. Depois cada um ainda levou um surra. E a mãe ficava dizendo enquanto nos batia:
- Que sintam o nojo de uma bebedeira para nunca mais repetirem, seus moleques!
Foi o meu primeiro porre. Aos sete anos de idade. E de cachaça!

Texto do escritor e radialista Pio Rambo publicado na sua página de Facebook

5410 - Orquestra WBK vira notícia na Alemanha

  • Orquestra WBK vira notícia na Alemanha



Jornal alemão destacou a apresentação do grupo de Bom 
Princípio na Festa do Vinho (Alex Steffen/Reprodução)

Com destaque inclusive na imprensa alemã, a Winterschneiss Blasskapelle foi a 
grande atração do Festival do Vinho em Klüsserath, na Alemanha. A cidade irmã 
de Bom Princípio recebeu a comitiva bom-principiense com grande festa, fazendo com que se sentissem em casa. 
O prefeito Fábio Persch, que acompanha a Orquestra WBK, elogiou a 
receptividade. A orquestra WBK fez duas apresentações, uma na abertura 
da Festa do Vinho de Klüsserath, 
e outra no domingo, no desfecho da programação do evento. Fábio Persch, que 
está hospedado na casa do prefeito Günter Herres, teve a oportunidade de trocar 
experiências e ver novos projetos. A próxima apresentação será nesta quarta-feira 
em Rheinböllen.
“O povo aqui é muito afetivo e acolhedor. Por serem humildes, assim como nós, 
é possível se sentir em casa por aqui. Em alguns momentos parece que estamos 
falando em alemão com os moradores das localidades do interior de Bom 
Princípio, mas não, estamos na Alemanha”, conta o prefeito Fábio Persch, fazendo reverência à acolhida que a WBK e a comitiva oficial tiveram na Alemanha.
Com duas apresentações, uma na abertura da Klüsserather Weinfest (Festa do 
Vinho de Klüsserath), e outra no domingo, no desfecho da programação do evento. “Foi tão comemorada a primeira apresentação que, no domingo, nossos músicos se 
apresentaram de novo e deram bis. Bonito de ver os nossos talentos fazendo a 
Alemanha dançar”, pontuou o prefeito Persch.
A Orquestra WBK embarcou para a Europa na última quarta-feira, dia 22. 
Conforme o regente Davi Dessotti, a turnê é um grande aprendizado para os 
músicos. No total serão oito apresentações. A comitiva é formada por 51 pessoas, 
ncluindo músicos, familiares e amigos.
Destaque na imprensa
No que tange à orquestra e à festa do vinho, muitos comentários favoráveis foram 
feitos “Kurios: Bananen und Indianer in Klüsserath! Und Weinberge, Trauben, ein 
Bauernmarkt, ein Weinfest … und 50 Brasilianer aus RS!”, escreve Klaus Lauch, 
fazendo referência às curiosidades em Klüsserath. Não esperava ele encontrar 
bananas e cultura indígena (tinha até ocas por lá), vinhedos, feira para produtores, 
festa do vinho e 50 brasileiros do Rio Grande do Sul. “Eu já fui infectado pela febre 
brasileira. Volto sempre que posso, há quase 20 anos visito os amigos do Brasil”, 
conta Klaus Lauck, que tem um grande número de amigos no vale do Caí.
Também vinculados com o vale do Caí, Erika e Freimut Stephan, estavam radiantes, não apenas por poderem receber ao amigo prefeito, mas por assistirem a WBK. “Fantásticos. 
Mostraram um pouco do Brasil aqui na Alemanha. Estamos felizes em reencontrar 
os nossos amigos”, pontuou Erika, que é musicista.
Entre um vinho e outro, o casal Norbert e Brigitta Friedrich, responsáveis pelo 
intercâmbio desde a sua formação, também estavam muito felizes
O jornal Trierer Land, que dá cobertura à região de Trier, junto ao rio Mosel, 
destacou em suas páginas o festival do vinho, mas, na pauta escrita por Renate 
Scherf-Pitzing, o grande destaque foi para o intercâmbio com o Brasil e a presença 
da orquestra WBK.
A reportagem cita a presença do ex-prefeito Nestor Seibel, que deu a arrancada 
ao intercâmbio no lado brasileiro, e também a fala de Fábio Persch. O jovem 
prefeito destacou, em alemão, mais precisamente em dialeto hunsrück, o 
sentimento de quem viaja por 12 mil quilômetros para em terra distante, 
encontrar amigos e uma cultura semelhante a que se tem em Bom Princípio.
Finalizada Festa do vinho com os alemães e os brasileiros dançando em trenzinho 
ou sobre os bancos (uma tradição local), a comitiva parte para novos rumos, 
dentre os quais a busca pelo título de melhor orquestra em Grimma, na Turingia,
 região mais ao norte da Alemanha.

Matéria de Guilherme Schaurich Baptista para o jornal Fato Novo

sábado, 1 de setembro de 2018

5409 - Tadeu de Oliveira: uma vida pelo futebol e o carnaval




Pé era muito conhecido na cidade pelo futebol, carnaval e sua aptidão na cozinha.

Morreu aos 69 anos, o caiense Tadeu de Oliveira. De família humilde,
Tadeu foi muito conhecido na cidade. Trabalhou com despachantes
ajudando a encaminhar a documentação para a obtenção de carteiras
de motorista.



Pé foi líder de escolas de samba no auge do carnaval caiense
Arquivo/Fato Novo

Mas a atividade na qual Tadeu mais se destacou foi a de juiz de futebol.
Foi, segundo o depoimento de esportistas, o melhor árbitro que atuou
nos campeonatos regionais nas últimas décadas do século XX.



Árbitro de futebol, também, foi uma das profissões de Tadeu de Oliveira
Arquivo/Fato Novo

O Negão Pé – ou simplesmente
Pé,como ele também era chamado,
foi um homem de grande porte físico.
O apelidoPé é abreviatura de Pé
de Pato e se explica
porque o pato tem patas grandes.
O seu tamanho o ajudou a impor
suaautoridade nos disputadíssimos
jogos de futebol.
Pé foi, também, grande líder das
escolas desamba que floresceram
no Caí nestamesma época. Tanto as
do bairro Navegantes como a Figueira
doLoteamento Popular. Além de dirigente, foi ensaiador dessas escolas.
Com habilidade musical, ele atuou também comopuxador e compositor de
samba enredo.
Como despachante, ele trabalhou para João Soares da Silva, o Pai João,
com quem adquiriu a habilidade de cozinhar em festas. Foi muito ligado,
também, a Mauro Coelho e aos filhos desse, Piava e Maurinho.



Tadeu faleceu aos 69 anos 

Tadeu morava sozinho numa casa no bairro Navegantes. Na última terça-feira, ele não sentia-se bem e foi até o Posto de Saúde, com a ajuda da amiga Simone Hilgert, em busca de auxílio médico. Após isso, familiares não conseguiram mais contata-lo. Sua sobrinha Isaura tentava contato por telefone mas ele não atendia. Preocupada com o tio, pediu a ajuda para Poroque (amigo de Tadeu) para ir até a casa dele, pois o mesmo tinha cachorros. Foi Poroque que encontrou Tadeu falecido na manhã de quarta-feira. Segundo os familiares, Pé, provavelmente, morreu durante a noite.
Isaura costumava passar pela casa do tio, e também ligar para ele, pois era muito agradecida
a Tadeu que havia lhe dado ajuda num
momento em que passou por dificuldades.



Schneck e Pé no carnaval /F N

Ele foi casado com Sandra mas estava separado há muitos anos. Dessa relação tinha uma filha, chamada Kassandra, que tem 32 anos e mora em Esteio. Ele era filho de Gildo e Aurora e tinha três irmãs, Antonieta, Eva e Conceição.
Pé sempre foi forte mas, desde abril, perdeu muito peso e não se sentia bem. Foi ao médico e fez vários exames, mas não ficou definida a causa do seu estado de debilidade.
A causa da morte foi, provavelmente, um problema cardíaco. Seu enterro foi na quinta-feira no cemitério municipal do Caí.

Matéria de Renato Klein, publicada no jornal Fato Novo

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

5408 - Um spa no morro do Angico

A HISTÓRIA DO KURHOTEL 

DO MORRO DO ANGICO

Na Alemanha, existem inúmeros 

Kurhotels ou Kurhaus 

(casas de tratamento) 




















Não se aplica / Arquivo Pessoal
Kurhaus und Kur Hotel, em Bad Pyrmont, em cartão-postal de 1909

Almanaque Gaúcho, na edição de fim de semana dos dias 4 e 5 de agosto, 
publicou a matéria “Na esquina do tempo”, sobre o livro de Cynthia Oderich Trein, 
dizendo que “foi Irene que idealizou e administrou sozinha o primeiro spa do Rio 
Grande do Sul, o Kurhotel”. 
Irene Oderich Hagemeister (1897-1990), tia de Cynthia, escreveu um livro de 
recordações, datilografado em alemão, que foi base para a obra No Hotel da 
Esquina Verde, no qual a sobrinha conta a saga de sua família. Logo no início da 
semana seguinte à publicação, Ana Lúcia Fortes da Silva, relações-públicas do 
Kurotel Centro Médico de Longevidade e Spa, localizado em Gramado, entrou em 
contato conosco para dizer que tal informação conflita com a história do Kurotel 
da serra gaúcha e que não ficou claro que o Kurhotel de Irene nada tem a ver com 
o Kurotel de Gramado. 
Ana Lúcia entende que deveria haver um esclarecimento que possibilitasse aos 
leitores compreender que se trata de histórias e empresas diferentes, evitando a 
confusão das marcas. 
Perfeito. Nosso Almanaque agradece e aproveita a oportunidade para contar mais 
um pouco dessa história.
Se colocarmos no Google, o termo Kur ao lado da palavra “tradução”, o resultado 
será tratamento. Então, são inúmeros os Kurhotels ou Kurhaus (casas de 
tratamento) espalhados pela Alemanha. Irene, por exemplo, conheceu, em 1954, 

Kurhaus Alice, em Bad Soden am Taunus. Em 1956, ela decidiu abrir seu 
estabelecimento, na parada 76 da antiga estrada de terra que levava a São 
Sebastião do Caí, utilizando o termo em alemão para designar seu Kurhotel ou 
Kurhaus do Morro do Angico. 
Embora tenha funcionado por pouco tempo, apenas três ou quatro anos, a 
Kurhaus de Irene, que foi chamada também de Casa de Repouso de Otto 
Hagemeister, dispunha de sede com salas de estar, de jogos e de leitura, sala 
de jantar, cozinha, quatro apartamentos com varanda e vista
para a encosta do morro e banheiras. 
Havia sauna (chamada na época de “suador”), trilhas no mato, orquidário e 
garagem para os hóspedes (Kurgaeste em alemão) que viessem em carro próprio. 
Entre as atividades oferecidas pela Kurhaus do Morro do Angico havia aulas de 
ginástica pela manhã, exercícios de respiração ou ioga, massagens feitas pela 
própria Irene (que estudara na Alemanha), dieta especial e acompanhamento 
médico diário. Irene foi convencida pela família a fechar sua hospedaria, devido 
à idade e ao excesso de trabalho. 
O consagrado Kurotel de Gramado possui registros de pesquisas que remontam 
1963 e teve sua abertura em 1982. Portanto, tem 36 anos de história, sendo 
reconhecido nacional e internacionalmente. Desde 1985, o Kurotel vem 
protegendo sua marca na forma da lei e possui exclusividade de uso em todo 
o território brasileiro, com 
registros devidamente concedidos pelo Instituto Nacional da Propriedade 
Industrial (INPI). Ficamos satisfeitos em poder resgatar a memória desse tipo 
de empreendimento em nosso Estado.

Matéria publicada na coluna Almanaque Gaúcho, de Ricardo Chaves, 
no jornal Zero Hora

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

5407 - Livro conta a historia da família e das indústrias Oderich

Não se aplica / Arquivo Pessoal




Casa da família Oderich
Não é incomum o nosso Almanaque Gaúcho receber livros de memórias que contam 
histórias familiares e de municípios. Em muitas famílias e cidades, quase sempre tem 
alguém que se dedica a visitar o passado, em busca do resgate das origens. Mas, 
recentemente, recebemos uma obra diferenciada. 
O livro No Hotel da Esquina Verde (368 páginas, Editora São Miguel), de Cynthia 
Oderich Trein, é uma joia impressa. A edição esmerada, as fotos antigas escolhidas, 
os capítulos breves e bem ilustrados, o texto leve e saboroso são o atestado da qualificação 
da autora. 
Cynthia nasceu em São Paulo, em 1962, estudou no Colégio Farroupilha, é bacharel em 
Letras pela UFRGS e tem pós-graduação em Estudos de Literatura em Língua Inglesa na 
UFSC, em Florianópolis, com bolsa do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). Casada 
com Miguel Fayet Trein, o casal tem dois filhos: Nora e Guilherme. Cynthia também é 
executiva da empresa Jackwal, onde ocupa o cargo de diretora comercial.Felizmente, nos 
últimos quatro anos, ela dedicou as horas vagas para pesquisar a história da família e da 
antiga cidade de São Sebastião do Caí. Quando começou o trabalho, no qual concretizaria 
o sonho de escrever sobre os antepassados, especialmente os Ritter, os Oderich e os Trein,
 e sobre o Caí antigo, caiu-lhe nas mãos um livro de recordações, datilografado em alemão, 
escrito por sua tia Irene Oderich Hagemeister (1897-1990). Irene queria ser enfermeira, 
mas, naquela época, mulheres da sua condição social dedicavam-se apenas ao lar e à 
família. Inconformada, ela combatia a depressão escrevendo.

Não se aplica / Acervo Cristiano e Vera Lúcia Oderich


Família de Adolf e Henriette Oderich –Irene aparece logo acima da mãe

O texto original, que acabou sendo o foco do 
trabalho de Cynthia, revela uma mente inquieta e um olhar perspicaz sobre a condição 
feminina no seu tempo. Sua narrativa dos costumes, de fatos que vivenciou na pacata 
cidadezinha, é tão divertida quanto dramática, singela e poética. 




Não se aplica / Arquivo Pessoal
Irene Oderich com as filhas, Inga (esq) e Marga (dir)
Seu depoimento sobre o início dos negócios 
das famílias de parentes, que ganharia 
projeção estadual e nacional, o envolvimento
 na política do Estado na Era Vargas e suas 
conquistas e frustrações constituem um 
valioso material histórico e, principalmente, 
de autoconhecimento. Foi Irene que idealizou 
e administrou sozinha o primeiro spa do Rio 
Grande do Sul, o Kurhotel. 




Não se aplica / Acervo Cristiano e Vera Lúcia Oderich
Capa do livro sobre a história da família Oderich




















Como afirma Cynthia no prefácio da obra: “Pelo seu olhar dos fatos e das pessoas, achei 
que valeria a pena o esforço de tentar compartilhar esse pequeno tesouro com aqueles de 
nós, descendentes, que estejam buscando o entendimento das nossas origens e da forma 
como foram moldados e reforçados os valores das nossas famílias”. 

Matéria publicada na coluna Almanaque Gaúcho, do jornal Zero Hora