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sábado, 16 de dezembro de 2017

5226 - A morte de seu Raimundo Flores, aos 100 anos

Morre o Seu Miúdo, aos 100 anos



Seu Raymundo teve, com sua esposa Nilza, um casamento muito feliz e duradouro

Seu nome é Raimundo Flores, mas todos o conhecem por Miúdo. Aliás, Seu Miúdo, que é como o tratam devido ao respeito que todos têm por ele.

Chegar vivo a uma idade tão avançada é uma grande vitória, mas seu Miúdo se destaca não apenas por isso. 

Ele é casado com Nilza Bueno Flores, que tem 93 anos, e o casal se dá muitíssimo bem. Agora, na idade em que estão, os dois costumam ficar sentados na sala, conversando de forma muito serena e carinhosa, demonstrando a continuidade do amor que, entre eles, dura mais de 80 anos.

O casal tem nove filhos vivos: o mais velho é Cilon, com 72 anos, e os demais são Antônio Vilson, com 69; Neusa Werner, com 66; Eliete Knop, com 62; Carlos Francisco, com 58; Eronete Fink, com 55; Luiza Hartmann, 54; Marines Fernandes, 53 e Ana Flávia Metz, 50 anos.

Além desses, seu Miúdo e dona Nilza tiveram mais dois filhos que faleceram em acidentes: Luís Dilon e Inácio.

O centenário caiense trabalhou na roça desde novo. Comprou um caminhão e se dedicou a revender produtos coloniais da região, que ele levava para o mercado em Porto Alegre.

Nascido e criado na localidade de Passo da Taquara, Seu Miúdo mudou-se, posteriormente, para a  casa, no Caí, na rua 13 de Maio, junto ao centro da cidade.

Mas, mesmo morando na cidade, não deixou de trabalhar nas suas plantações e comércio de produtos coloniais. Ele só parou com essas atividades na idade de 94 anos.

Seus filhos contam que Seu Miúdo foi sempre muito atencioso com os filhos. Toda noite lhes contava uma história com enredo que ele mesmo inventava. A cada dia uma história diferente.

Dizem também que ele trabalhava sempre com alegria, seja na roça, seja no caminhão. Seu Miúdo ama as pessoas e os animais. Não gostava de assistir ao abate de animais. Na colônia, quando um boi, porco ou mesmo galinha era morto não podia ver e ficava triste com os gritos ou gemidos dos animais sacrificados.

Quando a árvore que havia na calçada da sua casa foi destruída por um vendaval, plantou uma bergamoteira no lugar, para que as pessoas pudessem apanhar e consumir a vontade.

Outra coisa importante para ele foi a religião. Décadas atrás ele costumava ir à missa com seu caminhão, levando a esposa e todos os filhos. Hoje não vai mais a igreja. Mas, em casa, assiste à missa pela TV. Duas por dia!

Mais recentemente seu Raimundo foi notícia, no Fato Novo, pelo fato de ainda dirigir seu automóvel pela cidade quando já tinha 95 anos.

Certa vez, quando já tinha 89 anos de idade, seu Raimundo e dona Nilza estavam na casa de veraneio de uma das filhas quando resolveram voltar para o Caí. E, ao invés de falar para a filha, eles resolveram fugir e vieram sozinhos, com ele dirigindo o carro até o Caí.


Longevidade
A boa saúde física e mental de seu Raimundo, apesar da sua idade, faz com que surja a curiosidade quanto ao seu modo de vida.

Conforme foi dito pela sua filha Neusa, ele sempre gostou de comer feijão, arroz e carne, frutas e verduras comia menos. 

Sua alimentação era a mais natural possível, comia o que plantava. Nunca bebeu e fumou, e também não gostava de ficar parado, sempre foi muito ativo.

5225 - São José do Hortêncio por Felipe Kuhn Braun


Continuo na minha fase saudosista. Esta fase teve origem na visita que fiz ao meu irmão, em Mondaí SC., recentemente.  Entre as conversas, retornamos às longínquas origens em Harmonia, em meio a reportagens, livros e cartas, que ele guarda com muito cuidado. Entre os livros, um deles me chamou particular atenção. A História de São José do Hortêncio - A antiga picada dos portugueses. Se eu falar da portugieserschneis, as pessoas da minha idade certamente se lembrarão.

O livro sobre São José do Hortêncio, da Editora Oikos.

Eu conheço esta pequena cidade, pois numa certa ocasião fui para lá, em companhia de um outro irmão meu. São José do Hortêncio tem hoje, apenas algo em torno de quatro mil habitantes, o que não faz jus à sua antiquidade e à sua importância histórica. São José do Hortêncio foi simplesmente a primeira localidade de imigração germânica no vale do rio Caí e a primeira paróquia da região.(Isso praticamente significa, para os dias de hoje, a sua elevação a município, devido a unidade entre a Igreja e o Império) A fundação desta paróquia data de 1849 e ela esteve ao cuidado dos padres jesuítas alemães, que acabavam de chegar ao Brasil no ano anterior. Os jesuítas a conduziram até o ano de 1911, passando então o comando para os padres seculares. Os primeiros registros da presença alemã datam de 1828, quando lá já havia lusitanos. Lembrando que os primeiros imigrantes alemães chegaram em São Leopoldo, no vale do rio dos Sinos, em 25 de julho de 1824.

O meu interesse pelo livro se deve a uma observação sobre as primeiras famílias que ali se estabeleceram. Na página 44 do mesmo se lê o seguinte: Nicolau Rech: Imigrante católico, nascido em 1802, emigrou solteiro no ano de 1829, vindo como militar. Casou-se com Margarida Ludwig, com quem teve 9 filhos. Seu filho Jorge aparece na lista de fundadores da igreja matriz de São José do Hortêncio. Como vimos, esta foi fundada em 1849. Numa anotação do meu irmão, os primeiros filhos aparecem como tendo sido batizados em São Leopoldo e outros em São José do Hortêncio. Alguns não tiveram o registro de batismo, em função da Revolução Farroupilha. Entre estes devia estar o pai do meu avô. O meu avô eu cheguei a conhecer. 

Este senhor Nicolau Rech deve ter sido o avô do meu avô. Esta ascendência já vai longe. O fato de ser militar não significa muita coisa. Foi este, inclusive, um dos motivos pelos quais os alemães da região do Hunsrück decidiram emigrar. Os pesados serviços militares que lhes eram impostos. Era o tempo das guerras napoleônicas. Esta região está na divisa com a França. Lembrando ainda que a unificação alemã só ocorrerá bem mais tarde, apenas em 1871.

O livro é de autoria de Felipe Braun Kuhn, jornalista de profissão. Ele é um estudioso da imigração alemã no Brasil. A parte inicial do livro é dedicada aos motivos que levaram os alemães para a emigração e à escolha do Brasil como seu destino. A maior parte do livro é dedicada às atividades da comunidade católica de São José do Hortêncio, pelo fato, deduzo, de que existe o maior número de registros. Estes são um tanto monótonos, pois os fatos, invariavelmente se repetem, ano após ano: a troca dos padres, as dificuldades financeiras dos colonos, o irmão leigo que ajuda nas tarefas da igreja, as cartas aos superiores bem como as respostas e as visitas destes. Também merecem registro as epidemias, as secas e as procissões pedindo chuvas, bem como as enchentes provocadas pelos seus excessos.

Depois vem os registros da comunidade protestante. Quero destacar que ao longo do Império, a construção de igrejas do credo protestante era proibida e os registros de suas atividades não tinham o devido reconhecimento. Os demais temas que merecem notas são o registro das ocupações e profissões, as atividades dos comerciantes e a sua ascensão econômica, a guerra do Paraguai, que envolveu cinco pessoas do local, os Muckers, as bandinhas e as diversões, além de observações sobre o sistema educacional. Alguns colonos, inclusive, chegaram a ser proprietários de escravos. O livro também é acompanhado de uma bateria de fotos das famílias dos descendentes. Fotos de família, de casamentos, de primeira comunhão e de festas da comunidade. Estas já remetem para a década de 1920.
Um mapa para ajudar na localização. Sempre é bom.

Merece também um destaque especial o fato da rápida multiplicação das famílias. Todas tiveram muitos filhos e o problema das terras promoveu novas migrações. Raros são os descendentes de alemães, espalhados pelo Brasil afora, que não tiveram um de seus ascendentes originários de São José do Hortêncio. Assim ocorreu com a povoação de todo o vale do rio Caí, do rio Taquari, da região missioneira, tanto no Rio Grande do Sul, quanto na Argentina e no Paraguai, de Santa Catarina, e depois, Brasil afora. Doze paróquias se desmembraram da paróquia original.

Li o livro com os olhos e os interesses voltados para Harmonia. A primeira data remete ao ano de 1887, ano em que a sede da paróquia de Tupandi (São Salvador) é transferida para Harmonia, a partir de informações falsas que o bispo teria recebido. A solução encontrada foi a elevação à paróquia das duas localidades, sendo que Harmonia não seria entregue aos padres jesuítas e sim aos padres seculares. A segunda referência data de 1904, quando Harmonia recebeu a visita do padre Theodor Amstad para formar a Associação de Poupança e a terceira, é referente ao ano de 1909, quando houve uma reunião regional do clero.

O episódio da visita do padre Theodor Amstad, um jesuíta suíço, me despertou particular interesse. Este padre é singular. Tem algumas observações bem peculiares no livro, que não passam despercebidas a um olhar mais atento. Uma é sobre as suas obrigações religiosas, que teriam sido negligenciadas e uma outra fala de um possível envolvimento seu em política, tomando partido. O certo é que ele teve muitas ideias cooperativas e em Harmonia existe, até hoje, uma cooperativa, que começou com a união dos suinocultores. O padre tem muita história em Nova Petrópolis, ligadas a atividade cooperativa no mundo das finanças. Tem a ver com o SICREDI, fundado pelo padre em 1902, nesta cidade de Nova Petrópolis, cuja paróquia, por sinal, também foi desmembrada de São José do Hortêncio.

Muito boa a leitura que me satisfez muitas das minhas curiosidades neste meu tempo de saudosismo. Ainda uma observação, no sentido de destacar a importância histórica desta cidade. No livro A missão dos jesuítas alemães no Rio Grande do Sul, o padre Ambros Schupp (Ed.Unisinos) chama São José do Hortêncio como a outra colônia-mãe, sendo Dois Irmãos a outra, ou a primeira que ele descreve.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

5224 - A boa saúde de Octaviano Azevedo

Seu Octaviano com os filhos, na festa do seu centenário

Ele era moderado na alimentação e consumia, basicamente, os alimentos que produzia na sua propriedade. Especialmente verduras e frutas. E comia moderadamente.
Era muito dedicado ao trabalho e foi ele mesmo, com a ajuda de um cunhado que era pedreiro, o construtor da sua casa. Por sinal, uma casa excelente, que hoje ainda causa admiração.
Ele já tinha 32 anos quando casou-se com Vilma Metz tiveram os filhos Ilásio, Paulo, Vera Maria e Clair Fátima, que nasceu quando seu Octaviano tinha quase 40 anos.

Até os 92 anos ele ainda dirigia bem, mas começou a sentir deficiência na visão e decidiu parar de dirigir. Aos 94 perdeu a visão num olho. Mas ainda vivia bem, até que aos 97 anos sofreu uma queda que causou lesão interna. A partir de então passou a ter problemas de saúde. Principalmente asma. O que  o levou a usar doses elevadas de antibióticos e sua saúde foi ficando cada vez mais frágil. No último domingo ele sentiu febre alta e veio a falecer às cinco horas da madrugada de segunda-feira.

Matéria publicada no jornal Fato Novo em 6 de dezembro de 2017

5223 - Octaviano Azevedo morre aos 103 anos

Seu Octaviano e a esposa Vilma Metz


CAÍ - Morreu, no último domingo, o caiense Octaviano de Azevedo, com a admirável idade de 103 anos. Alcançou, talvez, a mais elevada idade já atingida por um caiense.Morava numa bela casa construída por ele há mais de 50 anos,  junto à RS-122, entre o bairro São Martim e o Areião.
Mesmo tendo perdido sua esposa, dona Vilma Metz de Azevedo, há oito anos, ele manteve-se lúcido e sereno.
Seu Octaviano podia se orgulhar de haver formado bem os seus filhos e ter dado sempre uma contribuição positiva para a sociedade.
Carregava consigo muita sabedoria de vida, que deixou como importante legado para seus descendentes. 
Ele era conhecido pelo apelido de  Bibi e assim como seu irmão Fortunato (cujo apelido era Dadá), ele soube educar os próprios filhos, transmitindo a eles um conhecimento tão ou mais importante quanto aquele que recebiam na escola. 
Os filhos de seu Octaviano são Vera Maria de Azevedo, que mora em São Leopoldo e foi quem mais se dedicou a cuidar do pai; Paulo Amauri, também morador de São Leopoldo, Ilásio Carlos de Azevedo, ex-funcionário do Banco do Brasil, residente em Montenegro e Clair Fátima Ramos, professora e agente de turismo que mora no Caí.
Seu Octaviano era irmão de  Fortunato Rodigues de Azevedo, conhecido como seu Dadá, que teve filhos notáveis, como o ex-secretário estadual da educação José Clóvis Azevedo e a cantora lírica Cláudia Azevedo.
Ele gostava de ler e de viajar com a família. Teve primeiro um Aero Willis, depois uma Brasília e, por fim, um Gol. Com esses veículos ele gostava de passear com a família, indo à praia e mesmo a Santa Catarina. No caminho falava sobre os mais variados assuntos, transmitindo seus conhecimentos a eles. Tinha um forte interesse em aprender e gostava de transmitir aos filhos aquilo que sabia.
SABEDORIA e SAÚDE
Seu Octaviano nasceu em 1914, quando iniciava a Primeira Guerra Mundial e, como era comum naquela época, ele não teve muita oportunidade de estudar. Mas compensou isso amplamente através da leitura. Ele gostava muito livros e jornais e estava sempre se instruindo. Era católico e gostava, também, de ler a Bíblia.
Ele era moderado na alimentação e consumia, basicamente, os alimentos que produzia na sua propriedade. Especialmente verduras e frutas. E comia moderadamente.
Era muito dedicado ao trabalho e foi ele mesmo, com a ajuda de um cunhado que era pedreiro, o construtor da sua casa. Por sinal, uma casa excelente, que hoje ainda causa admiração.
Ele já tinha 32 anos quando casou-se com Vilma Metz tiveram os filhos Ilásio, Paulo, Vera Maria e Clair Fátima, que nasceu quando seu Octaviano tinha quase 40 anos.
Até os 92 anos ele ainda dirigia bem, mas começou a sentir deficiência na visão e decidiu parar de dirigir. Aos 94 perdeu a visão num olho. Mas ainda vivia bem, até que aos 97 anos sofreu uma queda que causou lesão interna. A partir de então passou a ter problemas de saúde. Principalmente asma. O que  o levou a usar doses elevadas de antibióticos e sua saúde foi ficando cada vez mais frágil. No último domingo ele sentiu febre alta e veio a falecer às cinco horas da madrugada de segunda-feira.

Matéria publicada pelo jornal Fato Novo em 6 de dezembro de 2017

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

5222- Balduino Rambo

O padre Balduíno Rambo, nascido em Tupandi, foi um dos maiores intelectuais
riograndenses nos meados do século XX









Balduíno Rambo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Balduíno Rambo (Tupandi11 de agosto de 1906 — 12 de setembro de 1961) foi um religiosoprofessorjornalistaescritorbotânico e geógrafo brasileiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de Nicolau Rambo e Gertrudes Vier[1], desde cedo foi interessado pelas ciências naturais. No ginásio iniciou sua coleta de plantas, tendo logo juntado uma grade coleção.[2]Após ter completado o noviciado no Brasil, cursou filosofia em Pullach. Na Alemanha, aproveitava os dias de folga para excursões científicas, cujos resultados foram publicados em revistas alemãs e brasileiras.[2]
Voltou ao Brasil, em 1931 e tornou-se professor de história natural no Colégio Anchieta em Porto Alegre, onde ficou até 1933.[2] Sua primeira obra, uma monografia sobre líquenesfoi publicada no mesmo ano, no Relatório do Colégio Anchieta, dali em diante não parou de publicar, publicando quase anualmente.[1] Estudou teologia no Seminário Conceição de São Leopoldo, ordenando-se em 1936. Voltou a lecionar no Colégio Anchieta, onde fixou e residência e passaria a maior parte de sua vida.[2]
Foi fundador da cátedra de Antropologia e Etnografia da UFRGS em 1940, também lecionou na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Leopoldo, futura Unisinos. Fez campanha pela criação de um Jardim Botânico em Porto Alegre e conseguiu que o Itaimbezinho fosse declarado Parque Nacional.[2] Suas pesquisas botânicas resultaram num acervo de plantas de 50 000 exemplares, em 1948, cerca de 90% da flora nativa.[2] Organizou o Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais e fundou a revista Iheríngia.[1]
Em 1942 publicou sua primeira grande obra, A fisionomia do Rio Grande do Sul, uma descrição detalhada da geografia do estado, incluindo mapas e 30 ilustrações paisagísticas, feitas a partir de fotos áereas tiradas por ele em viagens por todo o território, realizadas com um avião do terceiro Regimento de Aviadores de Canoas.[2]
O seu diário, considerado por ele sua maior obra literária e científica, escrito de 1919 a 1961, contém os mais variados assuntos, inclusive suas aspirações e conflitos pessoais. Parte destes escritos foram publicados na obra Em busca da Grande Síntese[2]
Foi redator do principal veículo de comunicação jesuíta no estado, a revista Sankt Paulusblatt, destinada à formação e à informação dos colonos teuto-brasileiros católicos.[2] É a revista católica em língua alemã mais antiga do Brasil, uma das poucas que voltou a circular após a campanha de nacionalização empreendida pelo Estado Novo, circulando até os dias de hoje.[2] Em seus escritos muitas vezes alertou sobre os problemas ecológicos que já começavam a aparecer no estado, tornando-se com isso um dos precursores do ambientalismo brasileiro.[3] Notóriamente Balduíno Rambo foi um dos poucos na história do desenvolvimento orgânico da variante riograndense do dialeto germano-brasileiro hunsriqueano riograndense, no próprio chamado de Riograndenser Hunsrückisch, prestes a celebrar seus duzentos anos de existência (em 2024), que por um longo período de tempo produziu textos nessa língua regional, publicados em periódicos e jornais de sua época, lidos não só no Brasil mas na Argentina e alhures.[4]

Obras[editar | editar código-fonte]

Livros didáticos[editar | editar código-fonte]

  • 1. Elementos de História Natural. 1a ed., Tipografia do Centro.Porto Alegre, 1934; edições seguintes pela Livraria do Globo, Porto Alegre.
  • 2. Elementos de Química p/ 3° ano seriado (tradução) e p/ 4° ano seriado. Livraria do Globo. Porto Alegre, 1934-1935.

Botânica[editar | editar código-fonte]

  • 1. Lichenes. Relatorio do Gymnasio Anchieta p. 1-30, 7 il. Porto Alegre, 1932.
  • 2. La Vegetación del Alto Uruguay. Revista Sudamericana de Botánica vol. 2, p. 108-110. Montevideo, 1935.
  • 3. Lichenes Megapotamici. Broteria, Série Ciências Naturais: vol. 4, p. 174-191; vol. 5, p. 36-73, 97-112, 145-160; vol.6, p. 5-16, 49-65. Lisboa, 1935-1937.
  • 4. Florae Riograndensis Cives novae vel minus cognitae in Herbario Anchieta asservatae. Lilloa: vol. 12, p. 87-109; vol.14, p. 101-131; vol. 17, p. 17-47, 83-111. Tucumán, 1946-1949. Nota: artigos em co-autoria com Karl Emrich.
  • 5. A flora Central Antártica e Andina no Rio Grande do Sul. Boletim Geográfico, IBGE no. 67, p. 705-754. Rio de Janeiro, 1948.
  • 6. Estudos Botânicos em Sombrio. Anais Botânicos do Herbário Barbosa Rodrigues vol. 1, p. 7-20. Itajaí, 1949.
  • 7. A Flora de Cambará. Anais Botânicos do Herbário Barbosa Rodrigues vol. 1, p. 111-135. Itajaí, 1949.
  • 8. Padre João Evangelista Rick. Anais Botânicos do Herbário Barbosa Rodrigues vol. 1, p. 70-84. Itajaí, 1949.
  • 9. Aráceas Riograndenses. Anais Botânicos do Herbário Barbosa Rodrigues vol. 2, p. 5-7. Itajaí, 1950.
  • 10.A Porta de Torres. Anais Botânicos do Herbário Barbosa Rodrigues vol. 2, p. 9-20. Itajaí, 1950.
  • 11.O Elemento Andino no Pinhal Riograndense. Anais Botânicos do Herbário Barbosa Rodrigues vol. 3, p. 7-39. Itajaí, 1951.
  • 12.A Imigração da Selva Higrófila no Rio Grande do Sul. Anais Botânicos do Herbário Barbosa Rodrigues vol. 3, p. 55-91.Itajaí, 1951.
  • 13.Martius (esboço biográfico). Instituto Hans Staden 20p. São Paulo, 1952.
  • 14.Análise Geográfica das Compostas Sulbrasileiras. Anais Botânicos do Herbário Barbosa Rodrigues vol. 4, p. 87-159.Itajaí, 1952.
  • 15.Sapindaceae Riograndenses. Anais Botânicos do Herbário Barbosa Rodrigues vol. 4, p. 161-185. Itajaí, 1952.
  • 16.Estudo Comparativo das Leguminosas Riograndenses. Anais Botânicos do Herbário Barbosa Rodrigues vol. 5, p. 107-184. Itajaí, 1953.
  • 17.História da Flora do Planalto Riograndense. Anais Botânicos do Herbário Barbosa Rodrigues vol. 5, p. 185-232. Itajaí, 1953.
  • 18.Análise Histórica da Flora de Porto Alegre. Sellowia vol. 6, p.9-112. Itajaí, 1954.
  • 19.História da Flora do Litoral Riograndense. Sellowia vol. 6, p.113-172. Itajaí, 1954.
  • 20.Der Regenwald am Oberen Uruguay. Sellowia vol. 7, p. 183-233. Itajaí, 1956.
  • 21.A Flora Fanerogâmica dos Aparados Riograndenses. Sellowia vol. 7, p. 235-298. Itajaí, 1956.
  • 22.Die Väter der Botanik in Rio Grande do Sul. Staden-Jahrbuch vol. 4, p. 31-39. São Paulo, 1956.
  • 23.Friedrich Sellow in den Namen Brasilianischer Pflanzen.Staden-Jahrbuch vol. 5, p. 79-91. São Paulo, 1957.
  • 24.Die Auslesse im Naturversuch. Pesquisas vol. 1, p. 181-219.Porto Alegre, 1957.
  • 25.Regenwald und Kamp in Rio Grande do Sul. Sellowia vol. 8, p. 257-298. Itajaí, 1957.
  • 26.O Gênero Eryngium no Rio Grande do Sul. Sellowia vol. 8, p.299-353. Itajaí, 1957.
  • 27.Die Alte Südflora in Brasilien. Pesquisas vol. 2, p. 177-198.Porto Alegre, 1958.
  • 28.An Historical Approach to Plant Evolution. Pesquisas vol. 2,p. 199-222. Porto Alegre, 1958.
  • 29.Asclepiadaceae Riograndenses. Iheringia, Série Botânica vol.1, 57p. Porto Alegre, 1958.
  • 30.Johann Rick, S.J. Iheringia, Série Botânica vol. 2, p. 8-12.Porto Alegre, 1958.
  • 31.Johannes Rick, S.J. Montfort vol. 10, p. 1-56. Dornbirn, 1958.BALDUÍNO RAMBO S. J.
  • 32.Floresta Riograndense. Agronomia Sulriograndense vol. 3, p. 3-15. Porto Alegre, 1958.
  • 33.Die Gattung Oxypetalum in Rio Grande do Sul. Sellowia vol.9, p. 117-145. Itajaí, 1958.
  • 34.Geografia das Melastomatáceas Riograndenses. Sellowia vol.9, p. 147-167. Itajaí, 1958.
  • 35.Apocynaceae Riograndenses. Iheringia, Série Botânica vol.3, 23p. Porto Alegre, 1959.
  • 36.Cyperaceae Riograndenses. Pesquisas vol. 3, p. 353-453.Porto Alegre, 1959.
  • 37.Towards the Concept of the Species in Plant Evolution.Pesquisas vol. 3, p. 455-493. Porto Alegre, 1959.
  • 38.Bignoniaceae Riograndenses. Iheringia, Série Botânica vol.6, 26p. Porto Alegre, 1960.
  • 39.Die Europäischen Unkräuter in Südbrasilien. Sellowia vol.12, p. 45-78.
  • 40.Die Südgranze des Brasilianischen Regenwaldes. Pesquisas,Série Botânica vol. 8, 41p. Porto Alegre, 1960.
  • 41.Euphorbiaceae Riograndenses. Pesquisas, Série Botânica vol.9, 78p. Porto Alegre, 1960.
  • 42.Solanaceae Riograndenses. Pesquisas, Série Botânica vol.11, 69p. Porto Alegre, 1961.
  • 43.Migration Routes of the South Brazilian Rain Forest.Pesquisas, Série Botânica vol. 12, 54p. Porto Alegre, 1961.
  • 44.Basidiomycetes Eubasidii in Rio Grande do Sul, Brasilia.Iheringia, Série Botânica vol. 2, p. 1-56; vol. 4, p. 54-124; vol. 5, p. 125-192; vol. 7, p. 193-295; vol. 8, p. 296-450;vol. 9, p. 451-489. Porto Alegre, 1958-1961. Nota: trata-seda publicação da coleção de fungos do Pe. Johannes Rick, S.J., editada postumamente pelo Pe. Rambo.

Trabalhos publicados postumamente[editar | editar código-fonte]

  • 45.Labiatae Riograndenses. Pesquisas, Série Botânica vol. 15,44p. São Leopoldo, 1962.
  • 46.Convolvulaceae Riograndenses. Pesquisas, Série Botânicavol. 16, 30p. São Leopoldo, 1962.
  • 47.Umbelliferae Riograndenses. Pesquisas, Série Botânica vol.17, 37p. São Leopoldo, 1962.CADERNO Nº. 31
  • 48.Rubiaceae Riograndenses. Pesquisas, Série Botânica vol. 18,74p. São Leopoldo, 1962.
  • 49.Myrtaceae Riograndenses. Pesquisas, Série Botânica vol. 20,62p. São Leopoldo, 1965.
  • 50.Verbenaceae Riograndenses. Pesquisas, Série Botânica vol.21, 59p. São Leopoldo, 1965.
  • 51.Melastomataceae Riograndenses. Pesquisas, Série Botânica vol. 22, 45p. São Leopoldo, 1966.
  • 52.Leguminosae Riograndenses. Pesquisas, Série Botânica vol.23, 166p. São Leopoldo, 1966.
  • 53.Malvaceae Riograndenses. Pesquisas, Série Botânica vol.24, 50p. São Leopoldo, 1967.
  • 54.Bromeliaceae Riograndenses. Pesquisas, Série Botânica vol.25, 27p. São Leopoldo, 1967.
  • 55.Amarantaceae Riograndenses. Pesquisas, Série Botânica vol.26, 30p. São Leopoldo, 1968.
  • 56.Gramineae Riograndenses. Pesquisas, Série Botânica vol.36, 191p. São Leopoldo, 1984.

Geografia e Geologia[editar | editar código-fonte]

  • 1. A Fisionomia do Alto Uruguay. Relatório do Ginásio Anchieta,31p. Porto Alegre, 1935.
  • 2. A Estrutura da Serra nos Vales do Caí e do Rio dos Sinos.Anais do II Congresso de História e Geografia Riograndense vol.1, p. 89-110. Porto Alegre, 1937.
  • 3. A Fisionomia do Rio Grande – Viagens de Estudo. Relatório do Ginásio Anchieta, 58p. Porto Alegre, 1938.
  • 4. Aspectos do Brasil – Viagens de Estudo. Relatório do Ginásio Anchieta, 63p. Porto Alegre, 1940.
  • 5. A Fisionomia do Rio Grande do Sul – Ensaio de monografia natural. 1ª ed., Livraria Selbach, 360p. Porto Alegre, 1942; 2ª ed., Livraria Selbach, 456p. Porto Alegre, 1956; 3ª ed.,Editora Unisinos, 472 p. São Leopoldo, 1994.
  • 6. A Fisiografia Natural de São Leopoldo. Anais do Congresso de História e Geografia de São Leopoldo 1846-1946, 12p.Porto Alegre, 1947. Nota: publicado pela Livraria do Globo.
  • 7. A Fisionomia do Rio Grande do Sul. Fundamentos da Cultura Riograndense, 1a série, p. 13-30. Porto Alegre, 1954.

Zoologia[editar | editar código-fonte]

  • 1. A Caranguejeira (Grammostola longimana). Relatório do Ginásio Anchieta, 33p. Porto Alegre, 1933.
  • 2. Eciton praedator (A Formiga-de-Correição). Relatório do Ginásio Anchieta, 16p. Porto Alegre, 1941.

História e Antropologia[editar | editar código-fonte]

  • 1. Os Índios Riograndenses Modernos. Província de São Pedro vol. 10, p. 81-88. Porto Alegre, 1947.
  • 2. Arqueologia Riograndense. Fundamentos da Cultura Riograndense, 2a série, p. 31-44. Porto Alegre.
  • 3. A Imigração Alemã no Rio Grande do Sul (1824-1914). Enciclopédia Riograndense vol. 1, p. 77-123. Canoas.
  • 4. A Religiosidade Católica na Colônia Alemã. Enciclopédia Riograndense vol. 2, p. 35-42. Canoas.
  • 5. Jesuit Scientifical Writings in Rio Grande do Sul, South Brazil. Pesquisas, Communications 1, p. 15-31. Porto Alegre, 1960.
  • 6. A Nacionalização. Enciclopédia Riograndense, vol. 6, 26p.

Outros[editar | editar código-fonte]

  • 1. Religião: Mensagem Celeste. Editora Vozes, 48p. Petrópolis,1941.
  • 2. Romance: Vida por Vida. Edições Paulinas, 100p. Porto Alegre, 1960.
  • 3. Romance: Drei Jahre auf dem Mars (Três Anos no Marte). Federação dos Centros Culturais 25 de Julho, 120p. São Leopoldo, 1987.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • A fisionomia do Rio Grande do Sul. Série Documentos históricos. organização:
  • Faculdade de Filosofia e Universidade do Rio Grande do Sul. Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.

Texto divulgado na Wikipedia

5221 - Casa da família Rambo no centro de Harmonia

Casa da família Rambo no centro de Harmonia

Esta casa foi construída na década de 1920 ou 30. Situava-se na principal rua de Harmonia 
e foi construída pela década de 1920 ou 30.
Ela foi vendida em 1998 e depois demolida para a construção de um prédio comercial que 
ainda hoje existe, em frente ao supermercado Harmonia.

Foto e informações de Ane e Flávio Luis Rambo

5220 - O primeiro voo de asa delta no Vale do Caí

Eu estava empolgado com a novidade. Poder voar sem motor, saltar de uma montanha, controlar o voo apenas com o peso do corpo e pousar suavemente no vale. Era fascinante. Foi ainda nos primórdios do voo livre no Brasil que, em março de 1982, eu iniciava o curso de asa delta em Sapiranga. O primeiro voo de asa delta no Brasil havia sido realizado poucos anos antes, em 1974, por um francês que saltou do Corcovado no Rio de Janeiro. Aqui no Rio Grande do Sul os primeiros voos seriam realizados somente dois anos mais tarde, em 1976. Guardo apenas quatro fotografias daquelas façanhas. A primeira é do local dos treinamentos iniciais. Os candiadatos a Ícaro eram levados para um pequeno barranco, onde praticavam decolagem e pouso.


As outras três fotografias são da véspera do dia de Natal daquele mesmo ano, 24 de dezembro de 1982, quando convidei a minha (apenas) amiga Beatriz Schlatter e seu irmão Raul, para presenciar um voo que pretendia realizar em São José do Hortêncio. Havia naquele tempo somente a rampa de decolagem do morro Ferrabraz, em Sapiranga e eu estava decidido a encontrar novos locais para praticar o voo livre.


Montei a asa no meio da estrada rural e decolei dali mesmo, sem rampa, para pousar suavemente no campo de criação de gado de um colono, para desespero de suas vacas, que fugiram correndo apavoradas com o rabo em pé, quando viram "aquela coisa" descendo do céu.


Naquele dia a decolagem, o voo e o pouso foram um sucesso, mas nunca mais voei ali.


Pouco tempo depois, em fevereiro de 1983, a Breatriz e eu começamos a namorar. Voei ainda por mais dois anos, mas somente de vez em quando, sem a regularidade que seria recomendada para a prática de um esporte aéreo de risco. Eu realmente estava mais interessado na namorada que no voo livre. O esporte aéreo exige dedicação e o voo livre é praticado individualmente. Enquanto um voa e se diverte o outro fica esperando. Isto não combinava com o momento que eu vivia. Ninguém me falou, mas lá no íntimo eu sabia que era tudo uma questão de tempo e então seria a asa ou a namorada, ou talvez pior, um acidente pela pouca frequencia de voos. Então fiz a escolha, pendurei a asa na garagem onde ainda hoje ela se encontra pendurada, há 26 anos. Fiz uma boa escolha porque estávamos iniciando 7 divertidos anos de namoro, seguidos de 21 felizes anos de casamento, sem asa delta, mas com muitas, muitas outras aventuras a dois, que valeram bem mais do que alguns voos solitários.

Crédito das fotos:
1 - Heinrich Hasenack
2, 3 e 4 - Raul Schlatter

Texto de Walter Hasenack

domingo, 26 de novembro de 2017

5219 - O novo talento de Júlia Pereira

Além de modelo e designer de moda, Júlia também vai bem como apresentadora de TV

Para quem conhece Júlia Pereira do tempo em que era uma jovem estudante da escola Felipe Camarão, é muito interessante ver como ela evoluiu e se tornou uma profissional versátil, desembaraçada e conhecedora do mundo.

Paris e Nova York são cidades bem familiares para ela, que já viajou, a trabalho ou lazer, pelas mais importantes cidades do mundo. Principalmente, do mundo da moda.

Quem quiser matar saudades de Júlia, ver como ela está hoje e aprender muito com ela, é só acessar o site “Mundo de Júlia”, onde há vídeos que vão desde a moda feminina até as belezas da cidade de Paris.

Vale a pena dar uma conferida. Ao digitar na busca do Google, tenha apenas o cuidado de distinguir o site de Júlia de outro que se chama “O mundo da Júlia”. É melhor buscar no Google por “Mundo de Júlia Rede TV”.

Atualmente com 30 anos, Júlia faz sucesso há bastante tempo desfilando nos principais centros da moda internacional e fotografando para as revistas mais conceituadas deste setor. Está em plana forma e é bastante requisitada. 

Neste mês de novembro, ela participou da Semana de Moda de Paris. Um dos mais importantes eventos do mundo da moda internacional.

A modelo é filha do empresário caiense Jaime Pereira e de Cláudia Campani Pereira. É filha trigêmea do casal, juntamente com Carla e Cassiano.

Ela começou a sua carreira de modelo aos 15 anos, quando foi descoberta por um olheiro e participou do concurso Super Model of the World. Com isso foi morar em São Paulo e, bem rápido, passou a fazer desfiles em cidades como Milão, Paris, Londres e Barcelona.

A caiense se mantém em plena forma e assinou, por dois anos, uma linha de moda praia para uma empresa brasileira e tem, agora, a sua própria grife a Júlia Beachwear, com modelos exclusivos desenhados por ela. A intensa atividade profissional não a impediu de estudar. É formada em teatro, TV e Cinema e fala fluentemente o inglês e o italiano e pratica wakeboard e wakesurf.

Admiradores e curiosos podem acompanhar Júlia também pelas redes sociais, através do Facebook e Instagram, e acompanhar o dia-a-dia desta personalidade caiense.


 Matéria publicada pelo jornal Fato Novo em 25 de novembro de 2017


5218 - De menino pobre no bairro Qulombo a reitor da Universidade Federal de Alfenas



O professor Sandro Amadeu Cerveira (na foto com a esposa e filhos) narra a trajetória de sucesso que culminou com a sua recente eleição para o cargo de reitor da Universidade Federal de Alfenas, em Minas Gerais.


Sandro Cerveira  assume a reitoria da Universidade Federal de Alfenas

Sandro, o maiorzinho, com seus irmãos em foto
do tempo em que moravam no Caí

“Nasci em 10 de Fevereiro de 1969, em São Sebastião do Caí, no Hospital Sagrada Família. 
Minha mãe, Carmem Lúcia Cerveira, tinha então 19 anos e era uma jovem dona de casa. Quase morremos no parto. Sobrevivemos graças a uma cesariana de emergência feita pelo Doutor Bernardo Turkenitch. 
Meu pai, Luiz Natal Cerveira, com 31 anos, era mecânico da Brasília Guaíba Obras Públicas, emprego esse no qual permaneceu até sua aposentadoria por razões de saúde. Sou o mais velho com mais dois irmãos: Marcos Leandro Cerveira e Luiz Alexandre Cerveira.
Minha primeira infância passei no Caí. Incialmente, segundo contavam meus pais, moramos na chácara do meu avô materno Sebastião Fernandes. 
Deste tempo não tenho lembranças. Minhas primeiras memórias são na “casa velha”, da qual restam apenas ruínas atualmente. Era uma casa de pedra laje que meu avô paterno, Ramiro Pires Cerveira, emprestou a meus pais para começarem suas vidas.  
Essa casa, localizada em uma modesta chácara no Passo da Taquara, fora a primeira casa dos meus avós. Muito simples, contava com apenas um quarto, uma salinha e uma cozinha rústica com fogão a lenha. ,
A energia elétrica chegou a essa região, salvo engano, apenas nos anos 80. Por isso as memórias que tenho desse período são da frágil luz do lampião a querosene. 
Vivi ali até os 5 anos e, desta época, lembro apenas da convivência com minha família família e de sensações como o encanto de ver através da janela, numa manhã de inverno, o telhado da cocheira coberto de geada. Sentir o cheiro das maçanilhas (camomila) e beber a água fria recém tirada do poço num dia quente de verão. 
Dali mudamos para o Rincão do Cascalho, para uma casa que sempre chamei de “casa amarela”.  Nossa referência, como para a maioria dos moradores do “Rincão” seguia sendo o Caí. Lembro-me de tomar o Caiense com minha mãe na parada 35 para ir até o “povo”, como dizia minha avó Dona Amanda. No Caí é que fazíamos as compras de sapato na loja do seu Lopes, que sempre nos recebia nos chamando de “colorados” (de fato todos éramos colorados) tirávamos fotos, tomávamos vacinas, íamos ao médico e visitávamos minha avó. 
Quando fiz sete anos meu irmão Leandro, então com seis, e eu fomos finamente para a escola. Foi um momento muito feliz e esperado. Estudamos, até a terceira série, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Getúlio Vargas, que ficava a uma distancia razoável. Quando não contávamos com a companhia da professora Terezinha ou de outros colegas, meu irmão e eu íamos sozinhos, caminhando pela beira da faixa.
A escola, hoje desativada, ficava no meio de um campo e tinha uma única sala e dois banheiros externos. Desconfio que o apoio e a logística da família da professora Alcina, que morava perto da escola, era fundamental para o seu funcionamento. Lembro-me de buscar água, com meu amigo e colega de sala Edson, em uma grande chaleira na casa dela. 
Apesar do tamanho reduzido, havia na escola uma cozinha, onde as professoras preparavam a merenda, e uma biblioteca na qual descobri os livros infantis de Érico Veríssimo. Era maravilhoso ler e viajar nas ilustrações de livros como “Rosa Maria no Castelo Encantado”, “O urso com música na barriga” ou “As aventuras do avião vermelho”. Esse último me fez sonhar que um avião em miniatura caía em nosso quintal perto do arvoredo e seu piloto, também minúsculo, conversava comigo sobre suas aventuras assentado na palma da minha mão. 
A escola tinha um espaço livre no qual fazíamos bons recreios com brincadeiras tipo “ovo choco” ou “pega-pega”. Além, é claro das partidas de futebol com a participação sempre animadora da professora Terezinha. 
Faço questão de homenagear essa querida professora que tenho a honra de chamar de colega.  Além do afeto e gratidão que ela merece de todos seus ex-alunos e ex-alunas por sua atitude humana e humanizadora.
Do Rincão do Cascalho nos mudamos para São Vicente do Sul, onde moramos por aproximadamente três anos. Viajávamos sempre pra rever a família, inclusive minha avó, que já morava no bairro Quilombo. 
Quando estava com 13 anos, meus pais se separaram e voltamos a viver no Caí, na rua Esperanto, perto de onde minha avó e tia já moravam. 
Foi talvez o período de maiores dificuldades. Minha mãe, com três filhos (de 13, 12 e 9 anos), sem formação profissional e com pouco apoio, trabalhou em casas de família como empregada doméstica ou diarista e também na Escola Normal, como cantineira e faxineira.  A morte do meu pai, em seguida, não melhorou as coisas. 
CARREIRA
Com 14 anos tirei minha carteira de trabalho. Assumi um emprego na Empresa Caiense de Ônibus como cobrador, fazendo viagens a Porto Alegre, Novo Hamburgo e São Leopoldo. Meu último ano do ensino fundamental (8ª serie) fiz enquanto trabalhava nessa empresa. 
Fiz, então o vestibular para a escola técnica Liberato, em Novo Hamburgo, e fui aprovado com bolsa. Estudei ali dois anos. Estudava pela manhã e à tarde e noite trabalhava como empacotador no supermercado Nacional. Morava de “pensão” na casa da querida família de Noeli, que me acolheu com carinho nesse período. No segundo ano meu pai faleceu. Um duro golpe. 
Ao final do segundo ano deixei o Liberato e fui estudar teologia no Paraná, para me tornar pastor. Já estava na Igreja Batista há alguns anos e sonhava ser pastor. Com 17 anos fui para o Paraná estudar no Instituto Bíblico Maranata onde me formei. Detalhe: o curso de teologia ali oferecido era do tipo livre e, portanto, não alterou minha escolaridade do ponto de vista formal. Segui com o 2º grau (hoje ensino médio) incompleto.  
Conheci minha esposa nesse seminário e, quando nos formamos nos casamos e fomos trabalhar em Belo Horizonte, na fundação da Igreja Batista Boas Novas do Floramar (bairro da zona norte de Belo Horizonte). Nosso primeiro filho Samuel Bragança Cerveira, nasceu em um ano e oito meses, depois veio a nossa Jéssica Bragança Cerveira, quatro anos após o casamento.  
Ali fui ordenado pastor e atuei por mais de dez anos. Nesse período, muito por incentivo da minha esposa Rosimeire Bragança Cerveira, voltei a estudar. Fiz o supletivo. Prestei as provas da Secretaria de Educação e obtive meu diploma de ensino médio. Animado por haver passado, fiz vestibular por duas vezes na Universidade Federal de Minas Gerais e fui aprovado no curso de História.
De 1995 a 2000 fiz minha graduação conciliando o trabalho na igreja com um segundo emprego como vendedor. Foram anos difíceis de pouco sono e muitas lutas.  Sem a parceria incansável da minha esposa que se sacrificou cuidando das crianças, da casa, trabalhando fora e ajudando na igreja, eu teria desistido. Ao final da graduação apareceu o interesse pelo mestrado. Apesar de não ser das Ciências Sociais fiz a seleção no Departamento de Ciência Política da UFMG e passei em 4º lugar. Foi um momento de muita alegria.
Durante o mestrado veio nosso terceiro filho, João Luís Bragança Cerveira.  Mais uma vez minha esposa mostrou sua força, pois, mesmo com o filho pequeno, começou sua graduação até então adiada. Enquanto eu fazia o mestrado ela concluiu sua graduação em Educação Artística com habilitação em música. 
O tempo do mestrado foi de grandes transformações pessoais e profissionais.  Renunciei a bolsa a que tinha direito para atuar como chefe de gabinete na Secretaria de Serviços Sociais da regional norte da prefeitura de Belo Horizonte e, depois, iniciei minha carreira como docente universitário.  
Concluído o mestrado atuei por alguns anos em várias faculdades privadas, em várias ocasiões lecionando longe de Belo Horizonte. Em 2006 fiz a seleção para o doutorado em Ciência Política também na Universidade Federal de Minas Gerais.
Mais uma vez foi necessário conciliar o trabalho e os estudos. Com três filhos e sem uma casa própria, apesar do trabalho parceiro da esposa, não era possível viver apenas e somente da bolsa. 
Uma oportunidade surgiu: fazer um período de estágio (doutorado sanduíche) na Universidade de Salamanca, na Espanha, uma das mais antigas universidades do mundo. Estudei no Instituto de Ibero-américa, com o qual nosso grupo de pesquisa da UFMG iniciava sua parceria. Foium  semestre de aulas e parecerias de pesquisa que muito favoreceram a minha formação e, obviamente, o domínio da língua espanhola.
De volta ao Brasil tratei de defender a tese mas, antes de concluir o doutorado, uma amiga querida me falou de um concurso na recém-criada Universidade Federal de Alfenas, na cidade de Alfenas. Fiz o concurso. Não fui chamado imediatamente, mas em 2010 estava tomando posse como professor de Ciência Política no Instituto de Ciências Humanas e Letras da UNIFAL-MG.
Nos últimos sete anos atuei como professor, membro de comissões e diretor eleito por dois mandatos pelo meu Instituto. No final do ano passado a universidade começou a discutir a sucessão de nosso atual reitor e meu nome apareceu como pré-candidato. 
A campanha começou a cerca de dois meses e foi muito intensa. Pela primeira vez na historia da UNIFAL-MG haviam quatro chapas disputando a reitoria. Fomos para o segundo turno e agora, no dia 23 de novembro, junto com o professor Alessandro Costa Pereira, fomos escolhidos para sermos os novos reitores da universidade."

Depoimento do reitor Sandro Amadeu Cerveira, em entrevista concedida ao jornal Fato Novo