segunda-feira, 15 de abril de 2019

5446 - Subsídios para a história de Harmonia

SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DE HARMONIA


Na década de 1960 a rua 25 de julho tinha pouco movimento de veículos 
e servia de palco para o lazer da população
                                                                                   

COMO TUDO COMEÇOU
O Brasil foi descoberto em 1.500. Mas a colonização, feita pelos portugueses, começou pela Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Maranhão e outros territórios que ficaram definidos inicialmente como possessões do reino de Portugal. Enquanto isto os  espanhóis procuravam ocupar o resto do continente americano estabelecendo-se em lugares tão diversificados como a Argentina, o México, as ilhas do Caribe e o Peru.
O continente americano é imenso e tanto a Espanha como Portugal não dispunham de colonos suficientes para ocupar as imensidões do território que haviam descoberto e que procuravam manter sob o seu domínio. Com isto, vastas regiões permaneceram sem ser colonizadas durante séculos. E foi assim que aconteceu com o território que hoje compreende o estado do Rio Grande do Sul.
Por quase duzentos anos, nenhum homem branco veio se estabelecer no Rio Grande. Viviam aqui apenas algumas tribos de índios que perambulavam pelo território na sua vida errante, caçando e pescando, fazendo pequenas roças de milho. Eles permaneciam num mesmo lugar apenas o tempo necessário para colher o milho que plantavam ao chegar (alguns meses apenas). E, enquanto isto, iam consumindo a caça, a  pesca e os frutos silvestres que encontravam nas imediações.
Os primeiros brancos que tentaram se estabelecer em território gaúcho foram padres jesuítas. Eles eram em número muito pequeno e trataram de organizar a população indígena, formando vilas e convertendo os selvagens à fé católica. Surgiram assim as primeiras povoações missioneiras.
A primeira missão jesuítica surgida no Rio Grande do Sul, foi criada no ano de 1627, no oeste do estado. Poucos anos depois os jesuítas avançaram em direção ao litoral estabelecendo uma missão nas proximidades da atual cidade de Rio Pardo. Mas esta foi logo destruída pelo ataque de uma expedição de bandeirantes paulistas. Na época os paulistas vinham ao Rio Grande do Sul para caçar índios e submetê-los à escravidão. Capturados por aqui eles eram levados ao centro do país e lá vendidos como escravos para os fazendeiros. Os jesuítas atraíam os índios para as suas missões com uma proposta de reunião e organização visando protegê-los contra a escravidão que lhes era imposta pelos bandeirantes paulistas.
Nesta época os paulistas foram mais fortes e conseguiram exterminar com as missões. Os padres tiveram de abandonar os seus projetos no Rio Grande e assim, por várias décadas, esta região voltou a ficar deserta de homens brancos. Restou uma população indígena dispersa e até reduzida devido à predação dos bandeirantes. No ano de 1682 os padres jesuítas voltaram a se estabelecer na região oeste do Rio Grande do Sul, fundando os Sete Povos das Missões. A partir daí, por aproximadamente um século, estes padres conseguiram desenvolver o seu trabalho com mais tranqüilidade, já que a escravidão de índios passara a ser proibida no reino português e as bandeiras escravagistas cessaram. Mas as missões jesuíticas espanholas ficaram restritas à região oeste do estado, continuando a central e a litorânea totalmente desabitadas pelo homem branco. E mesmo no oeste a população que havia era apenas de indígenas reunidos e liderados por algumas dezenas de padres.
As missões jesuíticas no Rio Grande do Sul foram um empreendimento notável, mas que acabou fracassando depois que o governo espanhol deixou de lhe dar apoio. E que acabou por ser totalmente extinto no início do século XIX.
A ocupação do Rio Grande do Sul pelos portugueses começou muito tardiamente. Ela só passou a ocorrer pelo ano de 1730, quando alguns tropeiros de gado residentes na vila de Laguna (no sul de Santa Catarina) se estabeleceram na região litorânea do estado. O Brasil ainda era colônia portuguesa e o reino de Portugal passou a incentivar estes tropeiros a tomar posse das terras do atual Rio Grande do Sul. Em 1832 foi concedido, pelo governo de Portugal, o primeiro título de propriedade no território gaúcho. Este primeiro gaúcho legalmente estabelecido se chamava Manoel Gonçalves Ribeiro e a sua propriedade situava-se nas imediações de Tramandaí.
Desta época em diante, apesar de alguns conflitos sérios com o espanhóis - os quais consideravam que o território gaúcho lhes pertencia - houve um continuado avanço da colonização portuguesa no Rio Grande do Sul. Em poucas décadas, novos colonos foram estabelecendo fazendas mais para o interior: nos territórios dos atuais municípios de Osório, Santo Antônio da Patrulha, Gravataí, Viamão, Porto Alegre, Canoas, Esteio, Sapucaia. Indo sempre mais para o interior do estado, já na década de 1740 haviam lusos chegando ao Vale do Caí e tomando posse de terras nos atuais municípios de Capela de Santana e Montenegro.
As estâncias dos primeiros colonizadores de origem lusa foram fixadas na parte sul do Vale do Caí - em Capela e Montenegro - porque esta era uma região de campos. Mais fácil de ser ocupada porque era própria para a criação de gado. Na região norte do Vale do Caí as terras eram cobertas por densas florestas. Ali, além de não haver campo para a criação de gado, a agricultura também era dificultosa, pois para fazer uma roça era primeiro necessário derrubar a mata. Um trabalho muito penoso. Além disto, as matas do Vale do Caí eram povoadas por animais ferozes (especialmente as onças) e pelos índios.
Por isto a ocupação desta região, demorou mais algumas décadas. Mas aos poucos, na medida em que os campos estavam todos tomados, novos colonizadores foram se estabelecendo na região das matas.
Aos poucos foram se formando as primeiras povoações. As quais, quando cresciam um pouco mais, ganhavam uma igreja. Destas, algumas se tornavam paróquia, passando a ter um padre nela residente. Assim foi com a vila de Triunfo, situada às margens do rio Taquari, mas à cujo pároco coube, por quase cem anos, a tarefa de zelar pelas almas dos moradores do Vale do Caí.
A paróquia de Triunfo, da qual o Padre Clarque foi o primeiro vigário, era muito grande. Ela compreendia todo o território existente entre os rios do Sinos e Caí, Caí e Taquari e, ainda, entre o Taquari e o Pardo. E em todo este enorme território, conforme levantamento feito pelo padre em 1757, haviam apenas duas povoações além da sede paroquial: as de Santo Amaro (hoje São Jerônimo) e de Rio Pardo (hoje a cidade do mesmo nome). Além disto, haviam 25 grandes fazendas neste mesmo território. Nesta época, portanto, o povoado de Capela de Santana (o mais antigo do Vale do Caí) ainda não existia. Mas haviam várias fazendas na região de Capela, que então era conhecida como Ilha do Rio dos Sinos. Uma delas situava-se um pouco ao sul do local onde hoje exite a cidade do Caí. Esta fazenda, e mais uma outra situada atrás da atual cidade de Montenegro,  pertencia a Bernardo Batista.
No ano seguinte, 1758, o padre Clarque fez um levantamento de todos os moradores da sua paróquia com idade para se confessar e comungar. Ele relacionou 507 pessoas e assinalou que no ano anterior este número era de apenas 251. O que dá uma idéia de que a população da região de Capela aumentava vertigionosamente naquela época em que o Rio Grande do Sul apenas começava a ser colonizado.

A FAZENDA PARECI
Bernardo Batista e seu cunhado Manoel Mendes moravam na fazenda situada próxima a Montenegro, que se chamava Bom Retiro. Já o pai de Bernardo, que se chamava João Batista Rosa, residia na fazenda que ficava à margem esquerda do rio Caí, ao sul do arroio Cadeia, local que corresponde atualmente ao Pareci Velho. Nesta fazenda viviam ainda a esposa de João Batista, os filhos e alguns escravos. Entre os escravos, o padre Clarque relacionou um chamado João Parassi, que era casado com Francisca Bela. Nos livros de batismo das paróquias de Viamão e de Triunfo o monsenhor Neis encontrou registros de batismo de vários filhos deste casal, inclusive Maria, nascida em 1756; Paula, em 1759; Ana, em 1761 e Antônio, em 1765.
Ana Bela, a mulher de João Parassi, era mulata e consta também num documento da época que, ao nascer, foi declarada forra (liberta) pelos seu senhor João Batista Rosa e pela mulher deste, Maria Bela. João Batista da Rosa, conforme já vimos, era o proprietário da fazenda situada no lado esquerdo do Rio Caí e que corresponde aproximadamente à atual localidade de Pareci Velho. Ruben Neis encontrou, nos arquivos da Igreja, um documento relativo ao casamento de João Parassi e Ana Bela, ocorrido em 1755. Quanto à noiva estes e outros documentos informam que ela era mulata e escrava de João Batista Rosa. E consta ainda que seus donos a libertaram quando foi batizada. O sobrenome Bela, ela o adquiriu da patroa, como era comum acontecer naquela época.
Para poder casar com Ana Bela, João Parassi teve de dar uma declaração  na qual afirmou que nasceu na aldeia de Cuiabá, dos índios Parassis, e que era filho de pais gentios (pagãos, índios não convertidos ao cristianismo). Ele era natural, portanto, do atual estado do Mato Grosso. Declarou ainda que saiu pequeno da sua terra natal, indo para as minas de Parnanpanema  (Neis supôs que se trate da atual Paranapanema, no estado de São Paulo), quando era ainda um menino. Quem o levou para lá foi Manoel Ferreira, que o criou e o encaminhou para o batismo. O mesmo Manoel Ferreira, seu pai de criação, trouxe-o para o Rio Grande do Sul mas, tendo ido para Montevideo, o deixou com José da Costa. Isto quando ele tinha entre nove e dez anos.
Evidentemente, Parassis é a forma como o escrivão da época escreveu a palavras Parecis, que é o nome de uma tribo de índios do Mato Grosso. A tribo da qual João se originava.
O nome de batismo de João Pareci era João Ferreira da Silva e, quando do seu casamento ele tinha 22 anos. Nesta época era oficialmente proibido escravizar os índios. Mas, mesmo assim, eles eram socialmente equiparados com os escravos e a própria igreja os registrava no mesmo livro em que figuravam os negros. Livro separado daquele que era usado para o registro das pessoas brancas. Os índios e também os negros libertos, costumavam ser registrados nos mesmos livros destinados aos escravos.
Muito pouco se sabe sobre o destino de João Pareci, mas é bastante evidente que foi do seu apelido que surgiu o nome da localidade de Pareci Velho e também de Pareci Novo. Não se pode imaginar outra explicação, já que não existiam índios da tribo Pareci no Rio Grande do Sul. O úncio de que se tem notícia era este que veio do Mato Grosso e, ao casar com uma escrava alforriada do fazendeiro João Batista da Rosa, foi residir na sua fazenda, provavelmente trabalhando para ele.
A palavra Pareci serviu também de nome para a Fazenda Pareci, uma enorme propriedade que se estendia tanto do lado direito quanto do lado esquerdo do rio Caí nas proximidades dos atuais Pareci Velho e Pareci Novo. A grande fazenda incluia as terras dos atuais municípios de Pareci Novo, Harmonia e Tupandi (do lado direito do rio) e partes dos municípios de São Sebastião do Caí e Capela de Santana (do lado esquerdo). Ela foi adquirida em 1801, pelos irmãos Teixeira, grandes comerciantes de Porto Alegre. E quem a vendeu para eles foi o tenente Joaquim Anacleto de Azevedo. Por que esta fazenda, que pertenceu a tantas pessoas de destaque, foi sempre conhecida pelo nome de uma pessoa de condição social tão modesta como João Pareci? Esta é uma questão que ainda não foi esclarecida.
Um dos pioneiros na ocuapação do Vale do Caí  foi Bernardo Mateus, que nasceu em Portugal, viveu por vinte anos na Aldeia dos Anjos (atual cidade de Gravataí) e depois foi viver nas terras que ganhou do governo no local onde  hoje está situada a cidade de São Sebastião do Caí. Isto aconteceu em 1793. Nos anos e décadas seguintes outros moradores foram se estabelecendo no Vale do Caí. Com o que a colonização branca foi avançando cada vez mais no sentido das nascentes do rio.
Em 1807 as terras situadas logo adiante das de Bernardo Mateus foram ocupadas por um outro imigrante português chamado Manoel dos Santos Borges. Ambos prosperaram, foram senhores de escravos e desenvolveram culturas e manufaturas (Mateus teve atafona e olaria, Santos Borges desenvolveu admiráveis culturas agrícolas). Manoel dos Santos Borges foi particularmente bem sucedido na sua fazenda e acolheu nela colonos alemães, sendo que o primeiro deles foi Miguel Ledur (possivelmente na década de 1840).
Os irmãos João e José Inácio Teixeira foram grandes comerciantes em Porto Alegre, dedicados inclusive à navegação marítima e ao comércio de escravos. Em 1801 eles compraram a Fazenda Pareci, situada nas proximidades de Capela de Santana.
Nesta fase inicial da colonização do Vale do Caí as terras do lado esquerdo do rio pertenciam ao município de Porto Alegre e as do lado direito ao de Triunfo. Era uma época em que a Província do Rio Grande de São Pedro (como então se chamava o atual Estado do Rio Grande do Sul) era muito pouco povoada. Por isto tinha, também, poucos núcleos urbanos.
No ano de 1780 apenas Capela de Santana e Montenegro já contavam com alguns moradores estabelecidos em algumas dezenas de fazendas. Nesta época a população total da província era de 17.923 habitantes, segundo censo realizado na época. Destes, 9.433 eram brancos, 5.102 eram negros (escravos) e 3.388 eram índios. O número de índios, certamente, era maior. Mas o censo não considerou aqueles que viviam ainda dispersos pela mata. Porto Alegre desenvolveu-se bastante nesta época e, em 1798, já contava com a população de 3.000 habitantes.
Ainda em 1809 o Rio Grande contava com apenas quatro municípios: Porto Alegre, Santo Antônio da Patrulha, Rio Pardo e Rio Grande. Bom Jesus de Triumpho era então uma das freguesias (distritos) que formavam o município de Porto Alegre. Em 1814 um novo censo realizado na província apontou a existência de 70.656 habitantes, sendo 32.300 brancos. Os negros eram 26.010, na sua grande maioria escravos.
Triunfo, foi uma das primeiras povoações surgidas no Rio Grande do Sul. Tanto que ali foi criada a terceira freguesia, o que equivale a dizer a terceira igreja. E isto aconteceu em 1754, antes mesmo de ser criada a primeira igreja de Porto Alegre.  Mais velhas do que a igreja de Triunfo, somente a de Rio Grande, criada em 1736 e a de Viamão, em 1741. A quarta igreja em solo gaúcho foi a de Rio Pardo, em 1769 e a quinta a de Porto Alegre, em 1772. Depois vieram as de Osório, Mostardas, São Jerônimo, Cachoeira, Gravataí, Taquari, Santo Antônio da Patrulha, Vacaria, Piratini, Pelotas, Jaguarão, Canguçú e Capela de Santana. A igreja de Capela foi a 18ª do estado, criada em 1814, numa época em que Porto Alegre tinha ainda apenas uma igreja. Neste ano o Vale do Caí, acima das casas de Bernardo Mateus e de Manoel dos Santos Borges, era totalmente despovoado. Apenas os índios nômades perambulavam pelas matas.
Antes da criação da igreja de Capela de Santana, era o vigário de Triunfo que dava assistência à população de Capela, Montenegro e arredores. E quando foi criado o município de Triunfo (desmembrando-se de Porto Alegre), em 23 de outubro de 1831, a região do Vale do Caí  passou a pertencer a este município.
Em 1824 começou a imigração alemã que resultou num forte incremento populacional para a província, pois  a população do gaúcha neste ano era de 100 mil habitantes e, nos seis anos que durou o primeiro fluxo de imigração (de 1824 a 1830) chegaram 5.000 pessoas vindas da Europa (na sua quase totalidade alemães). O propósito maior do governo imperial brasileiro ao promover a imigração foi o de povoar a província que acabara de conquistar. Uma conquista difícil, obtida com a expulsão dos exércitos hispânicos que resistiram por bom tempo ao domínio português (e depois brasileiro) sobre o território que consideravam seu. Se o território gaúcho permanecesse pouco habitado, maior seria o perigo de novas tentativas por parte dos castelhanos no sentido de retomar o seu domínio sobre ele.
Mas, mais importante do que o impacto puramente populacional, a imigração teve uma grande importância econômica para o Rio Grande do Sul. Trazendo consigo o domínio de tecnologias muito mais avançadas do que as que eram utilizadas por aqui, os colonos alemães deram grande impulso à agricultura, à indústria e ao comércio no Rio Grande do Sul. Neste período inicial da colonização, os imigrantes se instalaram em São Leopoldo e suas imediações, fazendo surgirem as localidades que originaram cidades como Estância Velha, Novo Hamburgo, Ivoti, Dois Irmãos (no Vale do Sinos) e São José do Hortêncio (no Vale do Caí).
Desde o ano de 1824, São Leopoldo foi o núcleo central da colonização alemã. Mas a cidade foi criada para isto num território que, até então, era quase totalmente despovoado. A sua primeira capelinha foi construída em 1827 e a paróquia local só surgiu em 31 de março de 1846 (32 anos depois da de Capela de Santana). O município de São Leopoldo foi criado também em 1846. A partir de então, as terras situadas na margem esquerda do rio Caí deixaram de pertencer ao município de Porto Alegre, passando para o controle de São Leopoldo. No lado direito do rio, o domínio de Triunfo estendia-se até o arroio Forromeco. Adiante dele, começando pela localidade de Bom Fim e pelo atual município de Feliz, o território pertencia a São Leopoldo. Portanto, os territórios dos atuais municípios de Bom Princípio, São Vendelino, Tupandi, Harmonia, Pareci Novo e Montenegro continuaram pertencendo a Triunfo. Situação que só veio a alterar-se com a emancipação de Montenegro, ocorrida em 5 de maio de 1873. Com isto os territórios de vários dos atuais municípios do Vale do Caí (inclusive São José do Sul, Pareci Novo, Harmonia, Tupandi,  São Vendelino e a maior parte de Bom Princípio passaram a pertencer a Montenegro). Dois anos mais tarde, em 1º de maio de 1875, era criado o município de São Sebastião do Caí que desmembrou-se de São Leopoldo e passou a dominar os territórios de outros dos atuais municípios do Vale do Caí, como Capela de Santana, Santa Rita, Feliz, Alto Feliz, Vale Real, São José do Hortêncio, Linha Nova, Nova Petrópolis e a parte do município de Bom Princípio situada na margem esquerda do rio Caí (as localidades de Bela Vista e Três Mares).
A CHEGADA DOS ALEMÃES
As áreas mais próximas ao rio Caí começaram a ser colonizadas no final da primeira metade daquele século, por iniciativa de pioneiros como João Guilherme Winter e Jacó Felipe Selbach - os fundadores de Bom Princípio - ambos de origem alemã, dotados de bom nível cultural e, principalmente, de espírito empreendedor e visão estratégica. Os dois compreenderam bem o fenômeno da marcha para o interior dos colonos alemães. Sabiam que, com a ocupação total das áreas inicialmente destinadas aos colonos pelo governo imperial (vales do Sinos, e do Cadeia) era natural que novas áreas do estado fossem ocupadas pelos filhos dos primeiros imigrantes que precisavam de terra para cultivar. O governo imperial brasileiro tinha interesse em povoar as novas áreas situadas mais a oeste. E tinha interesse também em atrair mais imigrantes europeus, pois era impressionante o progresso que a Colônia de São Leopoldo vinha alcançando. Com as técnicas trazidas da Europa, os alemães chegados a São Leopoldo a partir de 1824 impulsionaram o desenvolvimento da agricultura, da indústria e do comércio, trazendo notável progresso para a província.
Interessado em criar novas colônias tão progressistas como a de São Leopoldo, o governo vendia para empresas colonizadoras as terras despovoadas do Vale do Rio Caí e estas se encarregavam de atrair colonos para ali se estabelecerem. Oferecia grandes incentivos aos empresários que se dispusessem a captar imigrantes na Europa e fixá-los nas áreas ainda despovoadas do Rio Grande, como era o caso da região da encosta da serra. Jacó Felipe Selbach e Guilherme Winter foram os primeiros empresários a compreender que o Vale do Caí seria o destino mais natural dos jovens filhos de imigrantes nascidos nas primeiras áreas coloniais (como São José do Hortêncio, onde ambos residiam antes de tomar a decisão de rumar para o vale do rio Caí). Estes dois homens de grande coragem e iniciativa, foram fundamentais para o bom desenvolvimento da comunidade de Bom Princípio.

COMO SURGIU HARMONIA
O território do atual município de Harmonia fazia parte da Fazenda Pareci, assim como o do município de Tupandi. Matas fechadas cobriam estas terras situadas junto à margem direita do rio Caí. Matas pelas quais vagavam os índios nômades e os animais selvagens e perigosos como a onça. Razão pela qual esta região foi povoada mais tarde do que outras no estado onde predominavam os campos. Capela de Santana, por ser zona de campos, foi a primeira povoação surgida no Vale do Caí, em meados do século XVIII.
Foi só em 1855 que se fixaram os primeiros colonos nas terras onde hoje se situa Harmonia. Neste ano, por decisão do dono da grande Fazenda Pareci, Juca Inácio Teixeira, dois colonos de São José do Hortêncio venderam lotes de terras para agricultores daquela mesma localidade. Os nomes destes antigos “corretores imobiliários” eram Pedro Kuhn e Pedro Heck. Em Hortêncio, a colonização alemã havia começado 27 anos antes e os filhos dos primeiros imigrantes ali chegados já estavam crescidos e precisando de novas terras para cultivar. Daí o motivo pelo qual eles se dispuseram a comprar terras e ir residir nas selvas do Vale do Caí.
Os primeiros colonos de Harmonia foram Pedro Kuhn, Nicolau Heck, João Hartmann, Matias Rockembach, Adão Fink, Eduardo Grünewald, Domingos Hilgert e Jacó Jung. Em seguida chegaram outras famílias, como Berwanger, Nedel, Simon, Diehl e Kenze.
O padre Bruno Metzen, que pesquisou a história de Harmonia e escreveu um livro sobre o município, descreve assim a vida destes primeiros colonos.
“Encontraram mata nativa e solo fértil. Começaram logo a desbravar. Era preciso derrubar, serrar madeira, abrir picadas (trilhas no meio do mato), preparar roças, construir casas. Começaram a produzir. Era difícil vender a produção, comprar alimentos e vestuário etc. Serviam-se do porto de São Sebastião do Caí, que distava cerca de oito quilômetros. Vida difícil, sacrificada. Mas eles queriam vencer todos os obstáculos.”
Em 1855, quando os pioneiros chegaram em Harmonia, nem mesmo o Caí chegava a ser uma vila. Havia por lá apenas alguns moradores e o lugar era conhecido como Porto do Matheus ou Porto dos Guimarães. O Caí começava a ganhar alguma importância porque havia sido aberta uma estrada precária ligando-o a São José do Hortêncio, esta sim uma vila já bastante povoada. O Caí começou a crescer pelo fato de ser o porto pelo qual os colonos de Hortêncio passaram, então, a escoar a sua produção destinada a Porto Alegre. Esta mesma estrada serviu de caminho para que os jovens de Hortêncio seguissem o caminho da colonização nas matas ainda virgens do Vale do Caí.
No ano de 1873 os colonos fixados nas terras onde hoje fica Harmonia já eram em maior número e construíram uma modesta capela de madeira na qual os padres jesuítas de Tupandi iam, de quando em vez, rezar missa e celebrar os demais ritos da fé católica. Como se vê, naquelas primeiras décadas, o núcleo colonial de Tupandi se desenvolveu mais que o de Harmonia.
A igreja foi, certamente, muito importante para que, em torno dela, fosse surgindo a povoação que veio a chamar-se Harmonia. Igualmente importante foi a implantação da primeira escola, ocorrida em 1888. Era uma escola paroquial, mantida pela comunidade local. Foi dada a ela o nome de Sagrado Coração de Jesus. Um professor apenas cuidava do ensino das crianças, sendo dada muita importância ao ensino religioso.
O primeiro professor foi João Becker, pai do arcebispo Dom João Becker. Depois dele, foram professores desta mesma escola Francisco Hilgert, Bernardo Petry, Jacó Bremm, José Dier, Tiago Wurth, Reinaldo Bohn, José Werlang, João Seibel, João Wendling, Fritz Kinken, Ortvino José Bohn, Bernardo Griebler e Bertoldo Rambo. Esta escola evoluiu até transformar-se no grande Colégio Sagrado Coração de Jesus, que hoje proporciona ensino até o segundo grau completo.
Além da igreja e da escola, os colonos alemães cuidavam logo de fundar uma sociedade em qualquer lugar onde chegassem. E isto aconteceu, em Harmonia, no ano de 1882, com a fundação da União São João.
Na segunda metade do século XIX surgiram as primeiras cidades no Vale do Caí. O município de Montenegro foi criado em 5 de maio de 1873, tendo se emancipado de Triunfo. Dois anos depois, em 1° de maio de 1875, surgia São Sebastião do Caí, emancipado de São Leopoldo. A povoação de Harmonia ficou pertencendo a Montenegro e, no dia 11 de junho de 1897, tornou-se sede do terceiro distrito daquele município.
E não foi menos importante, para o desenvolvimento do núcleo populacional que hoje é a sede do município, o surgimento dos primeiros estabelecimentos comerciais. Notável, neste aspecto, foi o comércio fundado por Fridolino Fink e sua esposa Berta Amália Friederichs Fink. O casal já estava estabelecido no local que hoje é o centro da cidade no ano de 1926, quando nasceu seu filho Edgar Roberto Fink. Edgar viria a ser um grande líder da comunidade e primeiro prefeito do município, eleito em 1988. Como era comum na época, o armazém de Fridolino e Berta Fink vendia de tudo e ainda comprava a produção dos colonos. Ele servia também como hotel e restaurante para os viajantes que passavam pela povoação viajando a cavalo. Mas o estabelecimento tornou-se famoso em toda a região pelos bailes que promovia. Durante muitas décadas e até a atualidade, o Salão Fink atrai pessoas de toda a região, buscando ali atender a sua necessidade de lazer e movidas pelo sonho de conhecer, num baile, a pessoa ideal para um relacionamento amoroso. Milhares e milhares de famílias foram constituídas a partir de encontros ocorridos neste salão.
E não apenas famílias. O Salão Fink, nas primeiras décadas do século XX, servia como local de reunião para a comunidade local. Numa dessas reuniões foi decidida a constituição de uma cooperativa para impulsionar a produção agropecuária na localidade.
Conforme descreve o padre Bruno Metzen no seu livro, “na década de 1930 a produção agropecuária se desenvolveu bem em Harmonia e arredores. Principalmente a suinocultura. Os colonos criavam e produziam, mas era preciso vender o fruto do seu trabalho. Levavam, então, a produção de suínos ao Frigorífico Renner de Montenegro. O transporte era primitivo e difícil. Dispunham de carroças puxadas por seis ou oito burros. A estrada era pouco transitável e cada viagem durava quase dois dias. A compensação era pequena.”
A solução para o problema dos colonos surgiu a partir de uma idéia lançada pelo professor Siegfried Kniest. Ele era funcionário da Sociedade União Popular, uma entidade de origem religiosa (católica) que visava promover o desenvolvimento da região colonial alemã. Funcionários desta organização (também conhecida pelo nome alemão Volksverein) percorriam as comunidades viajando a cavalo ou de burro. Visitavam os colonos dando orientações técnicas sobre agricultura e pecuária e procuravam uni-los em torno de objetivos como a melhoria da educação e saúde. O professor Siegfried era um destes funcionários da União Popular e Harmonia era uma das comunidades que lhe cabia assistir. Sabendo do problema dos produtores de suínos na localidade, ele propôs que fosse constituída uma cooperativa ou uma empresa para promover o abate dos suínos na própria localidade.
A idéia agradou aos colonos e, após algumas reuniões preparatórias, 38 produtores locais se reuniram no dia 29 de julho de 1935 numa assembléia na qual foi decidida a criação da Cooperativa de Produtos Suínos do Alto Caí. A reunião aconteceu no salão de Jacó Fridolino Fink. Desde então, a Cooperativa de Harmonia (como ficou mais conhecida popularmente), se constituiu na principal empresa da localidade. Posição que ainda mantém até hoje.
Assim, com o surgimento da igreja, da escola, do armazém e salão de bailes e, por fim, da Cooperativa, Harmonia foi se desenvolvendo lentamente. Sofreu por décadas o problema da precariedade da estrada que ligava a vila à sede municipal de Montenegro e ao Caí, cidade mais próxima. Só no ano de 2001 o problema foi resolvido com o asfaltamento da rodovia até o Caí.
Antes disto, porém, Harmonia chegou à conquista da sua emancipação. Depois de uma tentativa frustrada ocorrida no ano de 1981, o movimento pela emancipação conseguiu deslanchar no ano de 1985. No dia 22 de setembro deste ano, numa reunião de mais de 100 eleitores realizada no Colégio Sagrado Coração de Jesus, foi eleita a comissão incumbida de comandar o processo de emancipação. Presidida pelo professor Augusto João Gewehr, a comissão obteve êxito no seu intento, apesar das muitas dificuldades enfrentadas. No dia 20 de setembro de 1987 aconteceu o plebiscito no qual a população local manifestou o seu desejo de que o município fosse criado. Dos 1879 eleitores inscritos, 1581 compareceram para votar e, destes, 1.496 votaram SIM. Apenas 67 optaram pelo NÃO.
A lei n° 8.562, assinada em 13 de abril de 1988 pelo governador Pedro Simon criou oficialmente o município. No ano seguinte foi realizada a primeira eleição municipal da qual Edgar Roberto Fink saiu vitorioso com 826 votos. O líder emancipacionista Augusto João Gewehr recebeu 730 votos e Dario Afonso Coling 361.
A partir de então, Harmonia desenvolveu-se de forma notável sendo hoje uma cidade e município bem estruturados e com amplas condições de chegar a uma estágio invejável de desenvolvimento social e econômico.

O VIZINHO TUPANDI
As origens de Tupandi foram objeto de um minucioso estudo realizado pelo Monsenhor Ruben Neis, que conseguiu determinar quem foi o primeiro morador das terras hoje pertencentes ao município.
Seu nome era Salvador Alves da Rosa e as terras foram concedidas a ele, pelo governo, junto a um arroio chamado Pinhalzinho. Estas terras, medindo um quarto de légua em quadro (o equivalente a 272,5  hectares), foram concedidas a Salvador em 21 de abril de 1823. Época em que o Vale do Caí, em grande parte, era ainda coberto por matas nativas.
O avanço dos homens brancos na região foi se dando lentamente. Trinta anos antes, Bernardo Mateus já havia se estabelecido nas margens do rio Caí, no lugar onde hoje se situa a cidade de São Sebastião do Caí. E, pelo início do século XIX, vários outros elementos de origem portuguesa ganharam concessões de terras junto às margens do mesmo rio.
A Salvador da Rosa não foi concedido o privilégio de receber terras junto ao Caí. Sua propriedade ficava mais afastada e era banhada pelo tal arroio Pinhalzinho. Com o tempo, já que Salvador morava às suas margens e navegava por ele, o arroio passou a ser conhecido como arroio do Salvador. E, mais tarde, recebeu o nome de arroio São Salvador, pelo qual é conhecido até hoje.
Segundo apurou Ruben Neis, Salvador Alves da Rosa nasceu em São Francisco de Paula de Cima da Serra (atual município de São Francisco de Paula, no nordeste do estado). Era filho de Inácio da Rosa e Maria Alves. Por volta de 1810 ele foi morar em Capela do Rio dos Sinos (atual Capela de Santana).
Ele ainda era rapaz quando fixou-se nas terras hoje pertencentes a Tupandi. E ali ele se dedicava a extrair madeira das matas para, com elas, confeccionar gamelas e canoas. O Vale do Caí dispunha, na época, de muita madeira boa (madeira de lei) e um bom número de pessoas veio se estabelecer por ali naquela época para extrair madeira das matas e depois levá-la para Porto Alegre, onde podia ser vendida por bom valor. O transporte era fácil, pelo rio Caí, que vai desaguar no estuário do Guaíba, bem perto da capital rio-grandense. Assim, durante o século XIX, muita madeira do Vale do Caí foi usada nas construções de Porto Alegre, que cresceu bastante naqueles anos. Sua população, que era de 3.927 habitantes em 1803, subiu para 6.111 em 1814, para 18.465 em 1858 e 34.183 em 1872.
Em 1814 a família Feijó recebeu do governo a doação de uma área no local onde hoje situa-se a cidade de Bom Princípio e constou do documento de doação destas terras que o local era conhecido como Serrarias. O que dá bem uma idéia da atividade extrativa que ali se desenvolvia já naquela época.
A madeira de lei era extraída de árvores centenárias e, por isto, apresentava extraordinária resistência e durabilidade. Madeiras assim, que hoje são raras, então existiam abundantemente. E, por isto, eram usadas para as mais variadas finalidades. Na casa que Salvador possuía na sua propriedade, as telhas eram feitas de madeira.
Este primeiro tupandiense casou, em 18 de dezembro de 1821, com Clara Maria da Glória. Ela era viúva de Tomaz José Bueno, mas não tinha filhos do primeiro casamento e nem veio a tê-los com Salvador.
O casal conseguiu uma certa prosperidade, conforme se pode constatar no inventário feito por ocasião da morte de Salvador Alves da Rosa. Foram relacionados no documento uma casa, quatro escravas, dois escravos, 40 rezes de criar, oito bois mansos, um carro velho e uma carreta velha.
Salvador morreu no dia 28 de julho de 1852, em Taquari, durante uma viagem que fez àquela vila. Sua esposa, Clara Maria da Glória, faleceu 27 anos mais tarde, com a idade de 70 anos. Ela, então, morava em Porto Alegre.
Em seu testamento Maria da Glória determinou que, depois da sua morte, dava como libertos os seis escravos que possuía. Ela tinha uma filha adotada que se chamava Maria da Gloria de Oliveira, que foi adotada como “criancinha exposta”. Isto quer dizer que a menina havia sido deixada pela mãe, quando pequena, numa instituição de caridade para ser adotada por alguém.
A paróquia de Tupandi foi criada no ano de 1873 e no seu primeiro livro de Registros Paroquiais consta que até 1855 havia somente mata virgem no lugar onde foi cosntruída a igreja (a atual cidade de Tupandi).  E consta também deste livro que o lugar recebeu o nome de São Salvador devido ao arroio do mesmo nome que existe por ali. E afirma ainda que o nome do arroio provinha do antigo proprietário das terras, “um certo luso-brasileiro de nome Salvador”.
No ano de 1856, as terras que pertenceram a Salvador Alves da Rosa já haviam sido adquiridas por Roberto Landell, um irlandês radicado no Brasil que foi avô do famoso padre Landell de Moura, autor de prodigiosas invenções (inclusive o rádio), que não teve o seu mérito reconhecido em vida.
Por muitos anos, a vila que deu origem à atual cidade de Tupandi foi conhecida como São Salvador. Perto dali, no alto da serra, surgiu uma outra povoação colonizada por descendentes de alemães, que recebeu o nome de Kappesberg. Em alemão colonial, kappes significa cabeça e também repolho (pois este legume tem a forma de uma cabeça). Berg significa morro. O nome Kappesberg pode significar cabeça (ou topo) do morro. A cidade de Salvador do Sul fica, de fato, no topo de uma montanha. Mas também há quem diga que os antigos colonizadores deram este nome ao lugar porque, sendo visto por quem vinha subindo a serra, o morro no qual se situava a povoação apresentava o formato de um repolho. E há também a versão, bastante aceitável, de que um dos primeiros moradores do lugar se chamava Kappes (este poderia ser o seu sobrenome ou o apelido), donde teria surgido a denominação com o sentido de morro do Kappes. Consta, também, que este nome se referia mais exatamente à atual cidade de São Pedro da Serra, que fica ao lado de Salvador do Sul.
Quando foi construída a estrada de ferro ligando Montenegro a Caxias do Sul, foi instalada ali uma estação de parada dos trens no povoado de Kappesberg. E, por ser este local próximo à já importante localidade de São Salvador, o povoado passou a ser chamado de Estação São Salvador. Com o tempo, o povoado foi se tornando maior do que a antiga sede da paróquia e acabou se transformando em vila, com o nome de São Salvador e, mais tarde, cidade, passando a denominar-se Salvador do Sul.
Enquanto isto, a localidade original, às margens do arroio São Salvador, passava a ser conhecida pelo povo como Salvador Antigo. Ou, para ser mais exato, Alt-Salvador, já que a língua falada pelo povo do lugar na época era o alemão. Em 1939 o nome da velha vila de São Salvador passou a ser Natal e, depois, em 1945, recebeu o nome de Tupandi. Conforme salienta o monsenhor Ruben Neis, todos estes nomes guardam relação entre si e se originam do nome do primeiro morador.
O nome Salvador refere-se a Jesus Cristo, assim como São Salvador. Natal também faz referência ao nascimento de Cristo, o santo salvador. E, por fim, Tupandi significa (na linguagem dos indígenas) luz de Deus. E Cristo foi a luz que Deus mandou à terra para iluminar a humanidade, ou seja, o Salvador.

O CÔNEGO MALLMANN
O Cônego Oscar Mallmann foi um personagem importante na história de Harmonia. Tanto que, 13 anos após a sua morte,  a comunidade local lhe prestou grandes homenagem pela passagem do centenário do seu nascimento. Para entender o porque desta reverência, reproduzimos aqui uma reportagem publicada pelo Fato Novo no dia 19 de maio de 1983, quando o cônego completava 80 anos. Por ela se vê que ele foi, acima de tudo, um grande padre, ou seja, um pastor de almas.
“Há mais de 50 anos  servindo como sacerdote na vila de Harmonia, o padre Oscar Francisco Mallmann é a figura humana mais característica e saliente desta comunidade. Nascido em Lajeado, no dia 20 de março de 1903, ele está próximo de completar, portanto, os seus oitenta anos de idade. O que irá ocorrer nesta sexta-feira.
Oscar Francisco tornou-se o padre Mallmann em 1927, quando ordenou-se no seminário de São Leopoldo. Serviu inicialmente como padre auxiliar em Estrela por dois anos e, em 15 de março de 1930, veio para a Harmonia, donde nunca mais se retirou.
Naquela época, conforme relata o padre mostrando muita fluência e dicernimento, e servindos de sua memória privilegiada, a Harmonia era uma vila muito pequena e habitada por gente humilde. A riqueza do lugar, naquela época, eram as atafonas, com sua produção de farinha de mandioca. Depois desenvolveram-se as culturas da acácia negra e dos cítricos e, finalmente, surgiu a Cooperativa, que veio dar um grande impulso ao desenvolvimento da vila.
Já bem antigamente, mesmo antes da sua chegada, havia entre a população o cuidado em proporcionar estudo aos filhos, existindo para isto aulas paroquiais e públicas. O pai do ex-arcebispo metropolitano Dom João Becker dava aulas na vila. Nascido na Alemanha, Dom João viveu a sua infância em Harmonia.
Não é, entretanto, apenas este arcebispo e o atual, Dom Cláudio Colling (natural de Harmonia) que se inscrevem na lista dos grandes prelados que têm ligação com aquela vila.
Também Dom Jacob Hilgert é natural da região e freqüentou, quando menino, as aulas de doutrina do Padre Oscar; Dom Cinésio Bohn foi batizado por ele; Dom Cláudio Hummes, quando iniciou a sua vida sacerdotal, foi ajudante de missa do mesmo padre Oscar e, ainda, o bispo Dom Afonso Gregory foi batizado por este sacerdote.
Padre Oscar, atualmente Cônego, foi e ainda é um grande pastor de almas. É essencialmente um doutrinador e, por isto, contribuiu para a formação de tão grandes vocações religiosas.
Na Harmonia, depois de mais de cinqüenta anos de trabalho deste notável sacerdote, nota-se um grande entusiasmo pela religião. Para se ter uma idéia, existem vinte meninos servindo como coroinhas, os quais chegaram a formar um time de futebol que disputa o campeonato intermunicipal da categoria infantil. A freqüência à missa é notável e não existe atualmente nenhuma pessoa residindo na vila que não seja católica. A única que havia, anos atrás, acabou convertendo-se ao catolicismo. Não é de admirar-se que, nos últimos cinqënta anos, sagraram-se padres cerca de cinquenta jovens harmonienses. Uma vocação para cada ano de trabalho do Padre Mallmann junto à juventude local.
        80 ANOS
Quando tinha 77 anos, o padre adoeceu e os médicos lhe recomendaram repouso absoluto.  Razão pela qual um outro sacerdote teve de ser designado para ser o vigário de Harmonia. Mas nem assim o padre Mallmann deixou a terra que ele adotou desde moço. Continua lá, já recuperado na sua saúde, rezando missa, batizando, casando gente como sempre fez ao longo de mais de cinco décadas. Nas horas vagas ele capina numa hortinha que está cultivando.
Sobre o seu extraordinário trabalho de catequese, diz apenas que sempre foi o que ele mais sentia desejo de fazer. Seguiu nisto a sua inclinação natural, a missão que lhe foi destinada por Deus.
Em toda a minha vida, comenta ele bem humorado, eu sempre fui um cachorrinho de Deus.

EDGAR ROBERTO FINK
Primeiro prefeito de Harmonia, Edgar Roberto Fink nasceu no dia 15 de julho de 1926, em Harmonia. Seus pais eram Jacob Fridolino e Bertha Amália Friederichs Fink, que eram donos do famoso salão de bailes da localidade.
Edgar era o segundo dos oito filhos do casal e  começou sua vida modestamente, exercendo os ofícios de barbeiro, pedreiro, músico, feirante e vendedor.
Sempre disposto a trabalhar pela sua comunidade, participou ativamente da construção do prédio onde hoje funciona a Escola Estadual Jacob Hoff.  Por diversas vezes ocupou o cargo de presidente do Círculo de Pais e Mestres da mesma.
Junto com os pais e irmãos, construiu o atual prédio do Salão Fink e foi fundador da empresa Irmãos Fink Ltda.
Bem sucedido como empresário, ele nunca deixou, porém, de se dedicar ao trabalho comunitário.
Foi um dos maiores colaboradores para a construção da bela Igreja Matriz, tendo sido, por diversas vezes, o festeiro em eventos que visavam arrecadar fundos para a obra. Também foi grande incentivador do futebol na localidade, promovendo jogos e torneios.
Em vista da sua extraordinária disposição para colaborar com a comunidade, nada mais natural que Edgar Roberto Fink fosse lembrado para entrar na política. E assim ele se tornou vereador do município de Montenegro, do qual Harmonia era um distrito.
Seu Edgar foi vereador montenegrino em quatro legislaturas seguidas, entre os anos de 1960 e 1976. Neste último ano elegeu-se vice-prefeito de Montenegro e chegou a governar o município substituindo o prefeito Ivan Jacó Zimmer. E depois do seu período como vice-prefeito, que estendeu-se até o final de 82, voltou a eleger-se vereador montenegrino, exercendo o mandato entre 1983 e 1988.
Edgar Fink foi um vereador muito destacado, chegando a receber o título de Vereador do Ano, em 1970. Ele conseguiu grandes benefícios para Harmonia em virtude do seu empenho e influência política, inclusive a construção da ponte sobre o Rio Caí, que liga a localidade de Matiel a São Sebastião do Cai.
Talvez pela grande ligação que teve com o município de Montenegro, Edgar Roberto Fink (conhecido popularmente em Harmonia como Pit Fink) não participou destacadamente do movimento pela sua emancipação. Mas, mesmo assim, elegeu-se o primeiro prefeito de Harmonia, graças ao reconhecimento do povo pelos grandes serviços por ele prestados à comunidade durante muitos anos.
Seu Edgar foi um grande prefeito, dando um grande impulso ao desenvolvimento do município e realizando obras notáveis, da qual a mais impressionante é o magnífico prédio da prefeitura municipal. Mas, ainda durante o seu mandato, sofreu grave problema de saúde que fez com que a administração efetiva do município fosse exercida por seu filho Carlos Alberto Fink.
Depois disto, mesmo com sua saúde fragilizada, seu Edgar continuou dando notável demonstração de amor pelo seu município ao dirigir-se, quase que diariamente, ao Parque Municipal para trabalhar voluntariamente no seu ajardinamento.

EMANCIPAÇÃO E PROGRESSO
Harmonia é uma antiga área de colonização alemã que começou a ser povoada em 1855. Naquela época o território pertencia ao município de Triunfo. Um pouco mais tarde, em 1873, com a com a criação de Montenegro, Harmonia passou a pertencer a este município. E assim permaneceu até o ano de 1988, quando por lei estadual assinada no dia 13 de abril, foi decretada a criação do município de Harmonia.
No período anterior à sua emancipação, o povo da localidade já havia conseguido algumas conquistas importantes. A fundação da Cooperativa dos Suinocultores do Caí Superior, em 1935, e a construção da Igreja Matriz, consagrada em 1954, foram realizações significativas da comunidade. O Salão Fink foi, com seus famosos bailes, outro ponto marcante da vida social harmoniense neste período.
Na época em que Harmonia era um distrito de Montenegro, outros dos atuais municípios da região viviam uma situação semelhante. Tupandi, Pareci Novo, Brochier, Maratá e parte de São José do Sul pertenciam também a Montenegro. São Vendelino, Bom Princípio, São José do Hortêncio e Capela de Santana pertenciam ao Caí. Alto Feliz, Linha Nova e Vale Real integravam o município de Feliz. São Pedro da Serra, Barão e parte de São José do Sul pertenciam a Salvador do Sul. E Harmonia, graças à importância que sempre teve na política municipal montenegrina, recebia um bom atendimento por parte daquela prefeitura. Tanto que a vila bem constituída e dotada de estrutura que podia ser invejada por outras localidades interioranas da época, inclusive Bom Princípio. Em 1981, quem visitasse Bom Princípio e Harmonia teria melhor impressão do então distrito montenegrino do que do caiense. Por isto mesmo não havia, naquela época, um interesse tão acentuado da população e das lideranças de Harmonia pela sua emancipação de Montenegro.
Mas, quando começou a mobilização pela emancipação de Bom Princípio, no ano de 1981, correu a notícia de que Tupandi e Harmonia seriam incluídos no projeto. E, como os harmonienses não podiam conceber a idéia de ser um distrito de Bom Princípio, começou a haver a mobilização para a emancipação como uma forma de reagir a esta ameaça.
 A presidência da Comissão Emancipadora coube a Guido Scherer, mas o projeto não foi levado até as suas últimas conseqüências porque havia interesse de importantes líderes montenegrinos, como o deputado Roberto Cardona em preservar Harmonia como parte de Montenegro, já que o distrito era um importante reduto eleitoral do seu partido.  Sem um maior apoio dos políticos mais influentes da região, o projeto esbarrou em dificuldades que não puderam ser superadas e o acabou sendo rejeitado na Assembléia Legislativa. Uma das dificuldades intransponíveis foi o tamanho da vila de Harmonia, que não atendia ao que era exigido por lei.  Os emancipadores não sabiam, naquela época, que era possível aprovar um projeto de emancipação mesmo que ele não atendesse às exigências determinadas pela lei. Valia o “jeitinho”, como se viu mais tarde, quando municípios muito menores (São Vendelino e Linha Nova, por exemplo) tiveram os seus projetos de emancipação aprovados.
Em 1985 o movimento emancipacionista voltou a acontecer. Foi formada uma Comissão Emancipadora presidida pelo professor Augusto Gewehr que, desta vez, chegou ao êxito. A recente experiência da emancipação de Bom Princípio, que ocorreu no ano de 1982, serviu de exemplo e motivação para os emancipacionistas de Harmonia. Eles contaram, inclusive, com orientação do presidente da comissão emancipadora de Bom Princípio, Arno Carrard, que lhes mostrou alguns atalhos para chegar com sucesso ao propósito desejado.
Além disto ocorreu, entre os anos de 1982 e 1984, um importante e bem sucedido movimento na comunidade harmoniense que resultou na reativação da Sociedade Cultural e Beneficente Harmonia, que havia sido desativada. Os líderes desta campanha bem sucedida foram praticamente os mesmos que assumiram a tarefa de, a partir de 1985, iniciar nova campanha pela emancipação.
Desta vez, afinal, o projeto de emancipação pode chegar ao sucesso. Mas não sem ter de superar sérias dificuldades. O projeto inicial incluía as localidades de Matiel e Despique, que não concordaram em ser incluídas no projeto. Foi necessário, então, modificar duas vezes o projeto para retirar dele primeiro o Matiel e depois o Despique. E, por fim, foi preciso ainda fazer mais uma terceira alteração no mapa do futuro município para excluir a localidade de Canto do Rio, hoje pertencente ao município de Bom Princípio. Só assim foi possível evitar através de acordos, ações judiciais que, se fossem levadas adiante, impossibilitariam a aprovação do projeto.
O primeiro prefeito eleito foi Edgar Roberto Fink, um antigo líder da comunidade, que já havia sido vereador e vice-prefeito de Montenegro.
Com economia nos gastos públicos, Edgar Fink conseguiu montar toda a estrutura básica que era mais necessária ao município. A compra do maquinário para a conservação das estradas, a implantação das creches, o calçamento de ruas e a construção do majestoso prédio da prefeitura foram algumas das suas principais realizações. No final da sua administração o prefeito foi acometido de séria doença e seu filho Carlos Alberto Fink prestou-lhe importante ajuda na administração municipal.
O segundo prefeito foi Theobaldo Valério Persch, que governou nos anos de 1993 a 1996. Ele concluiu as obras do Centro Administrativo, asfaltou as ruas centrais da cidade e investiu muito no fornecimento de água potável para as localidades do interior. Ampliou o posto de saúde e melhorou o atendimento médico prestado à população.
O terceiro prefeito de Harmonia foi Carlos Alberto Fink, que já contava com experiência de administração devido ao período em que, praticamente, substituiu seu pai no governo.  Ele assumiu a prefeitura em 1997 com mandato até o final de 2000. Mas reelegeu-se para um segundo mandato e está no governo até a atualidade.
Carlos Alberto, que tinha apenas 32 anos ao assumir, encontrou o município mergulhado numa grave crise econômica. Muito dependente da citricultura, Harmonia sofria tremendamente com a praga do cancro cítrico, que atacou esta cultura. Com prudência e visão de futuro, ele investiu na diversificação da economia, incentivando a avicultura e a suinocultura. Conseguiu assim, com muito esforço, reerguer a economia do município. Ainda empenhado em diversificar e solidificar a economia municipal, o atual prefeito vem investindo também na atração de indústrias para o município. No seu governo, graças à mobilização popular coordenada pela prefeitura, foi conseguida a inclusão no orçamento do governo do estado do asfaltamento da estrada que liga o Caí a Harmonia, através do Orçamento Participativo. Assim a obra, que era a maior aspiração do povo de Harmonia e que já havia sido iniciada por governos estaduais anteriores, foi concluída finalmente na gestão do governador Olívio Dutra.
Estes 15 anos de vida emancipada no município de Harmonia, apesar da grave crise na citricultura, foram anos de muito progresso. Tanto que Harmonia se destaca hoje como um dos municípios mais desenvolvidos do país em áreas como a saúde e a educação. É admirável o estágio alcançado pelo município no que diz respeito à qualidade de vida.
Nestes quinze anos foram lançados os fundamentos que deverão permitir um forte desenvolvimento econômico acompanhado de justiça social. O povo local sabe o que é viver em verdadeira “harmonia” e consegue assim, não apenas produzir riquezas, mas também distribuí-la de forma bastante igualitária. Graças a isto, todos os harmonienses têm acesso pleno à saúde e a educação e são bastante favoráveis as condições de emprego. Uma situação que não se encontra, infelizmente, na maioria dos municípios brasileiros.

UM BEM SUCEDIDO PLANO DE DESENVOLVIMENTO
O aspecto econômico é fundamental para o desenvolvimento de uma comunidade, da mesma forma que acontece com uma família.
Se numa casa de família os ganhos são maiores que as despesas, as melhorias vão aparecendo. Se compram aparelhos úteis, se reforma ou constrói uma casa nova, é comprado um bom carro. Se, pelo contrário, a cada mês o dinheiro que entra é insuficiente para pagar as contas, as coisas começam a dar para trás.
E era isto que estava acontecendo com a prefeitura e o município de Harmonia há oito anos atrás. A citricultura - base da riqueza do município - passava por uma séria crise. Com isto a arrecadação da prefeitura estava diminuindo e não era mais possível fazer obras e prestar serviços para melhor a situação do povo.
Então, a partir de 1997, a nova administração municipal que assumira o governo de Harmonia no início daquele ano resolveu adotar um plano estratégico de Desenvolvimento. A idéia era muito simples e baseava-se no princípio de que antes de pensar em gastar é preciso tratar de ganhar dinheiro.
Nos primeiros anos a maior parte dos recursos da prefeitura seriam destinados a incentivar o desenvolvimento da produção no município. E isto foi feito com muito empenho.
A prioridade foi o incentivo aos produtores rurais. Foi dado apoio àqueles que queriam implantar aviários e pocilgas nas suas propriedades. Além disto se continuou incentivando e apoiando aqueles que se dedicavam à citricultura. E foi incentivada, também, a diversificação das culturas.
Este trabalho vem sendo continuado até hoje e o resultado dele provocou uma verdadeira revolução no setor agropecuário do município. Para se comprovar isto basta dizer que no ano de 1996 o valor da produção rural, contado pela emissão de notas fiscais, foi de apenas R$ 960.000,00. No ano passado a soma das notas emitidas chegou a R$ 2.860.000,00. Ou seja, a emissão de notas triplicou nos últimos oito anos.
Graças ao programa de incentivos da prefeitura foram implantados em Harmonia 45 modernos aviários e este número não para de crescer. Atualmente mais três estão sendo preparados. E a produção atual de frangos no município já chega a 12 milhões.
E também foi muito expressivo o aumento na produção de suínos. Hoje 52 produtores produzem mais de 52 mil suínos por ano. E tudo dentro de altos padrões de produtividade e de qualidade.
E as conseqüências disto foram formidáveis. Com isto melhorou muito a renda de centenas de famílias no interior do município e isto trouxe benefícios também para o comércio local, que se desenvolveu muito nestes últimos anos. Muitos empregos foram gerados por causa disto.
E, além de tudo, este aumento da produção rural resultou em melhoria na arrecadação de impostos pela prefeitura. No ano de 1996 o orçamento da prefeitura era de R$ 1,8 milhões. No ano seguinte, que foi o primeiro de governo desta administração transformadora, os resultados ainda não puderam ser sentidos. A arrecadação cresceu apenas 1,8 %, mas já pode ser comemorada pois representou a interrupção do processo de queda de arrecadação que vinha acontecendo nos anos anteriores, com queda de até 15 % num ano.
Mas já no ano seguinte, 1997, os resultados do plano estratégico puderam ser sentidos de forma muito mais positiva. A arrecadação deu um verdadeiro salto, crescendo 39,38 % em apenas um ano. E, nos cinco anos seguintes, o crescimento manteve a extraordinária média anual de 13,45 %. Com isto, enquanto outros municípios da região estão com suas receitas encolhendo, em Harmonia o índice de retorno de ICMS dobrou.
Isto significou um extraordinário aumento na capacidade da prefeitura realizar obras e prestar benefícios à população. Hoje a situação do município é completamente diferente do que era há oito anos. Tanto a prefeitura como a população têm condições bem melhores de concretizar os seus projetos e de enfrentar as dificuldades. Até mesmo o fechamento da fábrica Schmidt Irmãos, que no passado foi a maior do município, chegou a causar um forte abalo na economia das famílias, da cidade e da prefeitura.
Depois do incentivo inicial à produção de aves e de suínos - e já desfrutando do retorno assim conseguido - a administração municipal de Harmonia teve condições de estimular também outros setores da economia, como a indústria e o comércio. Fez assim, em apenas oito anos, com que a realidade econômica de Harmonia e dos harmonienses apresentasse uma extraordinária mudança para melhor.
Mas a administração municipal não pensa em diminuir os seus investimentos no setor primário. Novos aviários e pocilgas estão sendo implantados e está sendo desenvolvido agora o projeto de um grande biodigestor que servirá para tratar os dejetos dos suínos transformando-os em energia elétrica e adubo. Com esta tecnologia pioneira será eliminado o problema de poluição que a suinocultura pode causar se não for conduzida adequadamente.

O RESULTADO DO PLANO FOI VIDA MELHOR PARA O POVO
Primeiro foi preciso investir no aumento da produção, mas hoje os benefícios que a população de Harmonia está recebendo em conseqüência do desenvolvimento econômico já são muito visíveis.
Nestes últimos anos o abastecimento de água potável e de energia elétrica foi levado a todo o município. O posto de saúde foi reformado e ampliado e todas as escolas receberam melhoramentos. A área e prédios da Escola Estadual da sede foi adquirida pela prefeitura (inclusive com o campo de futebol) e já foi recuperado um destes prédios, no qual já funciona o ensino em turno inverso.
A criação da área industrial, com atração de novas empresas proporcionou mais empregos no município. Entre 1997 e 2004 foram atraídas para o município 13 novas empresas, gerando 255 empregos.
E, como a vida não é feita só de trabalho e estudo, foi adquirida também a área do Parque Municipal, no qual está sendo construído o magnífico Ginásio de Esportes. O ginásio, que já está com grande parte das obras já concluídas, será um dos maiores da região. E, junto com outros prédios do Parque, como o já concluído pavilhão da Geração de Renda e Artesanato, servirá para a realização dos grandes eventos do município, como a Früchtfest.
NOVOS PROJETOS
E hoje, com praticamente todas as carências mais básicas da população atendidas, já é possível pensar em dar outro grande passo para o desenvolvimento do município: o asfaltamento das principais estradas do interior.
A atual administração do município pretende concretizar o asfaltamento da estrada para Tupandi e também a que liga Harmonia a São José do Sul. Dentro do município, são sete quilômetros que precisam ser asfaltados nas duas estradas. Obras de alto custo, mas que terão enorme importância para o desenvolvimento de Harmonia e da região. A prefeitura vai começar, em breve, as obras de alargamento e retificação das estradas e buscar parceria com o governo do estado para o asfaltamento.
Está nos planos, também, a implantação de uma praça no centro da cidade e a canalização dos arroios que atravessam a área urbana.
Mas o maior benefício proporcionado pela administração municipal de Harmonia nestes últimos anos foi a abertura de possibilidades para a melhoria da renda das famílias. Além dos empregos gerados com a atração de novas empresas, também o progresso do setor rural teve um efeito significativo no aumento de renda das famílias. Em Harmonia existem 400 propriedades rurais, com 400 famílias que tiram da agropecuária ao menos uma parte da sua renda. Destas perto de 100 já foram beneficiadas com a implantação de modernos aviários e pocilgas com alta tecnologia. E também outras produções são incentivadas pela prefeitura. A citricultura continua forte, com mais de 1.600 hectares cultivados e existem mais de 1.000 hectares plantados com acácia e eucalipto. A prefeitura ajuda na abertura de açudes nas propriedades.
E, com os salários pagos pelas indústrias e o aumento da renda no setor rural, o comércio e os serviços também se fortaleceram na cidade, gerando mais emprego e renda.
A atual administração dá continuidade a esta filosofia de impulsionar a economia do município e, conseqüentemente, a renda e a qualidade de vida da população. Mas, como hoje as finanças municipais estão equilibradas pode oferecer outras vantagens ao povo e realizar mais obras do que foi possível no início do processo de recuperação econômica começado oito anos atrás.
Neste ano já foram realizadas obras importantes, como o calçamento de ruas da cidade, com destaque para as ruas Felipe Hilgert, Jacob Alfredo Rech e no Morro Azul. Foram implantadas redes de energia trifásica em Nova Santa Cruz e no Morro do Cedro. Foi comprado um automóvel para a Secretaria da Saúde e um caminhão usado para o serviço de carregar a máquina escavadeira.
EDUCAÇÃO
A educação, que sempre foi um ponto alto em Harmonia, melhorou mais ainda graças às melhores condições financeiras que a prefeitura tem hoje.
Foi feita, recentemente, a reforma do belo prédio da Casa das Irmãs, que serve agora para o funcionamento do ensino em turno inverso. Com isto a educação das crianças e jovens ganha reforço e evita-se que filhos de pais que trabalham fiquem sem acompanhamento durante o dia. Foi realizada, também, uma ampla reforma interna no prédio da Creche, que está sendo reformulada para se transformar em Escola de Educação Infantil que atenderá às crianças a partir dos cinco anos nas escolas do interior e dos quatro meses na Creche da sede municipal. E já está nos planos a construção de uma nova creche para o próximo ano em virtude do aumento do número de mães que estão encontrando trabalho nas novas empresas.
Outra grande melhoria no campo educacional foi a implantação do transporte escolar gratuito para todos os estudantes do município, que já beneficia 600 estudantes. Agora até mesmo aqueles que estudam em universidades ou escolas técnicas situadas em outros municípios ganham o transporte grátis da prefeitura.
Investe-se muito, também, no aprimoramento das técnicas de ensino, com treinamento constante dos professores. A ênfase inicial está sendo dada na Matemática e Ciências.
A merenda escolar também tem sido melhorada, inclusive com a preocupação de promover a reeducação alimentar. As merendeiras recebem, para isto, treinamento especial ministrado por uma nutricionista.
A prefeitura passou a oferecer também professora para aulas de reforço no turno inverso, inclusive nas escolas do interior. Assim como uma psicóloga visita todas as escolas, falando com alunos, pais e professores. E as aulas de música, com ensino de violão, teclado, flauta, canto coral e grupo de dança já contam com 100 alunos.
Além de aprimorar o ensino, a Secretaria Municipal de Educação trabalha para manter as crianças ocupadas em atividades salutares. Já funciona uma escolinha de futebol e deverão funcionar também as de vôlei e de futsal.
SAÚDE
O atendimento da saúde sempre foi um ponto alto da administração municipal. Ao ponto de funcionários deste setor terem se projetado politicamente e hoje ocuparem os mais altos cargos na prefeitura.
E assim, atendendo à vontade do povo, a Saúde recebe cuidado esmerado por parte da prefeitura.
Foram ampliados recentemente os atendimentos com especialistas e a população conta agora com oftalmologista, psicóloga e psiquiatra. Além disto o ginecologista passou a atender com maior horário (40 horas semanais). E foi melhorado o convênio com o hospital Sagrada Família, que oferece plantão 24 horas para toda a população de Harmonia sem cobrança de taxa.
A saúde preventiva é desenvolvida através de palestras dirigidas a gestantes. Médicos (pediatra e ginecologista), enfermeiro, assistente social, psicóloga, nutricionista e dentistas orientam as futuras mamães.
As futuras mamães fazem todos os exames requeridos e também são oferecidos exames gratuitos para prevenir o câncer de colo de útero e o de próstata.
Existe um grupo, orientado por psicóloga, que trata do problema da depressão que é um mal muito presente na região colonial alemã.
Pessoas com dificuldade para se deslocar até o Posto de Saúde recebem agora atendimento de fisioterapia na sua própria casa com custos totalmente cobertos pela prefeitura.

MUNICÍPIO DA IGUALDADE E BEM ESTAR
Nós vivemos numa região abençoada. O Vale do Caí, se não é o melhor lugar para se viver em todo o Brasil, certamente é um sério candidato ao título. E a prova está numa recente pesquisa realizada pela prestigiadíssima Fundação Getúlio Vargas e divulgada no jornal Zero Hora.
Ela mede a proporção de miseráveis que existe em cada município brasileiro e constatou, por exemplo, que o município com maior proporção de miseráveis é Centro do Guilherme, no Maranhão. Lá 95,32 % da população é constituída por miseráveis. Ou seja: pelo critério adotado pela FGV, pessoas que vivem com renda inferior a R$ 80,00 por mês.
Nossos municípios, felizmente, estão no outro extremo desta classificação. Harmonia é o município brasileiro em que a proporção de miseráveis é a menor de todas. Apenas 1,16 % da população harmoniense encontra-se nesta situação lamentável.
E Harmonia não é um caso isolado. Vários outros municípios da região ficaram bem nesta pesquisa. São José do Hortêncio é o quinto colocado e Alto Feliz o décimo. E tem mais: São Vendelino ficou em 13° lugar nesta escala; Feliz em 15°, Vale Real em 18°; Tupandi é o 33° e Pareci Novo o 47°.
Nenhuma outra região brasileira conta com tantos municípios colocados entre os 50 melhores.
Entrevistado por Zero Hora, o prefeito de Harmonia, Carlos Alberto Fink, foi modesto ao afirmar que esta posição tão extraordinária era resultado de muito trabalho realizado ao longo dos últimos 16 anos, desde que o município foi criado. Ele foi modesto ao não atribuir o sucesso à sua própria administração (nos últimos seis anos e meio) e está certo, pois os prefeitos anteriores, inclusive seu pai, também tiveram muito mérito.
Mas se Carlos Alberto - ou Lico Fink, como ele geralmente é tratado entre os seus munícipes - não fosse colhido de surpresa pela pergunta feita pelo repórter de ZH talvez lembraria de atribuir este sucesso também aos esforços feitos pela população antes da emancipação. Harmonia se notabilizou pelo interesse da sua população (de origem predominantemente alemã) pela educação. No tempo em que Harmonia ainda era uma simples vila, pertencente ao município de Montenegro, a população já havia se mobilizado para criar uma escola de segundo grau. Uma escola comunitária, criada sem maior ajuda de governos.
Mas não há dúvida de que o progresso de Harmonia, inclusive no aspecto social, recebeu forte incremento depois da emancipação.
Vale a pena hoje fazer uma visita à sede do município para ver a beleza, a limpeza, o capricho desta cidade. Salta aos olhos a qualidade das residências e a tranqüilidade reinante. Aliás, para quem quiser fazer este passeio, vale a dica: do Caí são apenas oito quilômetros por estrada asfaltada.

EDUCAÇÃO DE PRIMEIRO MUNDO
O Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com menor índice de analfabetismo. Mesmo assim, 6 % da população com mais de dez anos não sabe ler e escrever. Alguns municípios gaúchos, porém, já alcançaram índices bem melhores (abaixo de 2 %) que podem ser comparados ao de alguns países do primeiro mundo.
Vários municípios do Vale do Caí estão nesta situação e, entre eles, encontra-se o de Harmonia, que já recebeu vários prêmios pelo sucesso obtido nas políticas desenvolvidas pela administração municipal nas áreas de educação e saúde.
Recentemente, a prefeitura de Harmonia recebeu homenagem por ser um dos municípios do estado que já atingiu índice de alfabetização acima de 98 %. Um índice próximo do ideal, já que existem casos de pessoas portadoras de deficiências mentais muito graves que não podem ser alfabetizadas. Deficiências menos impeditivas, como a surdez, a cegueira e a síndrome de Down não têm impedido as crianças de serem alfabetizadas. Elas recebem atendimento da APAE (no Caí) e recebem assistência que lhes permite freqüentar as escolas do município junto com as outras crianças.
Desde que Harmonia se emancipou, melhorou muito a assistência à população na área de educação. Mas esta preocupação sempre existiu na comunidade, desde o seu surgimento, quase um século e meio atrás, os primeiros colonos se preocuparam em criar uma escola paroquial. Por isto, até mesmo na população adulta e entre os idosos o analfabetismo é relativamente raro no município.  Mesmo assim a prefeitura promove constantemente novos cursos de alfabeitização para adultos. A secretária municipal de educação, Gisele Fink, estimula os mais velhos a freqüentar estes cursos usando o exemplo de uma senhora  de Novo Hamburgo que aprendeu a ler aos 95 anos de idade. Os poucos analfabetos adultos que ainda existem no município são contatados e convidados a participar dos cursos.
Também é grande o esforço da secretaria municipal para que os jovens concluam o primeiro e o segundo grau. Casos de menores que não freqüentam a sala de aula são monitorados e são buscadas soluções para quaisquer problemas que os estejam impedindo de freqüentar a escola. O transporte escolar gratuito é garantido para todos, mesmo nos casos em que o estudante mora em local isolado e distante, quando os custos para a prefeitura se tornam muito elevados. Existe o caso de um jovem com o qual a prefeitura gasta em torno de R$ 400,00 por mês para lhe garantir o transporte diário.Existe, também, uma linha de transporte escolar que percorre 26 quilômetros diariamente para levar três estudantes para a escola.
O objetivo da prefeitura é fazer com que 100 % dos jovens do município concluam o segundo grau. “Aqui em Harmonia, só não estuda quem não quer”, diz a secretária Gisele Fink. Quanto ao primeiro grau, que é obrigatório, esta meta já está, praticamente, sendo alcançada.
Os indicadores de qualidade da educação (como o índice de analfabetismo), assim como os de saúde, são utilizados pela ONU para medir o grau de desenvolvimento dos países, estados e municípios.
Recentemente Harmonia foi destacada pelo seu bom desempenho no programa Saúde para Todos, com a excelente cobertura vacinal e exames preventivos contra diabetes e hipertensão. No ano passado, Harmonia também se destacou por ter índice zero de mortalidade infantil. E, apesar de tantos sucessos, a Secretaria Municipal de Saúde continua buscando aperfeiçoamento no seu trabalho, principalmente no aspecto preventivo. Entre as últimas novidades está a contratação de uma dentista pediátrica que faz trabalho preventivo junto às crianças nas escolas e de fisioterapeuta que dá assistência em casa a pessoas que necessitam de atendimento.
Não é de estranhar, portanto, que Harmonia seja considerado um município com qualidade de vida muito superior à média nacional.

CRESCIMENTO ECONÕMICO CONTÍNUO
O Vale do Caí continua crescendo acima da média do Estado e grande parte deste crescimento se deve ao desenvolvimento da produção integrada de suínos e aves.
Este grande filão descoberto pelo prefeito Hilário Junges em 1993 tem sido seguido por outros municípios da região com notáveis benefícios para o seu desenvolvimento.
E isto foi confirmado no ano passado quando os municípios de Harmonia e São Pedro da Serra, ambos com forte desenvolvimento na produção de aves e suínos, foram os que mais cresceram na região.
O único município da região que não apresentou crescimento no seu índice foi Capela de Santana, que é mais voltado para o setor industrial e sofreu com a diminuição de atividades da fábrica Dilly.
Municípios como Montenegro e Caí tiveram crescimento moderado no ano passado enquanto Tupandi e outros municípios mais voltados para a produção de suínos e aves em regime integração (com grandes empresas como a Frangosul e Avipal) crescem bem mais rápido.
Tupandi, por estar trabalhando a implantação de aviários e pocilgas há mais tempo que os demais municípios, já chegou mais longe na expansão da sua economia.
O retorno de ICMS de Tupandi já superou o de municípios bem maiores, como Feliz, Bom Princípio e Salvador do Sul e tudo indica que irá superar brevemente o do Caí, apesar do Caí ter população seis vezes maior.
Apenas Montenegro terá retorno de ICMS maior que Tupandi, mas considerando-se a diferença de população entre os dois municípios, pode se dizer que a situação de Tupandi é incomparavelmente melhor que a da sua antiga sede municipal.
É de se destacar também o grande desenvolvimento econômico do jovem e pouco populoso município de São José do Sul. Um município cuja administração municipal teve a sabedoria de investir intensamente no incentivo à implantação de aviários e pocilgas.

BIODIGESTOR: NOVO IMPULSO PARA O PROGRESSO
Para que o Vale do Caí aproveite ao máximo a oportunidade de desenvolvimento que se abre para ele atualmente, é importante que dois fatos sejam bem compreendidos:
O primeiro é a enorme contribuição que a produção de carnes de aves e de suínos está dando para o desenvolvimento da região. Os municípios que investiram neste segmento da economia estão enriquecendo de forma admirável e se encaminhando para uma situação de primeiro mundo.
Isto se deve ao fato de que a produtividade de um aviário ou pocilga é comparável à de uma indústria de porte médio. E, por outro lado, o grande retorno de impostos que atividades do setor primário dá ao município quando - como é o caso - são emitidas notas integrais da sua produção.
Os municípios da região que ainda não acordaram para as enormes vantagens deste tipo de produção estão ficando para trás, mas também colhem algum benefício do enriquecimento dos seus vizinhos.
O exemplo mais claro de municípios que melhor estão aproveitando as vantagens da produção de carnes são Tupandi, Harmonia, Salvador, São José do Sul e São Pedro da Serra. Pareci Novo também despertou para esta oportunidade, está investindo muito no setor e deverá tirar muito proveito disto no futuro.
A iniciativa destes municípios, aproveitando a proximidade com o frigorífico Doux Frangosul, fez com que o Vale do Caí esteja se transformando num centro de produção de carnes de importância mundial.
O segundo fato que precisa ser compreendido pelos governantes e pela população é o seguinte:
Os municípios que primeiro descobriram as extraordinárias vantagens proporcionadas pela produção de carnes deram grande incentivo aos produtores. Em conseqüência disto foram implantadas tantas pocilgas que foi proibida a instalação de novas devido a problemas ecológicos.
As pocilgas geram enorme quantidade de estrume que não pode ser facilmente aproveitado como adubo. Com isto, ele se acumula e vai causando problemas ecológicos como a contaminação do lençol freático.
Agora está surgindo a solução para este problema. E uma solução maravilhosa. O biodigestor de grandes proporções e alta tecnologia que está para ser implantado em Harmonia vai possibilitar um aumento extraordinário nas possibilidades de geração de riqueza na região.
Ele vai dar dinheiro de três formas: pela venda da energia elétrica que será produzida; pela venda do adubo em que o esterco se transforma depois do processo de fermentação e pelos créditos de carbono que são pagos pelos países desenvolvidos para incentivar empreendimentos que trazem benefício para o meio ambiente.
Estas três coisas representam muito dinheiro para os produtores e para o município. Mas a vantagem maior do biodigestor ainda não é esta. A grande vantagem mesmo é que o biodigestor, por resolver o problema ecológico, possibilita a implantação de mais pocilgas e aviários nos municípios que já se encontravam no limite das suas possibilidades. Harmonia, por exemplo, pretende chegar ao dobro de pocilgas que lá existem atualmente. E, como a produtividade de uma moderna pocilga é muito grande, o lucro será muito significativo, tanto para os produtores como para o município.
Harmonia pulou na frente e já praticamente garantiu a construção do seu grande biodigestor. Ele vai absorver a produção de excrementos dos aviários e pocilgas de Harmonia e municípios vizinhos. Mas se os aviários de municípios como o Caí, Hortêncio, Linha Nova e Feliz ficarem muito distantes  para que os seus dejetos sejam aproveitados, já é hora de começar a planejar a construção de mais um biodigestor na região que tenha condições de aproveitá-los.

EMANCIPAÇÃO E PROGRESSO
Harmonia é uma antiga área de colonização alemã que começou a ser povoada em 1855. Naquela época o território pertencia ao município de Triunfo. Um pouco mais tarde, em 1873, com a com a criação de Montenegro, Harmonia passou a pertencer a este município. E assim permaneceu até o ano de 1988, quando por lei estadual assinada no dia 13 de abril, foi decretada a criação do município de Harmonia.
No período anterior à sua emancipação, o povo da localidade já havia conseguido algumas conquistas importantes. A fundação da Cooperativa dos Suinocultores do Caí Superior, em 1935, e a construção da Igreja Matriz, consagrada em 1954, foram realizações significativas da comunidade. O Salão Fink foi, com seus famosos bailes, outro ponto marcante da vida social harmoniense neste período.
Na época em que Harmonia era um distrito de Montenegro, outros dos atuais municípios da região viviam uma situação semelhante. Tupandi, Pareci Novo, Brochier, Maratá e parte de São José do Sul pertenciam também a Montenegro. São Vendelino, Bom Princípio, São José do Hortêncio e Capela de Santana pertenciam ao Caí. Alto Feliz, Linha Nova e Vale Real integravam o município de Feliz. São Pedro da Serra, Barão e parte de São José do Sul pertenciam a Salvador do Sul. E Harmonia, graças à importância que sempre teve na política municipal montenegrina, recebia um bom atendimento por parte daquela prefeitura. Tanto que a vila bem constituída e dotada de estrutura que podia ser invejada por outras localidades interioranas da época, inclusive Bom Princípio. Em 1981, quem visitasse Bom Princípio e Harmonia teria melhor impressão do então distrito montenegrino do que do caiense. Por isto mesmo não havia, naquela época, um interesse tão acentuado da população e das lideranças de Harmonia pela sua emancipação de Montenegro.
Mas, quando começou a mobilização pela emancipação de Bom Princípio, no ano de 1981, correu a notícia de que Tupandi e Harmonia seriam incluídos no projeto. E, como os harmonienses não podiam conceber a idéia de ser um distrito de Bom Princípio, começou a haver a mobilização para a emancipação como uma forma de reagir a esta ameaça.
 A presidência da Comissão Emancipadora coube a Guido Scherer, mas o projeto não foi levado até as suas últimas conseqüências porque havia interesse de importantes líderes montenegrinos, como o deputado Roberto Cardona em preservar Harmonia como parte de Montenegro, já que o distrito era um importante reduto eleitoral do seu partido.  Sem um maior apoio dos políticos mais influentes da região, o projeto esbarrou em dificuldades que não puderam ser superadas e o acabou sendo rejeitado na Assembléia Legislativa. Uma das dificuldades intransponíveis foi o tamanho da vila de Harmonia, que não atendia ao que era exigido por lei.  Os emancipadores não sabiam, naquela época, que era possível aprovar um projeto de emancipação mesmo que ele não atendesse às exigências determinadas pela lei. Valia o “jeitinho”, como se viu mais tarde, quando municípios muito menores (São Vendelino e Linha Nova, por exemplo) tiveram os seus projetos de emancipação aprovados.
Em 1985 o movimento emancipacionista voltou a acontecer. Foi formada uma Comissão Emancipadora presidida pelo professor Augusto Gewehr que, desta vez, chegou ao êxito. A recente experiência da emancipação de Bom Princípio, que ocorreu no ano de 1982, serviu de exemplo e motivação para os emancipacionistas de Harmonia. Eles contaram, inclusive, com orientação do presidente da comissão emancipadora de Bom Princípio, Arno Carrard, que lhes mostrou alguns atalhos para chegar com sucesso ao propósito desejado.
Além disto ocorreu, entre os anos de 1982 e 1984, um importante e bem sucedido movimento na comunidade harmoniense que resultou na reativação da Sociedade Cultural e Beneficente Harmonia, que havia sido desativada. Os líderes desta campanha bem sucedida foram praticamente os mesmos que assumiram a tarefa de, a partir de 1985, iniciar nova campanha pela emancipação.
Desta vez, afinal, o projeto de emancipação pode chegar ao sucesso. Mas não sem ter de superar sérias dificuldades. O projeto inicial incluía as localidades de Matiel e Despique, que não concordaram em ser incluídas no projeto. Foi necessário, então, modificar duas vezes o projeto para retirar dele primeiro o Matiel e depois o Despique. E, por fim, foi preciso ainda fazer mais uma terceira alteração no mapa do futuro município para excluir a localidade de Canto do Rio, hoje pertencente ao município de Bom Princípio. Só assim foi possível evitar através de acordos, ações judiciais que, se fossem levadas adiante, impossibilitariam a aprovação do projeto.
O primeiro prefeito eleito foi Edgar Roberto Fink, um antigo líder da comunidade, que já havia sido vereador e vice-prefeito de Montenegro.
Com economia nos gastos públicos, Edgar Fink conseguiu montar toda a estrutura básica que era mais necessária ao município. A compra do maquinário para a conservação das estradas, a implantação das creches, o calçamento de ruas e a construção do majestoso prédio da prefeitura foram algumas das suas principais realizações. No final da sua administração o prefeito foi acometido de séria doença e seu filho Carlos Alberto Fink prestou-lhe importante ajuda na administração municipal.
O segundo prefeito foi Theobaldo Valério Persch, que governou nos anos de 1993 a 1996. Ele concluiu as obras do Centro Administrativo, asfaltou as ruas centrais da cidade e investiu muito no fornecimento de água potável para as localidades do interior. Ampliou o posto de saúde e melhorou o atendimento médico prestado à população.
O terceiro prefeito de Harmonia foi Carlos Alberto Fink, que já contava com experiência de administração devido ao período em que, praticamente, substituiu seu pai no governo.  Ele assumiu a prefeitura em 1997 com mandato até o final de 2000. Mas reelegeu-se para um segundo mandato e está no governo até a atualidade.
Carlos Alberto, que tinha apenas 32 anos ao assumir, encontrou o município mergulhado numa grave crise econômica. Muito dependente da citricultura, Harmonia sofria tremendamente com a praga do cancro cítrico, que atacou esta cultura. Com prudência e visão de futuro, ele investiu na diversificação da economia, incentivando a avicultura e a suinocultura. Conseguiu assim, com muito esforço, reerguer a economia do município. Ainda empenhado em diversificar e solidificar a economia municipal, o atual prefeito vem investindo também na atração de indústrias para o município. No seu governo, graças à mobilização popular coordenada pela prefeitura, foi conseguida a inclusão no orçamento do governo do estado do asfaltamento da estrada que liga o Caí a Harmonia, através do Orçamento Participativo. Assim a obra, que era a maior aspiração do povo de Harmonia e que já havia sido iniciada por governos estaduais anteriores, foi concluída finalmente na gestão do governador Olívio Dutra.
Estes 15 anos de vida emancipada no município de Harmonia, apesar da grave crise na citricultura, foram anos de muito progresso. Tanto que Harmonia se destaca hoje como um dos municípios mais desenvolvidos do país em áreas como a saúde e a educação. É admirável o estágio alcançado pelo município no que diz respeito à qualidade de vida.
Nestes quinze anos foram lançados os fundamentos que deverão permitir um forte desenvolvimento econômico acompanhado de justiça social. O povo local sabe o que é viver em verdadeira “harmonia” e consegue assim, não apenas produzir riquezas, mas também distribuí-la de forma bastante igualitária. Graças a isto, todos os harmonienses têm acesso pleno à saúde e a educação e são bastante favoráveis as condições de emprego. Uma situação que não se encontra, infelizmente, na maioria dos municípios brasileiros.
                                             
O BIODIGESTOR
Para que o Vale do Caí aproveite ao máximo a oportunidade de desenvolvimento que se abre para ele atualmente, é importante que dois fatos sejam bem compreendidos:
O primeiro é a enorme contribuição que a produção de carnes de aves e de suínos está dando para o desenvolvimento da região. Os municípios que investiram neste segmento da economia estão enriquecendo de forma admirável e se encaminhando para uma situação de primeiro mundo.
Isto se deve ao fato de que a produtividade de um aviário ou pocilga é comparável à de uma indústria de porte médio. E, por outro lado, o grande retorno de impostos que atividades do setor primário dá ao município quando - como é o caso - são emitidas notas integrais da sua produção.
Os municípios da região que ainda não acordaram para as enormes vantagens deste tipo de produção estão ficando para trás, mas também colhem algum benefício do enriquecimento dos seus vizinhos.
O exemplo mais claro de municípios que melhor estão aproveitando as vantagens da produção de carnes são Tupandi, Harmonia, Salvador, São José do Sul e São Pedro da Serra. Pareci Novo também despertou para esta oportunidade, está investindo muito no setor e deverá tirar muito proveito disto no futuro.
A iniciativa destes municípios, aproveitando a proximidade com o frigorífico Doux Frangosul, fez com que o Vale do Caí esteja se transformando num centro de produção de carnes de importância mundial.
O segundo fato que precisa ser compreendido pelos governantes e pela população é o seguinte:
Os municípios que primeiro descobriram as extraordinárias vantagens proporcionadas pela produção de carnes deram grande incentivo aos produtores. Em conseqüência disto foram implantadas tantas pocilgas que foi proibida a instalação de novas devido a problemas ecológicos.
As pocilgas geram enorme quantidade de estrume que não pode ser facilmente aproveitado como adubo. Com isto, ele se acumula e vai causando problemas ecológicos como a contaminação do lençol freático.
Agora está surgindo a solução para este problema. E uma solução maravilhosa. O biodigestor de grandes proporções e alta tecnologia que está para ser implantado em Harmonia vai possibilitar um aumento extraordinário nas possibilidades de geração de riqueza na região.
Ele vai dar dinheiro de três formas: pela venda da energia elétrica que será produzida; pela venda do adubo em que o esterco se transforma depois do processo de fermentação e pelos créditos de carbono que são pagos pelos países desenvolvidos para incentivar empreendimentos que trazem benefício para o meio ambiente.
Estas três coisas representam muito dinheiro para os produtores e para o município. Mas a vantagem maior do biodigestor ainda não é esta. A grande vantagem mesmo é que o biodigestor, por resolver o problema ecológico, possibilita a implantação de mais pocilgas e aviários nos municípios que já se encontravam no limite das suas possibilidades. Harmonia, por exemplo, pretende chegar ao dobro de pocilgas que lá existem atualmente. E, como a produtividade de uma moderna pocilga é muito grande, o lucro será muito significativo, tanto para os produtores como para o município.
Harmonia pulou na frente e já praticamente garantiu a construção do seu grande biodigestor. Ele vai absorver a produção de excrementos dos aviários e pocilgas de Harmonia e municípios vizinhos. Mas se os aviários de municípios como o Caí, Hortêncio, Linha Nova e Feliz ficarem muito distantes  para que os seus dejetos sejam aproveitados, já é hora de começar a planejar a construção de mais um biodigestor na região que tenha condições de aproveitá-los.

Texto e pesquisa de Renato Klein

Um comentário:

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