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domingo, 19 de julho de 2009

13 - Miguel Ledur

Pelo que se depreende de afirmações do Padre Rabuske, grande conhecedor da história do Vale do Caí, o primeiro colono alemão a fixar-se na região próxima à cidade de São Sebastião do Caí tinha o sobrenome Ledur. Segundo o entendimento do pesquisador Raimundo Volkveis, o Ledur em questão seria Miguel (Michael).
O Monsenhor Ruben Neis - principiense de Santa Terezinha e grande historiador, fonte mais abalizada sobre a história do Vale do Caí - deixou uma contribuição para o nosso estudo na forma de um pequeno levantamento sobre os ancestrais da família Ledur.
Vale a pena saber mais sobre esta família, pois podem ter sido seus membros os primeiros colonos de origem alemã a se fixarem no vale do rio Caí.
Conforme o Monsenhor, toda a numerosa família Ledur descende de apenas um casal imigrante que desembarcou em São Leopoldo no dia 18 de março de 1829. Como quase todos os imigrantes vindos ao Brasil nos primeiros anos da imigração, estes também deviam provir do sul da Alemanha, região próxima à divisa com a França que sofreu muito em virtude das guerras napoleônicas que haviam acontecido poucos anos antes. O nome Ledur “parece” francês. O imigrante chamava-se Miguel e era casado com Margarida Theobald (sobrenome comum no oeste da Alemanha). O Monsenhor observa que, em alguns documentos, encontrou a anotação de que eles eram originários da Prússia.
A família do imigrante compunha-se de cinco membros: Miguel, com 33 anos; Margarida, a esposa, com a mesma idade e os filhos Jacob, de seis anos; Nicolau, com quatro, e João, de dois anos. João, o mais novo, faleceu no dia 21 de abril de 1829, 37 dias depois da chegada. O filho mais velho, Jacob, também faleceu jovem, pois não era mais vivo em 1846, quando faleceu a sua mãe. Sabe-se disto porque o seu nome não constou do inventário dela como um dos herdeiros.
Dos filhos imigrantes, sobreviveu apenas Nicolau. Mas no Brasil nasceram mais quatro filhos: Felipe, em 1829, 25 dias após a chegada da família; Miguel, batizado em 1832; José, batizado em 1833; Margarida, batizada em 1835 e João, nascido em 1837.
Miguel Ledur, no inventário da esposa, feito em 1855, declarou que sua mulher havia falecido no mês de dezembro de 1846, deixando seis filhos. Moravam perto do Arroio Três Mares (no atual bairro caiense do Rio Branco) e, conforme tradição antiga preservada pela família, ela teria sido enterrada dentro da sua colônia de terras, debaixo de uma árvore, por não haver paróquia e cemitério próximos. No ano de 1846, de fato, as igrejas e cemitérios mais próximos eram os de São José do Hortêncio e de Capela de Santana. Locais pouco acessíveis considerando-se que então ainda não existiam estradas na região.
Além da esposa, Michael Ledur enterrou ali dois outros membros da família. E, para cada sepultura, ele colocou uma grande pedra para servir como marco. Por este motivo o local passou a ser conhecido como Três Marcos. E este mesmo nome foi dado ao arroio que passa nas proximidades. Com o tempo, por falha da comunicação oral, o nome foi mudando para Três Mares, como é conhecido hoje. Processo semelhante ao ocorrido com a localidade de Despique que originalmente se chamava Três Piques e com Forromeco, que se originou da expressão Ferro-meco.
Margarida, ao falecer, tinha 50 anos de idade. Seu marido Miguel faleceu em Bom Princípio em 13 de agosto de 1881, com 84 anos. Estes dados indicam que o casal Ledur já vivia no vale do rio Caí no ano de 1846 ou antes. Ou seja: antes mesmo da criação das colônias do Caí e Escadinhas nas quais muitos lotes de terra foram vendidos para colonos alemães. Miguel foi um pioneiro da colonização alemã nas proximidades da atual cidade do Caí. Não se sabe onde ele foi residir logo após a sua chegada ao Brasil, em 1829, mas não parece provável que ele tenha ido residir no atual bairro Rio Branco muito antes do ano de 1846. O pesquisador Raimundo Volkveis, entretanto, acredita que isto tenha acontecido já por volta de 1830. Uma tese que ainda precisa ser comprovada.
Nicolau Ledur, o filho de Miguel e Margarida que nasceu na Alemanha pelo ano de 1824, também residiu na região (no Paraíso, que fica próximo ao local onde teria vivido o seu pai, só que em terreno mais elevado, livre de enchente). Ele casou em 1845, na paróquia de Capela de Santana, com Madalena Goergen.
Felipe Ledur, o filho de Miguel e Margarida que nasceu logo depois da chegada do casal ao Rio Grande do Sul, residiu em Três Mares mas vendeu sua propriedade em 1860, transferindo-se para Santa Terezinha, em Bom Princípio. Casou com Susana Rauber em 1852. Entre os descendentes deste casal figuram cerca de vinte sacerdotes e um arcebispo: Dom Aloísio Roque Oppermann.
Miguel Ledur (filho nascido em 1832) casou com Rosina Ost, em São Leopoldo. O casal residiu longo tempo em São Sebastião do Caí, onde seus filhos se casaram.
José Ledur (nascido em 1833) e a esposa Ana Maria Machry residiram em Bom Princípio, no Morro Tico-Tico.
Margarida Ledur (nascida em 1835) casou em 1855 com Henrique Boehm. Em 1856 o casal adquiriu sua primeira propriedade de Gregório José Veloso, filho do Ferromeco. Felipe e José Ledur também, a partir de 1860, adquiriram dessas terras. José no Morro Tico-Tico e Felipe nas proximidades do Arroio Colúmbia. A propriedade de Henrique Boehm é a que mais tarde pertenceu a Pedro Paulo Volkveis, perto do centro de Santa Teresinha.
João Ledur, o filho mais novo do casal imigrante, casou em 1858 com Maria Henz e viveu inicialmente em Bom Princípio. Depois se transferiu para Arroio Alegre, no interior de Lajeado.

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