sábado, 24 de outubro de 2009

507 - Apego à terra natal

Mesmo com suas intensas atividades em Porto Alegre, Arno Carrard nunca se desvinculou da sua terra natal. Nos fins de semana ia para a casa dos pais, jogava futebol no Grêmio Esportivo União e nadava no Forromeco e no Caí, onde se destacou por ser um excelente mergulhador. Isto fez com que ele fosse chamado a colaborar na recuperação de corpos de pessoas afogadas. Ele fez isto no caso de duas crianças, filhas de Willibaldo Bartzen, que se afogaram durante uma pescaria na localidade de Canto do Rio. Em outra ocasião recuperou os corpos de dois jovens, filhos de Firmino Burg, desta vez na localidade de Bela Vista. Noutra ocasião ainda ele ajudou a resgatar, com o uso de uma corrente, um caminhão que havia caído da barca. Este foi mais um episódio trágico que mostra como as travessias do Caí eram perigosas. O barqueiro Helmuth Einzweiller conseguiu salvar o motorista do caminhão num gesto de heroismo, mas o barqueiro morreu afogado nas águas do rio que tão bem conhecia.
Quando Arno tinha em torno de 25 anos foi solicitado a intervir numa grave questão que afligia centenas de pessoas na comunidade de Bom Princípio. No ano de 1972 a TV Difusora, que era vinculada à Igreja Católica, adquiriu equipamentos e tornou-se a primeira emissora brasileira a transmitir imagens a cores. Para isto vendeu ações e muitos colonos de Bom Princípio - incentivados pelo padre - as adquiriram. Mas o retorno de dividendos não aconteceu. Como muitos colonos deixaram de pagar o que haviam se comprometido, acabaram ameaçados de cobrança judicial. Arno foi chamado a socorrê-los e, numa grande assembléia realizada na Sociedade Santa Cecília, na presença de centenas de pessoas que enfrentavam o problema, sugeriu que fosse dirigida uma correspondência ao Papa explicando o problema e solicitando a sua intervenção. O pároco de Bom Princípio, Monsenhor José Becker, falou sobre o assunto com o Arcebispo Dom Vicente Scherer e, poucas semanas depois, o problema foi solucionado. O que causou grande alívio para as pessoas que sentiam-se ameaçadas de perder seus bens devido à cobrança judicial e deu grande prestígio ao jovem advogado.
No final dos anos 60 e início dos 70 ele presidiu as duas mais destacadas entidades esportivas e sociais de Bom Princípio: o Grêmio Esportivo União e a Sociedade Santa Cecília (por sete anos). Como presidente do União, Arno teve a ousadia de quebrar um tabu. Devido à fortíssima influência da Igreja, em Bom Princípio não eram realizados bailes nas noites de sábado, pois isto prejudicaria a freqüência às missas realizadas nas manhãs de domingo. Quando preparava a realização de um baile para arrecadar fundos para o clube, Arno conseguiu um bom contrato com a Orquestra Caravelle, a de maior prestígio no estado naquela época. Mas a data disponível era no sábado e ele resolveu fazer o baile nesta data, contrariando a tradição local. Sofreu séria campanha por parte do pároco, que conclamou os fiéis a boicotar o baile. Arno insistiu na promoção e o baile foi realizado com grande sucesso. Ousadia semelhante ele cometeu quando, aproximadamente dez anos depois, comandou a emancipação de Bom Princípio. E, para ter sucesso nesta outra grande empreitada, foi fundamental o prestígio e a liderança que ele conquistou junto à população em empreitadas como esta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário