domingo, 8 de novembro de 2009

595 - Os primeiros automóveis no Caí

Arno Kusminski foi dono da Livraria Caiense. Na década de 1980
guardava na memória lembranças da era de ouro da navegação caiense



Acrescentando informações àquelas fornecidas por Max Adolfo Oderich, Wallace Kruse escreveu para o Fato Novo a seguinte matéria, publicada na terceira edição do jornal caiense (em 14 de janeiro de 1982):
Felizmente, para a memória da cidade, ainda podemos dispor de valiosas informações sobre a primeira metade deste século. Entre várias outras, uma das fontes é o senhor Arno Kusminski. Através dele, ficamos sabendo que a corrida entre a aranha e o automóvel ocorreu em 1913. A marca do automóvel do senhor Maméde Borges, de fabricação inglesa, era REO. O senhor Maméde teria adquirido o veículo de segunda mão. De fato, fora este o primeiro carro pertencente a um cidadão residente em São Sebastião do Caí.
Um ano antes, porém, a cidade travara o seu primeiro contato com a era do automóvel, através do senhor Picolli, proprietário de uma empresa de charretes (carruagens) de Caxias do Sul. Resolvera este adquirir um automóvel para "por na praça", ao lado das charretes.


O primeiro automóvel visto pelos caienses foi um Rambler
O automóvel do Maméde Borges era um REO
O senhor Picolli, vindo de Caxias, passara por São Sebastião do Caí e convidara os seus amigos Oscar Nabinger e Roberto Zimmermann (este tio do senhor Kusminski) para acompanhá-lo até a Capital do Estado. E lá se haviam ido os três, para voltar alguns dias depois, com o flamante Rambler, modelo do ano, 1912. Haviam levado doze horas de Porto Alegre a São Sebastião do Caí.
Aqui chegados, a notícia da presença de um automóvel espalhou-se pela cidade e o senhor Picolli resolveu retribuir o interesse e as atenções que lhe estavam sendo dispensadas, permanecendo aqui por três dias a fim de permitir que todos os alunos dos quatro estabelecimentos de ensino da cidade tivessem a oportunidade de dar uma "voltinha" no veículo.
Funcionavam aqui, então, o Colégio Elementar (do Estado), a Escola São José (dos Irmãos Maristas), a Escola Santo Antônio (das Irmãs de Santa Catarina) e a Escola Evangélica. Foram três dias de festa na cidade. Todos foram ver o automóvel. E os estudantes, em sua maioria, tiveram a o privilégio de experimentá-lo.
Um ano depois chegaria a São Sebastião do Cai o atomóvel do senhor Mamede Borges. Não mais como o primeiro automóvel a ser visto e experimentado pelos caienses mas, de fato, o primeiro automóvel de propriedade de um morador de São Sebastião do Caí.

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