domingo, 15 de novembro de 2009

622 - O primeiro dia

O primeiro dia de atividades da administração municipal de São Vendelino foi 1° de junho de 1989.
A equipe reuniu-se de manhã bem cedo na improvisada prefeitura. Dona Acela Sganderla trouxe um chimarrão e o prefeito passou a trocar idéias com a equipe. A questão era uma só: “O que faremos?”
A primeira decisão foi redigir uma carta dirigida às empresas da região solicitando apoio para equipar a prefeitura. Jair redigiu a carta e Régis a datilografou. A carta foi distribuída e, no mesmo dia, começou a vir gente trazendo doações para a prefeitura. De modo geral, coisas modestas como cadeiras, vassouras ou folhas de papel ofício. Rogério Fritzen, hoje vereador, doou um jogo de cuia, bomba e erva, para fazer chimarrão. A maior surpresa foi quando encostou na prefeitura uma camionete trazendo a contribuição da empresa Tramontina (do vizinho município de Carlos Barbosa). Ela era composta de produtos desta empresa: carrinho de mão, pás, marreta, enchadas, facão e outros instrumentos que serviram para o trabalho da prefeitura por vários anos. A prefeitura de Bom Princípio, como é de lei, cedeu alguns veículos e máquinas do seu parque de equipamentos para o município. Mas nem o fato do vice-prefeito de Bom Princípio ser vendelinense e irmão do prefeito fez com que o município mãe se mostrasse muito generoso. Foram entregues apenas um caminhão caçamba e uma camionete Belina, ambos bastante usados. Com estes veículos, as ferramentas da Tramontina e um único operário, o secretário de obras Celestino Schneider tratou de providenciar a conservação das estradas. E, apesar da precariedade de recursos, o trabalho foi satisfatório, pois nunca antes existiu, por parte dos municípios mãe, uma atenção especial para São Vendelino como havia agora.
Móveis de escritório, infelizmente, ninguém doou para a prefeitura e o jeito foi fazer prateleiras com tábuas e tijolos empilhados. Celestino Schneider e Geraldo Wentz cuidavam das estradas trabalhando com o carrinho-de-mão, pás e enxadas doadas pela Tramontina, tapando os buracos nas estradas.
Para não abusar da boa vontade de dona Acela, o prefeito tratou logo de providenciar um prédio próprio para a prefeitura. Havia um velho prédio, a antiga casa canônica, que pertencia à Igreja Católica e estava abandonado, ameaçando ruir. O prefeito negociou a doação do prédio para a prefeitura em troca de alguns serviços de reforma na igreja e no salão de festas da comunidade católica.
O prédio estava em estado precário. Mas foi reformado e serve ainda hoje de sede para a administração municipal, além de enfeitar o centro da cidade com o seu estilo antigo mas digno. É o prédio de dois pisos que se vê à esquerda, na foto da capa deste livro.
O fato de São Vendelino ser um município tão pequeno e tão desestruturado despertou a simpatia dos municípios vizinhos, cujas prefeituras deram uma boa ajuda nesta fase inicial de carência absoluta. Carlos Barbosa, Farroupilha, Feliz e especialmente Bom Princípio ajudaram no que foi possível. Também o governo estadual encarou com muita simpatia os pedidos do menor e mais jovem município do estado. A notoriedade que o município ganhou em virtude da “eleição solteira” foi útil neste aspecto.
Jair Baumgratz trouxe da sua família e da sua experiência como empresário a noção de que era fundamental a economia e de que o dinheiro arrecadado precisava ser muito bem aplicado. Por isto ele preocupou-se desde o início em conter os gastos com o funcionalismo. A prefeitura de São Vendelino não serviu, de modo algum, como cabide de empregos, como acontece em muitas outras. Os salários do prefeito, do vice, dos secretários e dois únicos funcionários eram bem baixos. Régis Fritzen, por exemplo, deixou um emprego de contramestre na fábrica Reichert para ser secretário faz tudo na prefeitura ganhando menos do que no emprego anterior. Mas a baixa remuneração não fazia com que o pessoal se desmotivasse. Todos trabalhavam dia e noite, inclusive em fins de semana. O prefeito, o vice e os secretários exerciam funções e executavam tarefas que, normalmente, são realizadas por funcionários.

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