domingo, 15 de novembro de 2009

627 - São Vendelino se emancipa


Léo Angst foi um dos idealizadores da emancipação de São Vendelino

Jair Baumgratz trabalhava incansavelmente na sua empresa, que crescia rapidamente. Por isto não tinha tempo de se inteirar do que estava acontecendo na vida social e política do seu município. Foi numa conversa com sua mãe que ele ficou sabendo do movimento que estava sendo iniciado com o objetivo de emancipar São Vendelino de Bom Princípio. Como todo mundo na época, ele deve ter se surpreendido com esta informação, pois São Vendelino era uma vila tão pequena que quase não se podia conceber que tivesse a pretensão de emancipar-se. O que dava credibilidade a este projeto era o exemplo de Bom Princípio, que também era uma vila bem modesta antes de se emancipar.
Diante disto, alguns líderes políticos vendelinenses se animaram a promover a emancipação. Léo Angst, advogado e líder político de maior projeção em São Vendelino na época, soube através de um deputado do seu partido que Tupandi estava preparando o projeto para se emancipar. Diante disto, ele se alertou para a possibilidade de São Vendelino fazer o mesmo. Soube também, que o prazo para a apresentação de projetos de emancipação na Assembléia Legislativa do estado estava por encerrar-se. Era preciso, portanto, tomar uma providência imediata. Léo Roque Angst reuniu-se, então, com outros líderes da comunidade, como Heron Schneider, Luiz Zwirtes, Wolfran Wagner e Celestino João Schneider para que fosse tomada uma decisão. Foi convocada, com urgência, uma reunião um pouco mais ampla que aconteceu no dia 18 de novembro de 1987, quarta-feira, no Salão do Imigrante. Diante dos fatos expostos, os presentes decidiram que seria importante para São Vendelino tocar adiante o seu projeto de emancipação. Na sua maioria, estes líderes eram ligados a um mesmo partido: o PDS, Partido Democrático Social. Mas, como era necessário unir toda a população em torno do objetivo da emancipação, foi convidado o professor José Leomar Willrich, diretor da escola estadual de São Vendelino, para liderar o movimento. O professor por ser apartidário, era a pessoa mais indicada para liderar o movimento sem acirrar as divisões e os ressentimentos ocasionados pelas disputas políticas do passado.
Além do professor José Leomar Willrich, figuravam como principais membros da comissão emancipadora José Volfran Wagner, como vice-presidente; José Luiz Zwirtes, como secretário e Ramiro Miguel Flach como tesoureiro.
Mas havia uma grande dificuldade, pois restavam poucos dias para o encerramento do prazo para a entrega do projeto na Assembléia Legislativa. Mas Léo Angst e o presidente da comissão emancipadora, professor Leomar Willrich, enfrentaram o desafio e, contando ainda com a ajuda da professora Marlise Zwirtes, conseguiram realizar a tarefa a contento. Usaram para isto, além de muito esforço, um tanto de imaginação, pois era preciso demonstrar no projeto que São Vendelino tinha as condições exigidas pela lei das emancipações.
Entre os vários requisitos exigidos de um município que pretendesse se emancipar havia o da população mínima de 10 mil habitantes. E São Vendelino estava muito longe de atender a esta e outras exigências. Mas, por outro lado, eram inúmeros os exemplos de municípios que haviam sido criados no Rio Grande do Sul sem atender às exigências da lei. Bom Princípio era um deles. A verdade é que a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul era a favor de qualquer emancipação que fosse proposta e qualquer projeto emancipacionista podia ser concretizado, contanto que ninguém entrasse na justiça para denunciar o não atendimento dos requisitos legais. A Justiça só intervinha, impedindo a emancipação, se fosse oficialmente acionada por alguém.
Assim, num gesto de extraordinária ousadia e oportunismo, o pequeno e pobre distrito de São Vendelino apresentou seu projeto de emancipação e obteve a aprovação da Assembléia. As vantagens destas emancipações, tanto para o distrito que se emancipa como para o município mãe, foram extraordinárias, como se pode ver hoje em dia. Mas, naquela época, nem todos imaginavam que fosse assim. São Vendelino era uma povoação tão carente de tudo que parecia impossível ela ser sede de um município.
Principalmente para as pessoas que moravam na zona sul do pretendido município, nas localidades de Piedade e Floriano Peixoto, parecia ser desvantajoso desligar-se da já bem estruturada Bom Princípio para subordinar-se à totalmente carente São Vendelino. Por isto surgiram reações que ameaçaram seriamente a concretização da emancipação.

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