quinta-feira, 30 de maio de 2013

2063 - Barragem Rio Branco

A primeira barragem com eclusa da América do Sul foi construída 
para facilitar a riquíssima produção do Vale do Caí (a eclusa da barragem
pode ser vista no lado direito da foto)
(clique sobre a foto para ver melhor)

Foto disponibilizada na internet por PabloSane Henz


Na segunda metade do século XIX, o Vale do Caí tornou-se a nova fronteira agrícola da província, e depois estado do Rio Grande do Sul.
Como as terras do Vale do Sinos já estavam ocupadas pelos imigrantes alemães chegados entre 1824 e 1830, os jovens que se tornavam adultos precisavam de terras novas para cultivar. Como na época não se praticava o controle da natalidade como hoje, o número de filhos de cada casal era muito maior. Eram comuns casais com mais de dez filhos e casais com sete ou oito filhos era o mais comum.
Com isso a terra que cada casal possuía não era suficiente para ser repartida entre os filhos.  Os jovens tinham de comprar novas terras para ali viver e criar sua família.
A solução, então, foi adquirir terras na região do Vale do Caí, onde as terras eram cobertas de mato e podiam ser adquiridas a preços bem acessíveis.
O mato era um problema. Dava um trabalho enorme "limpar" um terreno para fazer uma roça. Mas, em compensação, a terra virgem (que nunca havia sido cultivada anteriormente) era de uma fertilidade espantosa.
Graças a isso (e aos seus conhecimentos de técnicas agrícolas trazidos da Europa) os colonos se deram muito bem na produção agrícola.
O feijão foi tão produtivo que o Vale do Caí passou a exportar para o resto do país, tornando-se a principal região produtora do Brasil. 
Também o milho teve produção fantástica. Só que essa não era exportada. O milho era utilizado para a criação de suínos e isto possibilitou a expansão da produção de banha, produto do qual a região também se tornou a maior produtora nacional, exportando para vários países.
O negócio da banha foi tão bom que industriais estabelecidos no Caí e Montenegro ficaram riquíssimos. E se produzia tanto porco para fazer banha, que a carne desses animais sobrava e tinha baixíssimo valor de venda. Isso inspirou o industrial Adolfo Oderich a produzir carne em conserva e, para isso, mandou seu filho Carlos Henrique Oderich estudar na Alemanha para aprender como se poderia fazer isso. Voltando ao Caí, Carlos Henrique iniciou a indústria que veio a se tornar uma das primeiras do mundo a produzir carne enlatada.
Tudo isso deu ao Vale do Caí uma formidável pujança econômica.
E foi por isso que o governo brasileiro resolveu investir numa obra arrojada para a época: a construção de uma barragem no rio Caí que permitisse a sua franca navegação em todas as épocas do ano.
O rio, tal como acontece hoje, fica muito baixo nas épocas em que ocorre estiagem.
Pode se imaginar o problema que acontecia quando a enorme produção de feijão, banha e outros produtos do Vale tinham de ficar estocados em armazéns do Caí porque a navegação ficava inviável devido ao baixo nível do rio.
Por isso, no final do século XIX, foi planejada a construção da Barragem Rio Branco, do porto do Caí e de outros melhoramentos no rio, como canais e drenagem. O conjunto dessas obras permitia a chegada até o porto da cidade. Mais acima, seria muito difícil, devido às cachoeiras existentes. O Caí é o único ponto a que se podia chegar de barco com a tecnologia da época.
É bom lembrar, para o leitor menos informado sobre a história da região, que não existiam rodovias na época e nem pontes. A primeira ponte construída sobre o rio Caí foi a de Feliz em 1900 e a ponte do Cadeia, sobre o arroio Cadeia (perto do Caí) foi construída em 1031.

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