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Fridolino Leindecker estudou no Caí, no colégio dos irmãos maristas,
que funcionou no prédio da esquina, ao lado da igreja |
Ele estudou no colégio dos irmãos maristas, que funcionava no prédio que existia no atual pátio de estacionamento da igreja católica. O mesmo prédio que, antes de ser demolido foi utilizado pela relojoaria de Anibal Henzel e pela loja de Bernardo Thiessen (depois Casa Kranz).
Depois de dois anos de aula, Fredolino resolveu aprender uma profissão e foi trabalhar, de graça, na relojoaria e ourivesaria de José Bellini, em Bom Princípio. Trabalhou e aprendeu lá por um ano e meio.
Aos 18 anos apresentou-se como voluntário para servir no 3º Parque de Aviação de Santa Maria, onde trabalhou nas oficinas da base e aprendeu algo sobre a construção de aviões.
Em 1923 foi transferido para o 8º Regimento, em Passo Fundo, onde trabalhou com um caminhão modelo T, que fazia o abastecimento das tropas de Santa Bárbara passando por Palmeira das Missões. Depois voltou a Santa Maria e deu baixa da Aeronáutica em 1925.
De volta à profissão de relojoeiro, instalou-se com oficina de conserto de jóias e relógios em Harmonia, na casa de Fridolino Fink. Mais tarde, alugou uma casa ao lado da residência de Carlos Friederihs.
Fredolino fez, logo, muitas amizades em Harmonia, inclusive com Miguel Mentz (1) que o visitava toda manhã, na sua loja, para tomar um chimarrão e bater um papo. Numa dessas conversas, falaram sobre aviões planadores e surgiu a ideia de construírem um. Como eles conversavam todos os dias, o assunto foi adiante e eles decidiram construir um avião. Foi feito um desenho (projeto) do aparelho. A propulsão seria a pedal de bicicleta. Mais tarde se providenciaria um foguete de propulsão. Uma vez no ar, as correntes de vento ascendentes se encarregariam de manter o aparelho voando, como acontece com os planadores.
Foi feito um acordo entre os dois. Miguel Mentz, que era um homem de bom nível econômico (fabricante de famosos queijos) pagaria dois mil réis por hora para Fredolino trabalhar na construção do avião. Fazia isso em horários alternativos, quando não trabalhava na sua loja.
Mas, como Fredolino tinha ambições de progredir na vida, acabou deixando de lado o projeto. A falta de materiais e ferramentas adequadas foi o principal motivo da sua desistência.
Ele passou a fabricar vitrolas acondicionadas numa mesa de centro. Mas o produto não teve muita aceitação devido ao aparecimento do rádio à bateria e da galena. Outros modos do povo ouvir música.
Então ele se tornou mecânico de automóveis e de máquinas industriais. Em 1941, com a falta de gasolina devido à guerra mundial, ele construiu um caminhão a gasogênio e começou a viajar para São Paulo. Em 1950, encerrou suas atividades de transporte e voltou a dedicar-se ao ramo de jóias e relógios, estabelecendo-se em Montenegro.
Teve sucesso lá, com uma joalheria e relojoaria que tornou-se uma das mais importantes da cidade. Mas ele não perdeu o seu espírito ousado e inventivo. Na festa comemorativa ao centenário de Montenegro, em 1973, ele expôs três relógios de sua fabricação. Eram peças muito sofisticadas, com dois metros de altura.
Três relógios da sua fabricação foram expostos da exposição da festa.
1- Miguel Mentz, homem de idéias arrojadas, foi o fundador da Cooperativa de Harmonia
Matéria publicada pelo Fato Novo na edição de 8 de setembro de 1983
Foto do acervo do jornal O Município, disponibilizada no Facebook de Lu Bohn

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