sexta-feira, 6 de setembro de 2013

2673 - Um novo tempo para a avicultura

Modernos aviários, com climatização, tem maior custo,
mas garantem maior produção


A crise dos últimos anos faz parte do passado. Produtores de frango não querem nem lembrar dos quatro anos de atraso nos pagamentos na época da Doux Frangosul. E os funcionários do frigorífico temiam o fechamento da empresa, que chegou a ficar sem abates por dois meses. 

Desde que a JBS assumiu a antiga Frangosul, em maio do ano passado, a situação passou a mudar. Conforme Rigoberto Kniest, da Associação de Criadores de aves e suínos, e que é produtor em São José do Sul, hoje está bem melhor para os cerca de 2.800 produtores integrados da região. Os pagamentos estão em dia e a renda aumentou. A ração e os pintos fornecidos são de melhor qualidade, além da assistência técnica. Por outro lado, a empresa exige mais, principalmente na estrutura dos aviários. Mas com a garantia dos pagamentos, muitos avicultores voltaram a investir e o setor avícola ganhou novo impulso.

A mesma situação é dos cerca de 1.900 trabalhadores do frigorífico e fábrica de ração da JBS, em Montenegro. De acordo com o coordenador do Sindicato dos trabalhadores nas indústrias da alimentação, João Marcelino da Rosa, foi feito um novo acordo coletivo, com avanços salariais e mais benefícios para os funcionários. Também reduziu o desconto no transporte e a empresa chega a fazer sorteio de prêmios entre os empregados.

A expectativa é de que a JBS amplie os investimentos na empresa e no apoio aos criadores, para que aumente a produção. Também se tem a expectativa de que a JBS compre a Frangosul, já que manifestou interesse neste sentido. Inicialmente a empresa arrendou as instalações da Frangosul por dez anos.

Aviários mais modernos

Antigos galpões estão dando lugar a aviários bem mais modernos. Prova disso são os investimentos dos irmãos Mauri e Marcos Müller, na granja localizada em Matiel (Pareci Novo). Um novo aviário, que nesta semana recebeu 44 mil pintos, foi construído com alta tecnologia. Uma empresa de Criciúma (Santa Catarina), a Plasson, instalou um painel de controle que é o primeiro do Brasil com este tipo de tecnologia, que controla a temperatura, pressão e até o peso das aves. As telhas vieram do Paraná e conta com paredes com isolamento térmico. 

Tudo é controlado por computador, desde a climatização até a ração e a água dos bebedouros. Também conta com lâmpadas de led e gerador próprio. A fornalha automática, a base de cavaco, fabricada pela empresa Luft, de Bom Princípio, é outra inovação. O investimento é alto, mas garante a qualidade do frango, com menos tempo no aviário. Segundo os produtores, o investimento só foi possível graças a este momento positivo da avicultura. E também devido ao apoio do município, que fornece terraplenagem, acessos e paga juros do financiamento.
Retorno para os municípios

Para os municípios, o retorno da avicultura é garantido. Conforme o presidente da União Brasileira de Avicultura (UBABEF), o ex-ministro da agricultura Francisco Turra, uma propriedade com três aviários rede em impostos para os municípios o mesmo que uma empresa de grande porte. "As empresas que estavam quase fechando retomaram, com novos donos, e agora o clima é de otimismo", comemora. Ele destaca a importância dos municípios e produtores voltarem a investir no setor.

Conforme Turra, as exportações brasileiras de carne de frango atingiram 333,6 mil toneladas em agosto, resultado 5,1% maior em relação ao mesmo período do ano passado. Em receita, houve elevação de 7,5%. No acumulado do ano, o volume de embarques totalizou 2,562 milhões de toneladas entre janeiro e agosto.
Mas a maior parte da produção (dois terços) ainda é destinada ao mercado interno. "O brasileiro é um dos maiores consumidores de carne de frango do mundo", destaca Turra, informando que o consumo médio é de 45 quilos habitante/ano.

O certo é que a avicultura, que tanto tem contribuído para o desenvolvimento da região, ganhou um novo impulso e com isso a tendência é crescer cada vez mais. E com isso todo mundo sai ganhando.

Matéria de Guilherme Schaurich Baptista publicada em 7 de setembro de 2013

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