sexta-feira, 15 de novembro de 2013

3067 - Origem e alterações do nome da sede do município

                             
                     
A foto do então prefeito, Egydio Michaelsen, cercado por seus assessores, é a primeira que consta no livro Monografia Caí, editado em 1940, pela Prefeitura Municipal de Caí.

                                                   Primeiro capítulo da Monografia Caí, de Alceu Masson
                          
  
Entre os primeiros habitantes do lugar onde hoje se acha a sede do município de Caí, contava-se Antonio José da Silva Guimarães, tronco de tradicional família ramificada em todo o Brasil (*) . Por volta do ano de 1850, Antonio Guimarães adquiriu grande porção de terras no local, tornando-se um dos maiores proprietários da região. Nessas terras, situadas à margem esquerda do rio Caí, havia um embarcadouro que os moradores do lugar chamavam “Porto do Mateus” por ser este o nome do primeiro proprietário, e que passaram a denominar “Porto do Guimarães" depois que as referidas terras foram vendidas a Antônio Guimarães. E assim, por consenso unânime e espontaneamente, deram-se os primeiros nomes à localidade que mais tarde viria a ser a ser a sede do município.  
Com o decorrer dos anos Antônio Guimarães abriu no lugar uma casa de negócio. Posteriormente, um irmão seu, de nome Quintino, também se estabeleceu com casa de negócio na localidade.  
Por esse tempo foi transferida para o Porto do Guimarães, já bastante desenvolvido, a sede da freguesia de São José do Hortêncio. Cogitou-se, por isto, de construir na nova sede paroquial a matriz da freguesia. Antônio Guimarães doou à paróquia, para esse fim, alguns terrenos no melhor ponto da localidade, e uma praça que depois se tornou propriedade do município. Queria o doador que se escolhesse a Santo Antônio para padroeiro da igreja. É intuitiva a razão de sua exigência. Chamando-se ele Antônio, tinha, naturalmente, particular devoção ao popularíssimo taumaturgo português que até aos peixes pregava, e a quem certo escritor chamou acertadamente de “Santo de Todos."     
Entretanto, Quintino Guimarães, que também gozava de algum prestígio no lugar, entendia que deviam escolher São Bernardo para orago da igreja, em homenagem a Bernardo Mateus, sesmeiro da localidade.   
O assunto foi submetido ao julgamento do insigne e venerando bispo, Dom. Sebastião Dias Laranjeira, e este prometeu uma visita ao Porto do Guimarães para resolver “in loco” a questão.   
Pouco tempo depois, S. Excia. Revma. Fez a visita prometida.   
Para não desgostar nem os partidários de Santo Antônio nem os de São Bernardo, o distinto prelado, valendo-se do recurso conciliatório de um terceiro alvitre, decidiu que fosse São Sebastião o patrono da igreja. Concordaram todos com a inteligente resolução. Em primeiro lugar ela não dava ganho de causa nem a uns nem a outros; em segundo lugar, tendo o Senhor Bispo o mesmo nome do padroeiro escolhido, seria falta de delicadeza mostrar-se descontente com a escolha.    

(*) Não possuímos dados completos a respeito da família Guimarães. Entretanto, conseguimos do Senhor J. A. Edmundo Dihel, notário desta cidade, as informações que se seguem. Antonio Guimarães, proprietário de grande extensão de terras no Porto do Guimarães a que acima nos referimos, deixou quatro filhos: Inácio de Alencastro Guimarães, que faleceu no Rio de Janeiro como marechal reformado; Lourenço de Alencastro Guimarães, tenente coronel da Guarda Nacional, que exerceu neste município, os cargos de juiz de paz e primeiro suplente do juiz municipal; Pedro de Alencastro Guimarães, que exerceu o cargo de vereador da Câmara Municipal; e Antonio de Alencastro Guimarães.  Filhos de Inácio de Alencastro Guimarães: Sebastião, coronel médico reformado; Inácio, coronel reformado; Manoelito, farmacêutico; Antonio de Alencastro Guimarães, tenente coronel, comandante do 7º Regimento de Cavalaria Independente.  Filhos de Lourenço de Alencastro Guimarães: Inácio, Carlos e Antonio de Alencastro Guimarães. Filhos de Pedro Alencastro Guimarães: Pedro; Adolfo, secretário da Embaixada Brasileira na Argentina; e major Napoleão de Alencastro Guimarães, diretor geral do Ministério de Viação e Obras Públicas.

D. Sebastião Laranjeira - diga-se de passagem - mostrou, nessa ocasião, que se não tivesse preferido o sacerdócio, bem poderia ter optado pela carreira diplomática, na qual certamente alcançaria não poucos triunfos. Resolvido o caso, procedeu-se ao lançamento da pedra fundamental da igreja (*) e D. Sebastião Laranjeira doou à matriz uma imagem de S. Sebastião, esculpida em madeira, de 1,60m de altura (**).  O nome do orago escolhido por Dom Sebastião Dias Laranjeira para a matriz, passou também a aplicar-se à localidade, substituindo a denominação de Porto do Guimarães. Acrescentaram-lhe, porém, o complemento vocativo "do Caí" a fim de evitar possíveis confusões, pois existem no Brasil outros lugares com o mesmo nome de S. Sebastião, a começar pela capital do país.   
Caí, nome do rio que banha o município; é palavra de origem indígena, provindo do tupi-guarani.  Seus elementos  etimológicos,  na  língua  de  origem, são caá-y. O primeiro elemento, caá, significa mato; o segundo, y (ou ig, como querem alguns estudiosos do assunto), significa água. O sentido de caá-y é, pois, água do mato, ou seja, rio do mato. (v. "Novo Dicionário Nacional", do pe. Carlos Teschauer, s.j).   
Até o dia 1° de janeiro de 1939 – data em que pela primeira vez se comemorou, no país, o "Dia do Município" - a denominação S. Sebastião do Caí vinha sendo geral e oficialmente usada. Por resolução do Conselho Regional de Geografia, que teve também o intuito de evitar confusões, daquela data em diante o nome da sede do município, extensivo à comuna, foi reduzido para Caí.                

(*) Foram precisos vários anos para a construção da matriz, pois, tendo faltado dinheiro, as obras ficaram interrompidas durante muito tempo. Nessa época a igreja em construção abrigou imigrantes poloneses que por aqui passaram. Até uma eleição foi realizada em seu recinto. Só depois que a paróquia recebeu do governo provincial uma boa contribuição em dinheiro, pode a obra ser terminada. Por iniciativa do revmo. Pe. Carlos Teschauer, nomeado vigário de S. Sebastião do Caí em 11 de dezembro de 1883, construiu-se a torre da matriz. A planta, de autoria do engenheiro Dr.José da Costa Gama, foi aprovada pela Câmara Municipal em sessão de oito de maio de 1885.  
(**)  Atualmente a imagem conserva-se guardada, sendo reservada para as procissões, pois em 1931 foi retirada do altar-mor e substituída por outra, um pouco maior, adquirida pelo Sr. Irineu Gubert e sua exma. esposa, quando festeiros nas comemorações solenes com que se homenageia, a 20 de janeiro, o ínclito padroeiro do município.        


          
Cópia do mapa mais antigo do Rio Grande do Sul. A preciosa carta geográfica data de 
1634. É interessante notar que, dos rios nela mencionados, o Ijuí, o Piratiní e o Caí já 
naquele tempo tinham os nomes com que hoje são conhecidos. 

Material convertido para arquivo pdf por Carlos Gilberto Kayser 

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