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| Não se conhece fotos do vapor Horizonte, mas ele deve ter sido parecido com o desta foto, chamado Salvador |
Explosão do Vapor Horizonte: 70 anos da maior catástrofe já acontecida no Caí
Em junho de 1923 ocorreu a explosão da caldeira do vapor caiense Horizonte. Este acidente, no qual segundo se diz teriam morrido mais de vinte pessoas, é sem dúvida a maior tragédia já sofrida pela população de São Sebastião do Caí.
A Companhia União de Navegação Fluvial de propriedade de Carlos Emilio Kaiser e Pedro Erig, transportava mercadorias das colônias alemãs e italiana com destino a Porto Alegre, com os seus vapores (barcos) Caxias, Otto e Horizonte. Esta empresa desempenhou uma papel importante na economia do município, pois naquela época o transporte via terrestre era difícil e até inexistentes em certos pontos do estado.
O transporte da carga era feito em chatas, muitas vezes, maiores que o próprio barco. As instalações do barco eram reservados para os passageiros. Homens e mulheres ficavam separados.
Era uma verdadeira festa a saída do vapor às 18 horas e 30 minutos. Familiares e amigos se postavam no cais para as despedidas daqueles que, viajando durante toda a noite, chegariam a capital somente nas primeiras horas da manhã. E foi com um clima de festa que o Horizonte, o maior e mais luxuoso de todos os barcos da navegação caiense, saiu para aquela que seria a sua última viagem.
A dois quilômetros adiante de Montenegro, no ponto do rio denominado Baixio Velho, lugar de águas muito profundas, foi que o Horizonte explodiu.
Existem várias versões que tentam explicar o acidente. A causa real nunca foi conhecida, pois os poucos sobreviventes dormiam na hora em que ocorreu a explosão. Alguns apontam a irresponsabilidade do maquinista que estava bebendo e jogando cartas e descuidou-se do nível de água na caldeira. Outros dizem ter acontecido uma falha no equipamento que marcava o nível de água na caldeira, e com isso a mesma ficou totalmente seca e super aquecida.
Quanto ao número de mortos há muita contradição. A maioria das pessoas que falam do caso mencionam de 22 a 26 vítimas fatais. Algumas pessoas entretanto, afirmam que não foram mais do que doze ou treze.
Os proprietários da Companhia tiveram que indenizar as famílias das vítimas o que quase os levou a falência.
Em consequência disto, acabaram por vender a empresa novamente a Jacob Michaelsen, pai de Egydio Michaelsen, de quem haviam comprado anos antes.
Matéria publicada pelo jornal Fato Novo em 11 de dezembro de 1983

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