terça-feira, 7 de janeiro de 2014

3464 - Carros ruins em estradas horrorosas



O caminhão ficou preso no barral da estrada. O jeito foi carregar a carga
para outro veículo
 
Quando chovia forte, subia o nível nos arroios e os motoristas que tentavam
atravessar ficavam presos na água e eram socorridos por colonos que faziam
o resgate do carro com uma parelha de bois cangados 




Esses caminhões passam dificuldade para subir a lomba 
(foto feita, possivelmente, no Passo do Manduca e na década de 1930)






Os carros antigos eram muito ruins. O modelo T, da Ford, que fez o maior sucesso, chegando a vender 15 milhões de unidades, era uma precária latinha cujo motor desenvolvia a potência de 20 HP. Fabricado de 1908 a 1927, ele era o único modelo da fábrica Ford, que era a maior do mundo. E o carro evoluiu muito pouco nos seus 19 anos de fabricação.
Pior que isso parece impossível. Mas existia. As estradas da época eram uma coisa pavorosa. Quando elas atravessavam um arroio, não havia ponte. O carro tinha que embalar e atravessar dentro d´água. Quando chovia muito e o nível dos arroios subia, muitos carros não conseguiam passar e tinham de ser tirados da água a reboque, puxados por parelhas (uma dupla) de bois cangados. A canga e um instrumento de madeira à qual os bois ficam presos. Ela permite que a força de dois bois seja somada gerando força de tração. As carretas e carroças são puxadas por parelhas de bois cangados. 
Quando o arroio ou o rio era mais fundo, também não costumava haver ponte. Para atravessar o rio usava-se uma barca, que levava gente, cavalo, carroça ou automóvel. 
A primeira ponte construída sobre o rio Caí foi a de ferro, na Feliz, uma ponte ferroviária de segunda mão, importada da Europa, que foi usada aqui como ponte rodoviária. Coisa comum de acontecer no fim do século XIX e início do século XX. Ela foi instalada na Feliz no ano de 1900.
A ponte sobre o rio Caí, em Bom Princípio, foi construída na década de 1960, assim como a de Montenegro. A ponte estreita sobre o rio Caí ainda hoje em uso junto à cidade do Caí foi construída em 1970.
Estradas, até o início do século XX, eram horrorosas. Não passavam de caminhos que serviam para andar de carroça. Os primeiros automóveis precisavam ser empurrados nas lombas e nos areais. Quando chovia, as estradas se tornavam intransitáveis.
Na década de 1930, ainda era assim na estrada que ligava o Caí a Porto Alegre, uma das mais importantes do estado. Os primeiros ônibus que faziam a linha Caí-Porto Alegre andavam equipados com pás, alavancas, cordas e outros instrumentos necessários para tirar o carro de um atoleiro. Era comum que, em alguns pontos, os passageiros desciam do ônibus para ajudar a empurrar o ônibus atolado.
Os primeiros ônibus eram as famosas jardineiras, com carrocerias de madeira que eram construídas por marceneiros locais. Elas não tinham paredes laterais e uma das preocupações dos passageros era com os galhos de árvores situadas nas margens da estrada e que atingiam os passageiros provocando ferimentos ou rasgos nas suas roupas.

Fotos do acervo de Egon Arnoni Schaeffer

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