quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

3466 - Um passeio pelo Rio Caí II

Passeio a Montenegro RS reúne mais de 30 lanchas 
Danilo Chagas Ribeiro

16 Abr 2013
         a Na manhã do sábado, 13 de abril de 2013, participei de um bonito passeio à cidade de 
Montenegro RS, subindo o Rio Caí, por onde eu nunca havia navegado. Embarcamos na lancha 
Focker 280 "Quatro Estações" na Marina da Conga, na Ilha das Flores, Rio Jacuí, no início da 
manhã, a convite do Comandante Marco Antônio Braun.
O passeio de aproximadamente duas horas em um rio bonito de navegar, foi uma excelente

moldura para o convívio harmonioso e divertido. Afinal, é o convívio e a parceria o que conta 
mesmo em um passeio de lancha, como em qualquer outro.

Liderando a flotilha composta pelas mais de 30 lanchas que participavam do "VI River Tour", 
um evento náutico realizado pela Motoryama/Nautiway, o comandante Marco Antônio subiu o 
Jacuí por umas 3 a 4 milhas náuticas, até as proximidades do Canal Santa Clara, onde deixou a 
Ilha do Lage por boreste, rumando para leste pelo Rio das Balças* (Delta do Jacuí). A umas 
duas milhas adiante, guinamos a bombordo para iniciarmos a subida do Rio Caí, a partir da foz, 
no rumo NW. As lanchas navegavam em fila indiana mantendo grande afastamento entre uma
e outra. A velocidade de cruzeiro era em torno de 24 nós.
O dia estava maravilhoso, e quase não havia vento no rio. Estimei a correnteza (já no porto de Montenegro) em torno de 5 nós, se tanto. Não havia obstáculos notáveis boiando no rio. O rio 
estava baixo e o tráfego era desprezível, embora tenhamos avistado diversas embarcações 
miúdas fundeadas, com pessoal pescando com caniço.  
Na chegada da flotilha a Montenegro, com direito a salva de fogos, foi bonito ver o tradicional 
clima de colaboração entre os participantes, com atracação em contrabordo e cada um ajudando
os demais como pode.


Paisagem
Subindo-se o rio Caí a partir da foz, a paisagem mostra-se plana por detrás da mata ciliar, com 
raras elevações no terreno. Na cidade de Montenegro começam a aparecer alguns morros, 
como a montante da cidade, onde um morro com arenito exposto compõe um 
trecho curvo da margem esquerda do rio. As
margens do Rio Caí apresentam a mata ciliar típica do Rio Grande do Sul, tanto na flora quanto na largura irrisória, embora a gente se engane ao navegar. A imagem de satélite mostra que, em alguns trechos, as lavouras avançam até a beira do rio.
Junto à foz, o Caí tem mais de 100m de largura, diminuindo para uns 70m nas proximidades de Montenegro. A meandragem torna a navegação mais atraente, mudando a paisagem frequentemente.
Subindo o rio a partir da foz, avista-se uma ponte ferroviária centenária a umas 6 milhas náuticas. Logo em seguida avista-se algumas estruturas do Polo Petroquímico de Triunfo. Mais adiante, passa-se sob a ponte da rodovia BR-386 (Tabaí - Canoas). Apesar de se ver algumas embarcações comerciais atracadas ao longo do rio, o tráfego no sábado era desprezível. Vimos um porto com 
embarque de minério. A navegação pelo Caí até Montenegro, não é difícil. Segundo o 
Comandante Marco Antônio Braun, não há pedras submersas até Montenegro.

O O percurso de aproximadamente 38 milhas náuticas até Montenegro, foi estendido pelo 

Comandante Marco Antônio Braun em mais umas 4 ou 5 milhas, até a ponte da RS-240 
(BR-287), de onde retornamos.





























O Rio Caí
A navegação pelo Caí vem desde os tempos de colonização da regiãobanhada pelo rio (Vale do 
Caí). A produção agrícola do Vale do Caí tinha no rio, seu principal meio de escoamento. Como 
em todo o estado do Rio Grande do Sul, a navegação comercial pelo Caí já passou por melhores 
dias. Em 1910, a construção de ponte ferroviária sobre o rio condenou sua utilização para fins 
de navegação comercial. A ponte, de muito baixa altura sobre o Caí (veja na foto ao lado) , 
impede a passagem de embarcações de médio porte. Quando o rio sobe, em épocas de maior 
precipitação, não passa nada por debaixo da ponte, a não ser água. Sua construção é 
considerada um "crime" por historiadores da região. Li na Internet que um político está 
pleiteando uma "pequena reforma" na ponte para que as embarcações possam passar por ali...
Durante o almoço, a rainha e as princesas deuma festa do município de Montenegro
 prestaram 
Montenegro
informações ao Comte Braun sobre as atividades no município, como a produção de cítricos, 
suinocultura e indústrias, como a de armas e munições CBC, e a John Deere, de máquinas 
agrícolas.
O município, hoje com 60.000 habitantes, era povoado por índios. Os portugueses, subindo o 
Rio Caí, instalaram-se na região em 1730. Depois vieram os alemães, italianos e franceses. 
Os Farrapos deram o que fazer, saqueando as estâncias da região. Em 1904 foi construído o 
cais do porto na cidade, o segundo construído no estado. Por situar-se na margem do rio Caí, 
Montenegro tornou-se polo de escoamento da produção da região.
Dentre os ilustres de Montenegro estão Pompílio Cylon Fernandes Rosa, ex-governador do RS, 
Augusto Licks, ex-guitarrista da bandaEngenheiros do Hawaii e 
Oswaldo de Lia Pires, famoso advogado criminalista.
das lanchas. Um deles, me deixou muito curiosoporque, atrás do piloto, havia uma roda 
"Jetski anfíbio"
Lá pelo meio do percurso, nos chamou a atenção dois jetskis que vinham saltando as marolas 
parecida com as de bicicleta.
Àquela distância (jet amarelo na foto ao lado), não dava para perceber mais do que isso. Vai 
ver que já inventaram o "jetski anfíbio" :)
O Comandante, que era o único que não havia bebido, não podia ficar olhando para trás.
Alguém na tripulação chegou a pensar que fosse uma cadeira de rodas... Não é cadeira de roda, 
nada! Mas bem capaz!!! Claro que é!!!...
Na medida em que o tal jet anfíbio se aproximava da popa da lancha, pudemos perceber o que 
realmente havia na popa do jet. Confira em Navegadores 670







Organização do VI River Tour
A realização do VI River Tour é da Motoryama/Nautiway, principal revenda de lanchas e 
jetskis do Rio Grande do Sul, sob o comando do Cmte Rogério Schroder. A logística incluiu dois 
botes infláveis para desembarque dos participantes, lancha com mecânico de prontidão, cálices 
de espumante gelado servidos na chegada sob toldo à beira do cais, e outros mimos mais.
O almoço foi servido no Clube de Regatas Caça e Pesca, em frente ao local de desembarque, 
com grande variedade de peixes, muito bem preparados.
Dias antes da data da largada, a Nautiway reuniu os interessados sobre o evento em churrasco 
na sua sede, onde as instruções e recomendações sobre o passeio foram passadas.













Parabéns à Motoryama/Nautiway pela competência na organização do VI River Tour, e ao líder do 
evento, Comte Marco Antônio Braun, da lancha Quatro Estações, pela navegação impecável, 
condução cuidadosa, e pelo fornecimento de informações pelo VHF.
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(*) "balça" (com ce cedilha) é a denominação de um tipo de vegetação aquática.

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Significado de alguns termos utilizados no texto (a pedido):


A montante: rio acima. Algo no Rio Caí "a montante de Montenegro" está entre
Montenegro e a nascente do rio. A ponte ferroviária 
citada está a jusante de Montenegro, ou seja, está rio abaixo ou em direção 
à foz, para quem está na cidade.
Margem esquerda: a indicação da margem direita ou esquerda de um rio 

depende de onde se está olhando? Não. A margem esquerda 
é a que está à esquerda de quem olha o rio, de costas para a nascente. 
A cidade de Montenegro está na margem direita do Rio Caí.
Mata ciliar: a mata ribeirinha. A que margeia um rio e outros corpos d'água.
Boreste e bombordo: lado direito e esquerdo de uma embarcação.
: medida de velocidade, equivalente a uma milha náutica/hora (1,852 km/h). 

Para estimar grosseiramente a velocidade em km/h, 
multiplica-se o valor em nós por 2. Assim, 24 nós equivale mais ou menos a 
48km/h.
Fundeado: ancorado; local de fundeio: local onde as embarcações ficam 

fundeadas.
Contrabordo: uma embarcação está a contrabordo de outra quando estão 

encostadas lado a lado.
Subir um rio: navegar rio acima, navegar em direção à nascente do rio.
Meandragem: formação de meandros; meandro é um tipo de curva do rio, 

formada e alterada naturalmente com o passar do tempo. 
Observe na imagem do roteiro acima (Navionics), que a meandragem do Caí 
é maior a montante da BR-386 do que junto à foz.

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