quarta-feira, 5 de março de 2014

3753 - Tanino Montenegro: uma indústria no centro da cidade

Domingos de Lucca comprou quase todo o quarteirão onde, anteriormente,
existiu a Cervejaria Jahn
As empresas Tanino Mimosa e TANAC surgiram na segunda metade da década de 1940 e deram grande impulso à economia do município. A ponto de Montenegro chegar a ser conhecida como a capital do tanino.
Além dessas duas empresas, houve outra chamada Tanino Montenegro, que funcionou nos pavihões da antiga cervejaria Jahn, que ocupavam quase todo  o quarteirão formado pelas rua Capitão Cruz, São João, Capitão  Porfírio e Olavo Bilac.  Bem no centro da cidade.
O empreendedor do negócio foi o empresário Domingos de Lucca, que adquiriu as instalações da família Jahn, menos a esquina das ruas Olavo Bilac e Capitão Porfírio, na qual residia Lote Jahn. A casa que aparece em destaque na foto acima, feita na década de 1960.
A Tanino Montenegro funcionou por alguns anos, na década de 1950, não teve o desenvolvimento esperado e acabou encerrando as suas atividades. O empresário tentou ainda desenvolver ali um negócio de carvão, mas também não teve êxito. Até porque a empresa produzia muita poluição. O que era intolerável numa área tão central.
Domingos de Lucca se destacava também pela cultura e o tinha o dom da oratória. Foi presidente do Lions Club em 1959. 
Percebendo o valor patrimonial da área em que se localizava a Tanino Montenegro, Domingos de Lucca foi reformando os prédios industriais e os dividindo em salas para serem alugadas.
Envelhecido e doente, passou a residir no piso superior do prédio principal da antiga Cervejaria Jahn, na esquina da Capitão Cruz com São João, defronte ao Clube do Comércio. Eli ele vivia recolhido e, como passatempo, passou a escrever crônicas no jornal O Progresso. Fazia uma coluna cujo titulo era "Da minha janelinha", na qual descrevia os acontecimentos que ocorriam na praça Rui Barbosa e seus arredores. 
Nesse período, já estava em idade bastante avançada. Faleceu em Montenegro no final da década de 1970.
Sua filha e herdeira preservou a maior parte do grande terreno da antiga Cervejaria Jahn. Vendeu apenas a esquina, onde se instalou um posto de gasolina.
O dinheiro dessa venda foi aplicado nas reformas que resultaram nas salas que circundam o imóvel e para a compra de um caminhão jamanta para o neto de Domingos de Lucca, Gerson de Lucca Green trabalhar com transportes. 
Hilton Green, que era genro de Domingos, foi o primeiro gerente das lojas Colombo em Montenegro.  Ele morreu num acidente automobilístico, quando dirigia na RS-240, perto da ponte sobre o rio Caí. Ele perdeu o controle da direção e o carro saiu fora da estrada.
Na esquina das ruas São Joáo e Capitão Porfírio os herdeiros de De Lucca fizeram parceria com a construtora RBM, construindo um conjunto de salas comerciais e apartamentos. A filha de Domingos de Lucca mora num desses apartamentos até hoje e recebe aluguel de outras salas e apartamentos que lhe couberam no negócio com a construtora.

Texto baseado em relato feito por Egon Arnoni Schaeffer





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