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| Descarregando areia, com carrinho de mão, no cais do porto de Montenegro |
O TRANSPORTE FLUVIAL NO RIO CAÍ
Eduardo Cesar Isse
Após o término da navegação através dos vapores, que eram propulsionados por caldeiras a vapor (entre outros, o Itália, Montenegro, Lajeado e Horizonte), surgiram as embarcações denominadas na época de gasolinas, ou lanchas a motor.
Esses barcos eram, na verdade, movidos por motores a óleo diesel, popularmente chamado de “óleo cru”. Os motores eram das marcas Otto, Deutz, Bolinder, Hanz, Mitz, Hatz e outros.
No final da década de quarenta e início dos anos cinqüenta, no século passado, pude observar a grande movimentação de barcos no nosso rio e em nosso cais.
Aqui em Montenegro, passavam vários barcos oriundos de São Sebastião do Caí, Matiel, Pareci, Porto dos Pereira e arredores. Geralmente, com destino a Porto Alegre, carregados de mantimentos, mercadorias, cítricos, verduras, lenha, alfafa, mudanças e móveis, entre outros produtos.
Destes barcos destacava-se como um dos maiores o barco denominado Liberal, de propriedade de Berwanger (aquele que foi o fundador da loja Caçula dos Móveis).
Outro barco que navegava nesta região, esse exclusivamente para o transporte de cítricos, era o barco Novo Condorzinho.
Da região do Pareci Novo, navegava o barco de nome Marqueza, de Alcides Moisés residente de Pareci Novo. Barco que era utilizado no transporte de lenha para Porto Alegre e, ao retornar, trazia areia para Montenegro.
Do Porto dos Pereira, entre outros, navegavam a Arca de Noé e a Querência, esta de Marcos Teixeira, pai de Luis Teixeira o qual transportava além de lenha, lages e pedras rumo à Capital. No seu retorno, trazia areia a Montenegro.
No cais de Montenegro, até as imediações do Estaleiro Bortolaso, atracavam inúmeros barcos que eram utilizados também no transporte de mercadorias que supriam as necessidades daquela época.
Além de banha e produtos produzidos pelo Frigorífico Renner, os barcos também carregavam produtos produzidos pela indústria de calçados Hach & Renner e pelo Curtume Montenegro, além das indústrias de tanino existentes na cidade.
Estes barcos, entre outros, denominavam-se: Pareciense, São Cosme, Ariranha e Acácia Negra, de propriedade da Navegação Renner e Schüler Ltda.
Depois surgiram a Nova Marqueza, Montenegrina e Marlene, de propriedade da Navegação Montenegro Ltda e os barcos Zilda ll , Gelsi e Santa Cruzense (ex-Liberal), de propriedade da Areiasul.
Além destes, atracavam no cais de Montenegro o barco Sirlei, de Benjamim Braga; a Nova Zelândia, de José Pinto de Azevedo; a Brahma de Serafim Barreto e Pedro Cristofari. Mais tarde atracavam também o Marimão, de. Dolício de Vargas e a Atalaia de Pedro Fagundes. Nas proximidades do Clube de Caça e Pesca, atracavam a Flor do Norte, a Serrana, a Nova Esperança, Salvador, Arirá e Itu, esta de. Baiano Braga.
Um pouco mais além, atracavam a Poeta, de Pedro Finger, a Favorita e a Baroneza. Já nas proximidades do Estaleiro Bortolaso, atracavam a Bela Rosa, de Valdomiro Mello, Dom Pedrito e Laudir de ... Barcelos. No Paquete, carregavam lenha para a capital o barco Gaúcho da Serra de propriedade de Egídio Müller (ecônomo do Clube do Comércio) e Celso Barreto.
Na localidade de Pesqueiro, a maioria destes barcos também atracavam para o carregamento de lenha, que era a principal fonte de energia, uma vez que ainda não existia o gás.
No Porto Ely, existia a Flor do Ely , a Isabel Maria e outros que carregavam tijolos fabricados pela Olaria Ely.
No Porto Garibaldi, os barcos Odalisca, Dilla, Véra Regina e Janota, além de outros, os barcos Odalisca, Dilla, Véra Regina e Janota carregavam a produção da Olaria Garibaldi.
Com o advento do transporte rodoviário, a partir da década de 70, a navegação fluvial foi extinguindo-se e hoje em nosso cais restam apenas três embarcações, são elas Santa Justina, Santa Marta e Santa Luiza, que transportam unicamente areia voltada à construção civil de Montenegro e região.
Matéria publicada no site da Areiasul
Foto divulgada por Eloisa Galeto na página de Facebook Montenegro de Ontem
Foto divulgada por Eloisa Galeto na página de Facebook Montenegro de Ontem

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