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terça-feira, 26 de agosto de 2014

4698 - Rui Sommer e o Encouraçado Butikin

Jovens montenegrinos paquerando num banco da Praça Rui Barbosa,
em Montenegro. Final da década de 1950. O primeiro é Artur Becker 

(filho do dono do armazém Vogt e irmão da restauradora Shirlei Becker), 
seguido de Júlio Cezar Cornélius (filho do maestro Emílio Cornelius, do 
Jazz  Azul). A seguir, vemos  Sérgio Alves de Oliveira (Ico, irmão de Celiza, 
cujo apelido era Ica). Sérgio foi o filho mais velho do prefeito Hélio Alves 
de Oliveira e está 
com um braço sobre o ombro de Júlio Cezar. O quarto na foto Danilo 
Cardoso, filho do engenheiro .... Cardoso, um dos diretores da construtora 
CCB. Depois dele, Geraldo Mottin, fundador do Laboratório Mottin. O sexto, 
olhando para o lado oposto ao da câmera, está Rui Sommer, que era filho do 
gerente do Banco Nacional do Comércio em Montenegro. O penúltimo é não 
identificado e o último é o comerciário Victor Weissheimer, filho de Arno 
Weissheimer e da atriz amadora e doceira dona Noca.




O livro Na ponta da Agulha (1), escrito por Claudinho Pereira, assim se refere à mais bem sucedida danceteria portoalegrense do século XX: o Encouraçado Butikin (nome alusivo ao Couraçado Potemkin),

"O Tatata Pimentel deu a ideia para o Rui Sommer: "Olha, estamos gastando muito dinheiro na boate dos outros, porque a gente não monta a nossa?". Daí, veio o Encouraçado Butikin. E aí o Edmund Rihan montou o La Locomotive, o Raul Moreau montou o Whisky a Go-Go... Foi assim que começou, também, a Cidade Baixa.

E assim começa Na Ponta da Agulha. Ao longo de suas 200 páginas, o livro percorre a trajetória de seu autor e da noite da Capital. Para cada nova casa no circuito - primeiro na Independência, mas também no Centro, na Cidade Baixa, na Protásio Alves -, há uma lista de músicas mais tocadas e alguma história pitoresca. Muitas linhas são dedicadas, também, aos lugares onde a noite acabava (a Tia Dulce e sua sopa de cebola, o Zé do Passaporte e seus lanches com molhos apimentados) e aos personagens que, segundo Claudinho, sempre foram sua única fonte de nostalgia e saudade do passado, como Gilda Marinho e Dudu Alvarez.
O Encouraçado Butikin é o ponto de partida. Inaugurado por Rui Sommer onde hoje funciona a casa noturna Beco, a boate ostentava a pompa de uma cidade que "achou que poderia ser Nova York", como destaca Márcio Pinheiro na apresentação do livro. O projeto arquitetônico rendeu prêmio a Milton Mattos. A logomarca (uma sereia-marinheira nua) foi criada por Ziraldo, e a placa da fachada, por Xico Stockinger. Passaram pelo Butikin Toquinho, Vinícius de Moraes, Nara Leão, Elizeth Cardoso e Maria Bethânia. Coisa fina.
Claudinho e DJ Gilberto eram responsáveis por comandar "as bolachas" da casa. Diferentemente de outras boates abertas na época, que dispunham apenas de tocadores de fitas de rolo, no Encouraçado, o som era em vinil.
Na pista do Encouraçado não podiam faltar Green River, do Creedence, Strangers in The Night, com Frank Sinatra, e I Left My Heart In San Francisco, com Tony Bennett. Como a importação de discos era proibida, para conseguir as canções era preciso ter conexões fortes."

1- Nome que faz alusão à música produzida nos toca discos da época do vinil, material utilizado para a fabricação dos discos musicais em meados do século XX. Uma agulha, delisando pelos sulcos existentes no disco, captava os sons dos cantores e orquestras.
2 - Nome de um navio de guerra russo e de um filme clássico do realizador Sergei Eisenstein.
Fotos do acervo de Júlio Cezar Cornelius disponibilizada 
por Romélio Oliveira

Um comentário:

  1. renato.pequenas retificaçoes,arthur becker era neto do antigo dono do posterior armnazem vogt e o pai de rui sommer trabalhava na biblioteca municioal,no qual tem uma sala com o nome dele jose sommer,que era padrinho de meu irmao aurelio.era casado com dona leocadia,residia em sao sebastiao do cai.a casa dos sommer ficava quase ao lado da fundarte.abraço romelio

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