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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

4839 - Militares alemães ajudaram a formar o Rio Grande do Sul

Os heróis que o Rio Grande esqueceu 

Todos os anos, na semana alusiva à Revolução Farroupilha, comemoram-se com destaque especial os feitos épicos de diversas personagens que, em ultima análise, queriam separar o Rio Grande do Sul do resto do Brasil.

General Gustavo Henrique von Braun
No ano de 1580 vagou, por falta de herdeiros, o trono português, que pertencia até então à Dinastia Filipina. A coroa portuguesa foi passada então ao trono do rei da Espanha, que pertencia à Dinastia dos Habsburgos, originários da casa real da Áustria.Para entender melhor esta afirmação, devemos voltar no tempo, até o ano de 1494, portanto dois anos depois do descobrimento da América pela Espanha e seis anos antes do descobrimento do Brasil por Portugal, quando a Igreja Católica promoveu um acordo entre espanhóis e portugueses na divisão das terras localizadas a oeste do Continente Europeu. Este tratado recebeu o nome da cidade espanhola onde espanhois e portugueses se encontraram para a discussão do acordo, chamada de Tordesilhas.
O tratado estabelecia um meridiano que seria os limites, sendo que a leste deste meridiano as terras seriam portuguesas, enquanto a oeste deste meridiano as terras seriam consideradas espanholas. Aqui o ponto geográfico sul de referência era a atual cidade catarinense de Laguna, sendo que ali terminava a América lusitana e começavaa América espanhola.
Durante sessenta anos, de 1580 até 1640, a Península Ibérica estava transformada em um único reino e, consequentemente, os limites do Tratado de Tordesilhas entre portugueses e espanhóis na América do Sul também desapareceram.
Foi nesta época que surgiram as incursões dos bandeirantes em terras espanholas localizadas ao oeste e sul do meridiano de Tordesilhas. Fundaram ali povoações lusas, como foi o caso do atual porto de Rio Grande, na barra da Lagoa dos Patos, e a Colônia do Sacramento, no estuário do Rio da Prata, hoje em território uruguaio.
Após 1640, com a restauração da coroa portuguesa pela Dinastia dos Bragança, surgiram inúmeros conflitos em decorrência do avanço português para além do meridiano de Tordesilhas.
A guerra guaranítica, no ano de 1750, em torno da posse da Região Missioneira, localizada ao longo do percurso fluvial do Rio Uruguai foi travada pelos índios Guaranis, catequisados pelos padres jesuítas, com os portugueses e espanhóis. Após a derrota da população missioneira, foram expulsos da Colônia do Brasil os padres jesuítas. Anos depois, até foi proibido falar o idioma nativo do guarani, tanto no Brasil como nas Províncias Platinas da Argentina e do Uruguai, menos no Paraguai, que manteve uma forte identificação com a língua e a cultura guarani até hoje.
Após a nossa independência (1822), em 1825 até 1828 eclodiu a Guerra Cisplatina entre luso-brasileiros e castelhanos. Os dois conflitos mencionados são os exemplos mais marcantes que influenciaram profundamente na ocupação definitiva da região meridional e oriental do Rio Uruguai.
No ano de 1762, cento e vinte e dois anos depois da restauração da coroa portuguesa pela Dinastia dos Bragança, o rei de Portugal resolveu formar uma força militar coesa e disciplinada na atual região meridional do Brasil, para assim assegurar a posse de uma vasta área de terras que estavam localizadas ao sul e a oeste do Meridiano de Tordesilhas que, geograficamente, tinha como ponto de referência a cidade catarinense de Laguna.
Para organizar este aparato militar, era necessário um oficial superior de alto nível, com grande experiência em logística militar, que o rei português não possuía no seu exército. Recorreu, então, a países europeus com destacados exércitos para obter um oficial de alta patente capaz de executar os seus planos militares para consolidar a fronteira meridional do Brasil.
Entretanto, aos espanhois era impossível pedir ajuda, pois estavam envolvidos aqui diretamente no conflito fronteiriço. Os franceses não eram confiáveis porque, por duas vezes, haviam invadido o Brasil. Da mesma forma os holandeses estavam descartados. Os ingleses também estavam excluídos por causa dos seus planos expansionistas. Restou então a Prússia, país que havia se formado a partir da fragmentação do Sacro Império Romano da Nação Germânica ou Alemã durante a Guerra dos Trinta Anos entre católicos e protestantes. Era sem dúvida uma nação que possuía uma respeitável tradição militar.
Brasão do General João Henrique Boehm
General Gustavo Henrique von Braun
O rei de Portugal dirigiu-se então ao rei da Prússia, que cedeu o General João Henrique Boehm. No ano de 1762, o General Boehm embarcou para o Brasil com um precário contingente militar formado por três companhias, a fim de organizar aqui, com mais o recrutamento de brasileiros, uma guarnição militar bem disciplinada e coesa que pudesse defender as fronteiras meridionais da Colônia. O rei de Portugal delegou poderes especiais ao militar prussiano que estavam acima dos poderes do vice-rei que administrava a colônia. É interessante destacar que uma destas companhias portuguesas estava sob o comando do avô do nosso futuro Duque de Caxias.
O trabalho do oficial superior Boehm no Brasil foi muito importante, pois quatorze anos depois, em 1776, foram expulsos os espanhóis da cidade portuária de Rio Grande, o que assegurou a posse de toda a Lagoa dos Patos e a região dos rios que desembocavam nela.
A guarnição militar organizada pelo General Boehm não só assegurou a posse do atual território do Rio Grande do Sul, como também foi a base para a formação do futuro Exército Imperial que deu a origem ao atual Exercito Brasileiro. Por isso, o General João Henrique Boehm pode ser considerado o fundador do atual Exército Brasileiro.
Três anos depois da proclamação da nossa independência de Portugal, em 1825, as Províncias Unidas do Rio da Prata, originárias do antigo Vice-reinado espanhol do Rio da Prata, declaram guerra ao recém-formado Império Brasileiro. Esta guerra passou para nossa história com o nome de Guerra Cisplatina.
Logo após a proclamação da nossa independência, o major Georg AntonSchaeffer, militar austríaco, muito chegado à sua conterrânea Imperatriz Leopoldina, foi enviado para a Europa, onde ele negociou o reconhecimento da nossa independência de Portugal com países europeus. Entre estes países estava o estado independente da Pomerânea que, como a Prússia e também a Áustria, país natal da Imperatriz Leopoldina, originou-se da fragmentação do Sacro Império Romano da Nação Germânica ou Alemã. Além de articular com o governo pomerano o primeiro reconhecimento oficial da nossa independência na Europa, também organizou a imigração, em 1824, dos primeiros colonos alemães, todos pomeranos, os quais foram assentados na Real Feitoria do Linho Cânhamo, hoje São Leopoldo. O principal objetivo desta colonização foi à consolidação dos limites meridionais do novo Império do Brasil com uma população absolutamente fiel ao governo imperial do Brasil, o que não acontecia com os habitantes nativos da região. Esta desconfiança confirmou-se uma década depois com a Guerra dos Farrapos, que começou em 1835 e terminou dez anos depois em 1845.
Na ocasião do início da imigração alemã para o Brasil também foi contratado pelo Major Schaeffer o General Gustavo Henrique von Braun, militar alemão que, por algum tempo, serviu ao exército inglês com o pseudônimo de Brown. Aqui ele organizou o Estado Maior do Exército Imperial Brasileiro.
No ano de 1827, durante a Guerra Cisplatina, um exército castelhano formado pelas Províncias Unidas do Rio da Prata invadiu a Província do Rio Grande do Sul. A invasão foi detida no atual município de Rosário do Sul, quando o exército invasor formado por mais de 8.000 combatentes foi enfrentado pelo Exército Imperial Brasileiro. Foi a maior batalha até hoje em solo brasileiro. Ali o General Gustavo Henrique von Braun, o fundador do Estado Maior do Exército Imperial, agiu heroicamente. Mesmo ferido por um projétil que transfixou a sua perna e matou o seu cavalo, conseguiu manter a ordem e a disciplina entre os comandados do seu flanco, alvo de ferozes ataques castelhanos, que causaram enormes baixas. É importante registrar que esta atitude corajosa do comandante e dos comandados acabou sendo decisiva para conter o inimigo e salvar o Rio Grande do Sul de uma nova ocupação castelhana. O Imperador D.Pedro I, em reconhecimento ao heroísmo do General von Braun, promoveu-o a marechal de campo.
Para concluir, tanto João Henrique Boehm como Gustavo Henrique von Braun são herois que o Rio Grande do Sul praticamente esqueceu. Sem eles não teriam existido as célebres personagens da Revolução Farroupilha que hoje veneramos.
 
*IVO BEUTER é historiador em Ijuí, RS
Veja mais em: http://www.brasilalemanha.com.br/novo_site/noticia/os-herois-que-o-rio-grande-esqueceu-por-ivo beuter/4818#sthash.UPezfl4l.dpuf

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