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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

5295 - O comércio caiense no inicio do século XX

Esquina das ruas Marechal Deodoro e 13 de Maio, onde Cristiano Trein tinha seu armazém

No ano de 1975, quando era comemorado o centenário da emancipação de São Sebastião do Caí, a caiense Helena Cornelius Fortes escreveu um precioso livro chamado Reminiscências. Todo ele em versos rimados.
Nele, em versos, ela resgistrou lembranças da sua infância e informações colhidas junto a pessoas idosas.
Num desses poemas, ela descreve o comércio caiense de antigamente.
Entre outros estabelecimentos refere-se ao de Firitz Engel, que vem a ser Frederico Engel, o construtor do prédio do antigo presídio, agora em vias de ser restaurado.
Reproduzimos aqui o poema na íntegra, com destaque para a referência ao armazém de Fritz Engel, no prédio construído por ele no ano de 1886 e que foi o maior edifício caiense até o ano em que foi inaugurado, na década ce 1960, o prédio onde funcionou a Caixa Econômica Estadual e hoje está instalado o Banrisul.

PRIMEIROS COMERCIANTES

Onde hoje está o Ginásio (1)
Cristiano Trein tinha armzazém
Vendia muito a varejo
e por atacado também.
Um quilo de feijão preto
custava um preto vintém.

Tempos depois Cristiano Trein
o seu armazém transformou
em fábrica de tecidos
à qual o seu genro associou (2)
nascendo então nessa terrra
a firma que a história marcou (3).

A firma A. J. Renner
na esquina da praça nasceu.
Mudou-se para Porto Alegre
e espantosamente cresceu.
O velho sócio Cristiano
sentado na esquina morreu (4).

A primeira loja de então,
de Fritz Engel lá na praia (5)
vendia desde a botina
até o gorgurão pra saia,
desde o brim mais reforçado
à delicada cambraia.

Hoje esse belo sobrado
com seus sólidos andares
serve pro Destacamento
de Policiais Militares.
O único, em cem anos, com quase quatro andares (6).

Quase uma quadra acima
Outro sortido armazém
de Alberto Thomaz Scherer
que a todos tratava bem.
Suas filhas eram bonitas
e muito elegantes também.

De uma delas, já idosa,
colhi muitas informações.
revivendo sua infância
com doces recordações.
Seu filho é o engenheiro
de  nossas atuais construções.

Pouco a pouco, às antigas,
novas firmas sucederam.
Três irmãos Müller e dois Mentz
boas firmas estabeleceram.
Jacob Weber e Felipe Ritter
do comércio também viveram.

Outros mais, bons negociantes,
que, alguns inda vou citar:
Thofern, Heimfarth, Rühe e Zirbes,
Leal e Wasen, pra completar.
João Carlos Edmundo Blauth
com armazém, víspora e bar.

Após esses pioneiros
outros negociantes surgiram.
Pequenos armazéns cresceram.
Grandes empresas sumiram
sem voltar os olhos
ao lugar onde nasceram.


1) Ginásio São Sebastião, atual Escola Estadual São Sebastião, situada no centro da cidade, ocupando um quarteirão inteiro e com frente para a praça Cônego Edvino Puhl.
2) O genro foi A. J. Renner, criador de grandes empresas, algumas ativas e prósperas até hoje, como a Tintas Renner e, principalmente, as lojas Renner.
3) As empresas lideradas por A. J. Renner.
4) Cristiano Trein, o mais bem sucedido comerciante caiense. Um dos homens mais ricos do estado, até pelo fato de ser sócio de A. J. Renner.
5) Fritz Engel, Frederico Engel ou Friedreich Engel, o construtor do prédio situado na rua Tiradentes que foi o mais alto da cidade desde a sua construção, no final do século XIX. A Praia pode significar a rua Tiradentes que, na época tinha esse nome ou o setor da cidade situado mais próximo do rio.
6) Além dos dois andares mais visíveis, o prédio tem um grande porão e teve também um sótão que foi demolido recentemente mas se vê nas fotos antigas.

Foto Google Maps






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