Google+ Followers

Google+ Followers

Google+ Followers

quinta-feira, 15 de março de 2018

5344 - História oficial de São Vendelino

A antiga casa canônica foi transformada em sede da prefeitura


No dia seis de fevereiro de 1855, o vice-cônsul francês, Conde Paulo Montravel, 
conseguiu a concessão do governo Imperial e comprou uma área de 16 léguas, situada no 
Forromeco Superior. Teria o prazo de cinco anos para colonizá-la. Enfrentando 
dificuldades financeiras, Montravel instituiu uma empresa colonizadora, juntamente com 
três sócios, Dr. Israel Soares de Barcelos, Dr. Dionísio de Oliveira Silveiro e João Coelho 
Barreto. A área de 16 léguas foi denominada de Colônia Santa Maria da Soledade, e foi 
dividida entre seus sócios. Cada lote recebeu a denominação de um dos sócios, sendo 
o Distrito Barcelos a atual São Vendelino, o centro da colônia. Portanto, o município de 
São Vendelino possui uma história muito mais antiga que muitos outros municípios da 
encosta do planalto, uma vez que sua ocupação é decorrente do segundo período de 
colonização alemã no Estado, iniciado a partir da segunda metade do século XIX.
Na atualidade, os municípios de São Vendelino e de Barão (Linha General Neto) e uma 
parte mais ao sul de Carlos Barbosa (Santa Clara, Santa Luíza e Santo Antônio do 
Forromeco) comporiam a colônia fundada por Montravel. Os primeiros habitantes de 
São Vendelino, segundo José Cândido de Campos Netto, em seu livro "Montenegro", 
editado em 1924, são os seguintes nomes: João Felipe Scheid, Antônio Kossmann, Antônio 
Ludwig, Nicolau Lermann e Nicolau Neis.
Registros assinalam que, em 1859, havia 1240 pessoas, perfazendo um total de 263 
famílias estabelecidas na Colônia Santa Maria da Soledade. Estes tinham as seguintes 
nacionalidades: 904 alemães, 81 brasileiros, 201 holandeses, 40 suíços, 13 belgas e 1 francês.
Destes, 622 eram católicos e 618 protestantes. Convém destacar que o plano inicial da 
empresa era que somente suíços seriam utilizados na colonização da região, o que 
demonstra que o plano inicial de Montravel acabou não se concretizando. A nova colônia 
era um mosaico de etnias.
Mas estas terras não eram totalmente desabitadas antes da chegada dos colonos. 
O território já se encontrava habitado por portugueses, uma vez que aparecem como donos 
de lotes nomes lusos. Além destes, havia os índios. Sentindo-se ameaçados devido à 
invasão de suas terras, os índios cainguangues, ou "bugres", como eram chamados pelos 
alemães, atacavam os lotes, destruindo as plantações, saqueando e matando os 
colonos. Um dos relatos mais impressionantes foi o ataque que aconteceu à família de 
Lamberto Versteg , por volta do ano de 1868. Eram moradores do lote nº 16 do Distrito
Coelho, à margem direita do Forromeco, uma área bastante acidentada. Na ausência do pai 
Lamberto, a esposa Valfrida e os filhos Jacó e Lucila foram atacados pelos bugres. 
Destruída a propriedade, a esposa e os filhos foram seqüestrados. De São Vendelino, 
partem os alemães em busca dos índios e da família de Lamberto, sem, no entanto, 
alcançarem o grupo. Apenas Jacó sobreviveu. Decorridos quase dez anos é que pai e filho 
irão se encontrar.
A falta de estradas para o transporte de mercadorias foi um dos fatores que dificultaram a 
fixação do imigrante à nova terra, a sua sobrevivência e principalmente o desenvolvimento 
econômico da colônia, uma vez que não pôde ocorrer uma produção em maior escala.
Em 1861, as dificuldades começam a ser superadas e São Vendelino se destaca quanto ao 
seu desenvolvimento. 
Torna-se a sede da primeira paróquia da região. Estavam estabelecidas 1387 pessoas, o 
equivalente a 291 famílias. Na época, a colônia contava com seis armazéns e outros 
estabelecimentos menores, um moinho em funcionamento e mais outro em construção, 
um ferreiro, um fabricante de cerveja , um charuteiro, um tecelão, um seleiro, dois 
marceneiros, três alfaiates, quatro sapateiros, cinco pedreiros, um tanoeiro e um funileiro.
Devido às dificuldades de ordem financeira, no ano de 1873, o governo imperial rescinde 
o convênio com a empresa colonizadora e a colônia é incorporada ao Império. Em 18 de 
janeiro de 1877, pelo decreto nº 6480, a Colônia Santa Maria da Soledade é emancipada 
 do regime colonial. Nesta época, o Distrito Barcellos passa a chamar-se de São Vendelino, 
devido à forte devoção 
que os imigrantes alemães católicos tinham ao Santo e pelo fato de diversos imigrantes 
terem vindo da cidade de "Sankt Wendel", no Estado de Saarland, na Alemanha.
Em 1879, São Vendelino deixou de ser freguesia e passou a capela curada de Bom 
Princípio. No ano de 1883, por ato municipal de Montenegro, é novamente elevada á 
freguesia e criado o distrito de São Vendelino.
Quanto a sua história política administrativa ao longo do século XX temos:
1953: através de consulta plebiscitária os moradores decidem anexar-se a São Sebastião 
do Caí; 1982: com a criação do município de Bom Princípio, São Vendelino é incluído neste 
novo município; 29/04/1988: emancipou-se de Bom Princípio através de um plebiscito; 
16/04/1989: primeira eleição.
São Vendelino e Sankt Wendel (Alemanha) - Cidades Irmãs
O município de São Vendelino tem sua população formada predominantemente por 
imigrantes alemães que com uma farta bagagem cultural, aqui se estabeleceram à 
aproximadamente 150 anos. Quem foram os primeiros imigrantes? Quando e de onde 
vieram? Aonde se estabeleceram? Estas são algumas das questões que sempre mais tem 
despertado o interesse de nossa população.Desde a primeira Administração Municipal, 
sempre se buscou incentivar trabalhos e ações que visassem resgatar e preservar 
dados históricos relacionados à imigração alemã no Brasil, e em especial, em São Vendelino.
Desde 1990 a administração municipal mantém contatos com a administração e 
moradores da cidade alemã de Sankt Wendel, no Estado do Saarland, na Alemanha. 
Com uma longa trajetória de pesquisa e com a comprovação através de informações de real 
valor sobre a imigração para o Brasil, que comprovam originar-se nossos antepassados da 
região do Saarland, podemos assegurar que existem profundos laços históricos e culturais 
que unem estas duas cidades, a começar pelo nome dado ao nosso município, em 
função da forte devoção que os imigrantes alemães tinham ao São Vendelino e pelo fato 
de diversos imigrantes terem vindo da região de Sankt Wendel (São Vendelino) / Alemanha.
Como resultado deste elo de interesses entre ambas as cidades podemos destacar a ida 
de 20 jovens estagiários para região de Sankt Wendel desde 1992; vinda anual de grupos
 de turistas daquela cidade para o RS e ida de moradores de São Vendelino para lá; 
apresentação de banda alemã em 
nossa festa maior, o Kerbfest; apresentações de grupos de dança vindos de várias regiões 
da Alemanha; vinda de grupo de prefeitos da Alemanha para São Vendelino; ida de 
grupos esportivos buscando integração 
esportiva e conhecimento da região e seus moradores; inclusão da disciplina de alemão nas 
escolas municipais; vinda de uma emissora de TV da Alemanha para elaboração de um 
documentário de São Vendelino; intercâmbio entre escolas das duas cidades, com troca de 
cartas entre crianças de 7 a 12 anos, e o principal, a vinda de representantes oficiais da 
cidade de Sankt Wendel para oficialização do intercâmbio que reconhecem Sankt 
Wendel e São Vendelino, cidades irmãs. Tudo isso visando sempre mais o interesse de se 
buscar um maior intercâmbio entre as duas cidades com a implantação de projetos 
sócio-econômicos e culturais.
O dia 18 de outubro de 2003 entrou para a história como uma das datas mais importantes 
da história de São Vendelino. Desde aquele dia, a cidade tornou-se irmã de Sankt Wendel, 
na Alemanha. A assinatura do documento que reconhece as duas cidades como "cidades 
irmãs" foi trazido da Alemanha por representantes do Executivo e Legislativo de Sankt
Wendel, e assinado pelos prefeitos de ambas as cidades.

Nenhum comentário:

Postar um comentário