terça-feira, 18 de agosto de 2009

183 - No seminário

Todos os professores, no seminário de Pareci Novo, eram padres e irmãos vindos da Europa, como o alemão Tiago Lörken e o suíço João Brugmann.
O jovem Balduíno sentia-se alemão (como era normal na região colonial àquela época). Tanto que, em 27 de outubro de 1917, quando o Brasil entrou em guerra contra a Alemanha, isto lhe causou forte indignação. Ele escreveu, então, para o seu tio Pedro Vier, que vivia no Seminário Leopoldense uma carta cheia de arroubos como este: “Que quer o estúpido Brasil contra a forte Alemanha? Ó Alemanha, defende-te contra 1.400.000.000 de inimigos.” Os padres faziam um esforço de desgermanização dos seus alunos e o tio Pedro censurou o sobrinho pela forma ofensiva com que se referira na carta ao Brasil. No ano seguinte, tendo o padre Bruggmann perguntado a Balduíno se ele era alemão ou brasileiro, este não respondeu, para não ter de manifestar a revolta que sentia quanto àquela obrigação de negar que o seu verdadeiro sentimento patriótico era voltado para a Alemanha.
Noutra ocasião, num grupo de seminaristas, um deles disse: “Se tivesse 50 mil réis, haveria de presenteá-lo ao Kaiser”. O padre João B. Droste, que era o prefeito de disciplina, soube disto e repreendeu o grupo nas seguintes palavras: “Que desatino o de vocês! Vocês não são nem sequer alemães, vocês são brasileiros! O que é, aliás, que vocês ainda possuem de germanidade? Um dialeto confuso, nada mais!” As palavras do padre (que era alemão, naturalmente) feriram profundamente o jovem Balduíno. “Mais uma vez”, comentou ele muitos anos depois, “estava eu diante do enigma de que subitamente não mais fosse aquilo que sempre fora.” Ele se sentia alemão.
Em fevereiro de 1919, Balduíno Rambo passou a estudar no Seminário Menor de São Leopoldo, onde ficaria por quatro anos. Ele era extremamente inteligente e esforçado, tirando quase que apenas notas dez (eventualmente um nove). Com 13 para 14 anos escreveu, a lápis, um livro intitulado História Antiga e Medieval, com 672 páginas. Um resumo de diversos livros que havia lido. História e Geografia eram suas matérias preferidas neste período da sua vida. O padre João Batista Reus foi seu professor de História Universal em 1921.
Em 19 de outubro de 1922 Balduíno prestou exames e, aprovado, foi admitido na Companhia de Jesus, tornando-se um jesuíta. Em fevereiro de 1923 Balduíno voltou a estudar no Pareci Novo, onde fez o noviciado. Com isto tornou-se um irmão jesuíta. Depois, no mesmo local (Colégio São José) fez mais dois anos de juniorado.

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