Onde hoje se situa Bom Princípio, no ponto em que o arroio Forromeco desemboca no rio Caí, a colonização foi promovida por João Guilherme Winter. Ele comprou uma grande área pertencente a uma viúva chamada Thereza Feijó, que não residia nas terras. E, em 1845, criou a colônia que veio a ser conhecida como Winterschneis (Picada Winter). Winter vendeu lotes para colonos alemães (ou de origem alemã já nascidos no Brasil) que foram se estabelecendo na área e formando um povoado ao qual foi dado o nome de Winterschneis. Em 1853, já eram 18 as famílias estabelecidas nas terras que Guilherme havia comprado para revender.
Houve uma certa demora na venda dos lotes e é bem possível que tenha ocorrido uma parceria entre Winter e o padre de São José do Hortêncio no esforço para convencer os colonos daquela localidade a adquirir lotes na nova colônia. Afinal, as terras ali ainda eram cobertas de mato, oferecendo grandes dificuldades para o trabalho agrícola. E, sobretudo, porque ali ainda era forte a ameaça de ataque por parte dos índios.
Provavelmente por influência do padre de Hortêncio, João Sedlack, que era jesuíta, Winter procedeu a uma certa discriminação na venda dos lotes, oferecendo-os unicamente a compradores que fossem católicos. Os jesuítas, naquela época, consideravam muito nociva a formação de comunidades nas quais se misturassem famílias de outros credos. Eles eram muito rígidos nas normas e defendiam de forma veemente a formação de colônias exclusivamente católicas. Eram radicalmente contrários, principalmente, aos casamentos mistos (aqueles em que o marido e a mulher são de religiões diferentes). Eles observavam que em famílias e em comunidades exclusivamente católicas a fé ficava mais fortalecida. E isto, realmente, aconteceu em Bom Princípio, que manteve-se uma comunidade quase que exclusivamente constituída de católicos e veio a se transformar - décadas após - no maior celeiro de vocações sacerdotais do Brasil.
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