O irmão Gelásio O. Mombach, no seu livro Sabedoria e Piedade, contou assim a história da vinda dos Irmãos Maristas para Bom Princípio:
“Eram os habitantes de Bom Princípio ciosos de suas tradições culturais e de sua peregrina formação religiosa e cívica.
Em fevereiro de 1900, reunidos em Congresso Católico (Katholiken Versammlung) em Santa Catarina da Feliz, sob a presidência do padre Jesuíta Rudgero Stenmanns, e convencidos de que era imprescindível dar aos seus filhos uma cultura mais ampla que a simples alfabetização, que o manejo das operações fundamentais, regra de três e juros, passaram os congressistas ao estudo de como proporcionar às novas gerações um grau de educação igual ao que possuía, então, a classe agrícola da Alemanha, a fim de trazer para aqui o progresso e a civilização da Alemanha.”
Observe-se já neste primeiro parágrafo como a cultura de primeiro mundo existente na Alemanha servia de parâmetro para as aspirações dos colonos de Bom Princípio. Era um modelo a ser seguido. A relativa riqueza obtida pelos colonos naquela época com a produção agrícola e a forte liderança do padre Stenmanns lhes davam as condições de aspirar a uma realização ambiciosa no campo da educação.
Continua a narrativa do Irmão Gelásio:
“Ao final resolveram criar uma Escola Complementar (Fortbildungsschule) que formasse líderes intelectuais católicos para o povo e professores paroquiais. Confiaram a execução da ingente tarefa ao Pe. Vigário e à generosidade dos bom-principienses. (...)
O Padre Rudgero, natural da Europa e conhecedor do trabalho educativo da Congregação dos Irmãos Maristas, mantinha correspondência com o Irmão Teofânio, Superior Geral.
O próprio Bispo, Dom Cláudio José Ponce de Leão, Bispo do Estado, estivera por duas vezes em Saint-Genis, casa generalícia do Instituto Marista, solicitando a vinda de Irmãos, filhos de Champagnat, a Bom Princípio.
Ultimados os entendimentos entre o Instituto Marista e Dom Cláudio, o Irmão Teofânio, em maio de 1900, encarregou a Província de Beaucamps, ao norte da França, de atender ao pedido de abertura de uma escola no Brasil sul, mas com irmãos que falassem alemão.
Lançado o convite de Irmãos voluntários que quisessem trabalhar em terras do Novo Mundo, entre os numerosos que se inscreveram, foram escolhidos os irmãos Weibert, Marie Berthaire (José) e Jean Dominici (Domingos).
Terminados os preparativos, no dia 15 de junho de 1900, numa sexta-feira, os três dirigiram-se ao santuário nacional francês de Montmartre, em Paris, para entregar ao Coração de Jesus o sacrifício dos familiares e da Pátria. (...) No dia 19 do mesmo mês embarcaram no porto de Le Havre, no navio Guaíba pertencente à Companhia Hamburguesa de Navegação, para a América do Sul (Hamburg-Südamerikanisch Dampfschifffartsgesellschaft). A travessia durou cinco semanas durante as quais os Irmãos melhoravam seus conhecimentos da língua alemã. Desembarcaram em Rio Grande, “felizes”, na expressão Irmão Weibert, “por terem chegado à terra prometida”. Para desembaraçar as bagagens da alfândega, compostas exclusivamente de roupas e objetos de uso pessoal, o inspetor exigiu o pagamento exorbitante de 600$000, deixando os Irmãos sem um único vintém disponível. Entraram assim no campo de luta sem recursos materiais, somente confiados no Coração de Jesus, na proteção de Nossa Senhora e na boa vontade e ajuda de pessoas amigas.
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