Aos chegarem em Rio Grande os primeiros irmãos maristas chegados ao Brasil tomaram o naviozinho “Mercedes” que, depois de dois dias pela Lagoa dos Patos e pelo Rio Guaíba, os trouxe a Porto Alegre. Tanto em Rio Grande como em Porto Alegre os Irmãos foram acolhidos e hospedados pelos padres jesuítas. A 1º de agosto partiram de Porto Alegre no vaporzinho fluvial Dom Pedro II que, em 15 horas de viagem, os levou a São Sebastião do Caí, pernoitando na cidade, novamente nos jesuítas.
Finalmente, no dia 02 de agosto, chegou a Caí um grupo de cavalarianos para buscar os Irmãos. Com eles veio uma viatura de quatro rodas, limpa, recém-pintada, puxada por dois cavalos, conduzidos pelo Sr. João Guilherme Rodrigues da Fonseca... (Que mais tarde se tornaria o subprefeito de Bom Princípio).
Esta foi a comitiva dos bom-principienses que introduziu os três Irmãos na paróquia. (...) Na entrada da vila foram-lhe ao encontro alegres grupos de paroquianos, que receberam festivamente os Maristas, ao espocar de morteiros (Katzeköpp) e estrugir de foguetes, passando eles sob arcos de triunfo e através de caminhos engalanados com bandeirinhas, verdes festões e flores.
Na porta da igreja paroquial, o Pe Rudgero Stenmanns os recebeu de braços abertos, com as palavras que comoveram a todos: “os filhos da Companhia de Jesus recebem os filhos da Congregação de Maria”. Todos entraram na igreja. Os Irmãos agradeceram a Deus e a Nossa Senhora a proteção de longa viagem e renovaram a consagração da obra marista que iriam começar. Da igreja, o padre vigário os conduziu à residência, uma casa com sala única, com três camas de vento, três cadeiras de palha e três bacias para se lavarem. Era o conforto da época. As crônicas de Bom Princípio acrescentam: No bolso 0$000.
Até selos foi preciso esmolar a fim de informar os superiores da Europa sobre o feliz êxito da fundação. Feliz? - Sim, pois embora os irmãos carecessem de tudo, os colonos dadivosos providenciavam ao necessário. Não passavam manhã sem que algum campônio ou alguma colona caridosa se achegassem e oferecessem gratuitamente ovos, manteiga, batatinhas etc. Não lhes faltou, sobretudo, o auxílio generoso dos padres da canônica, inaugurando uma tradição de estreita colaboração, com destaque, mais tarde, de Mons. José Becker, vigário por mais de 35 anos.
No dia seguinte, 03 de agosto, primeira sexta-feira do mês, na missa solene, imensa massa popular enchia a igreja paroquial. O vigário, em nome da paróquia, deu as boas-vindas aos Irmãos, apresentando-os ao povo.
Ao apresentá-los, o Pe. Rudgero teria informado aos presentes que cada irmãos receberia, pelo trabalho, o soldo mensal de trezentos réis.
Consta que um dos colonos, metido a gaiato, se saiu com esta: “Dia Leit is dass awa ein téia Fleisch!” (Que carne caríssima é esta!), causando espanto e risadas.
Na santa comunhão o Padre, os Irmãos, o povo, unidos consagraram ao Sagrado Coração de Jesus a nova obra educativa cristã que se estava inaugurando no Estado do Rio Grande do Sul. No final da missa, em uníssino entusiasmo, todos entoaram o “Grosser Gott wir oben Dich” o Te Deum popular dos alemães.
A cerimônia encerrou com a benção do Santíssimo Sacramento. No dia 16 de agosto iniciaram as aulas na Escola Paroquial, num pequenino prédio cedido pela comunidade.
Estava assim dado o primeiro passo da caminhada marista em terras do Rio Grande, com o Colégio Coração de Jesus.
Em breve haveriam de chegar mais levas de Irmãos: alemães, franceses e espanhóis.
Já no primeiro lustro do século fundaram-se: em 1904, o Ginásio Santo Antônio, de Garibaldi; o Colégio Sant´Ana, de Uruguaiana, e a Escola Paroquial São Luiz, origem do Colégio Santa Maria (1905). Em 1903 os Irmãos Maristas assumiram a Escola Paroquial dos padres jesuítas, em Santa Cruz, que deu origem ao Colégio São Luiz.”
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