sábado, 24 de outubro de 2009

501 - O homem que merece ser santo

Como arcebispo, ele fundou 150 paróquias, ordenou 493 padres e 15 bispos e ainda sagrou mais de cem freiras e irmãos. O seu exemplo frutificou, a ponto de tornar a pequena Santa Teresinha e localidades vizinhas o maior celeiro de vocações religiosas do país.
Mas além da intensa preocupação com a religião, Dom Vicente também se ocupava muito com as questões sociais. Preocupou-se principalmente com a situação dos agricultores que, na sua época, estavam sendo expulsos das suas terras para uma vida marginal, na periferia das grandes cidades. Em 1963 ele criou a Frente Agrária Gaúcha, o que resultou na formação de 357 sindicatos congregando 1,5 milhão de agricultores e trouxe grandes benefícios para toda esta gente que, do contrário, não teria outra alternativa se não o êxodo e a marginalidade.
Aos 79 anos pediu ao Papa que o liberasse das atividades eclesiásticas, pois ele pretendia assumir uma outra missão importante. A Santa Casa de Misericórdia, que foi o primeiro hospital do estado (fundada em 1800) estava a ponto de ser fechada. Com os prédios arruinados e total carência de recursos, atendendo apenas a indigentes e sem dispor de remédios para ministrar a eles, o hospital agonizava. Já se falava até de demolir os prédios para usar o terreno para a instalação de um Shopping Center. Em 1982 o Papa concedeu a aposentadoria a Dom Vicente e ele assumiu mais esta grande missão. Viveu mais onze anos, lutando contra sérios problemas de saúde, mas conseguiu, neste seu final de vida, mais um feito maravilhoso. Com sua força moral ele mobilizou a comunidade gaúcha e transformou o velho hospital arruinado num dos mais avançados centros médicos do planeta. No ano 2.000 a Santa Casa contava com 900 médicos, 4.900 funcionários, 1.175 leitos, 160 consultórios e 30 salas de cirurgia. Tornou-se um complexo hospitalar com 11.200 metros quadrados de área. A Santa Casa é o maior hospital do Brasil e por ela circulam, diariamente, 20 mil pessoas. Nos últimos oito anos foram atendidas ali cerca de 2.500.000 pessoas. Equipado com o que há de mais moderno na Medicina e contando com profissionais de nível internacional, a Santa Casa é o mais avançado hospital brasileiro para realização de transplantes.
O menino do Forromeco morreu no dia 8 de março de 1996, recebendo homenagens de milhões de pessoas às quais ele beneficiou com sua obra maravilhosa.
Diante de uma vida assim tão admirável, o bispo Dom Antônio Cheuiche, que trabalhou com ele na arquidiocese como Bispo Auxiliar e hoje é secretário do Papa, no Vaticano, não teve dúvidas em declarar: “Se houver uma iniciativa no sentido de buscar fundamentos para a canonização de Dom Vicente, eu serei o primeiro a dar apoio a ela”.
Nada mais natural e justo do que isto. Pois se a Igreja exige para a canonização de um santo que ele tenha realizado alguns milagres, salvando a vida de algumas pessoas enfermas, é mais razoável ainda que se canonize um homem santo como este, que lutou pelo bem estar dos pobres usando para isto suas últimas forças. Dom Vicente produziu milagres que já salvaram, e vão ainda salvar no futuro, as vidas de milhões de pessoas.

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