Quando menino, Vicente destacou-se muito na escola da localidade, onde estudou de manhã e de tarde, recebendo aulas do rigoroso e exigente professor Johann Gehlen (imigrante nascido na Alemanha). Alfredo Vicente foi sempre o primeiro colocado nesta escola básica, do primeiro ao último ano. Depois disto ele ingressou no Seminário de São Leopoldo, onde despertou a atenção de um mestre muito especial: o Padre Reus. Pessoa iluminada, o padre-professor vislumbrou no seu jovem aluno um destino fulgurante e passou a dar-lhe atenção especial. O Padre Reus exigia tanto do garoto nos estudos que este sentiu-se perseguido e pensou até em abandonar o estudo no seminário. Mas, ouvindo o conselho dos pais, persistiu e acabou entendendo as razões do seu mestre e aproveitando bem a sua disposição de dar-lhe uma formação especial.
Aos 22 anos, Alfredo Vicente concluiu seus estudos no Seminário de São Leopoldo como primeiro colocado na sua turma e foi distinguido com o privilégio de ir estudar em Roma, onde ficou por três anos aprofundando seus conhecimentos. Tanto estudo fez do coloninho do Forromeco um homem de extraordinária cultura, com domínio do alemão, francês, latim, italiano e português. Ainda em Roma ele escreveu sugerindo que o nome da sua localidade natal fosse mudado para Santa Teresinha do Forromeco. Idéia que foi acatada pelos seus conterrâneos.
Ao retornar ao Brasil, o jovem sacerdote tornou-se secretário particular do bispo Dom João Becker, em Porto Alegre. Em 1930, quando os gaúchos lideraram uma revolução que resultou na tomada do poder nacional pelo governador gaúcho Getúlio Vargas, o jovem padre acompanhou, como capelão, as tropas que tomaram o Rio de Janeiro. Desde aquela época surgiu uma amizade entre Getúlio e o sacerdote, que sempre foi chamado para celebrar os batizados e casamentos ocorridos na família do Presidente da República.
Quando voltou para o Rio Grande do Sul, o padre Alfredo Vicente atuou em paróquias do interior até assumir, em 1935, a paróquia do bairro São Geraldo, uma comunidade de operários. Mostrou ali ser um sacerdote de grandes iniciativas e desenvolveu a sua preocupação social.
Em 1945, quando o arcebispo metropolitano Dom João Becker já estava muito doente, a Igreja já via o padre Alfredo Vicente como a pessoa mais indicada para sucedê-lo. E tratou de promovê-lo para esferas mais elevadas da hierarquia eclesiástica. Em 1946 Dom João faleceu e, no ano seguinte, o padre Vicente foi sagrado Bispo. E, no mesmo dia, foi consagrado como Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre.
Ele passou a ser conhecido, então, como Dom Vicente Scherer. Ao longo de 35 anos Dom Vicente comandou a Igreja no Rio Grande do Sul, tornando-se uma das mais notáveis personalidades gaúchas de todos os tempos. Mostrou coragem nos momentos mais aflitivos, como aquele em que - no ano de 1964 - a Força Aérea Brasileira recebeu ordem de bombardear o Palácio Piratini, onde o governador gaúcho Leonel de Moura Brizola resistia ao golpe de estado contra o presidente João Goulart. Dom Vicente se postou diante do Palácio Piratini e mandou avisar que se os aviões bombardeassem o prédio ele morreria junto.
relato fidedigno. -
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