Nos primeiros tempos da colonização, por outro lado, muitos colonos se instalavam em terras longínquas, distantes das vilas e do comércio. Isso os forçava a ser muito moderados nos gastos de certos bens, pois para adquiri-los era necessário fazer longa caminhada até o armazém mais proximo. Daí a fama de pão duras que tinham nossas colonas.
Conta-se que, certa vez, estava um colono morrendo na cama e a sua esposa chorando ao seu lado. Na mão do morimbundo, a vela acesa indicava que seu momento final se aproximava.
Mas, por maiores que fossem os indícios de que o desenlace poderia ocorrer a qualquer momento, a coisa, na verdade, custava a acontecer. A noite ia chegando e esta é uma hora em que todo colono tem um compromisso sagrado. Quando começa a escurecer, as vacas e terneiros veem espontaneamente para a estrebaria e o colono tem de dar-lhes o trato (comida) e fechar a cancela, deixando-os alimentados, presos e seguros.
A colona, portanto, teve de abandonar o marido no seu leito de morte.
- Valfrido - disse ela - Eu tenho de dar trato pras vacas.
E, movida pelos seus velhos hábitos de economia, falou distraidamente:
- Antes de morrer, não esquece de apagar a vela.
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