sábado, 7 de novembro de 2009

582 - Combate na neblina do Portão

O Capitão Antônio Machado de Souza, conforme narra seu neto, o historiador Antônio Carlos Fernandes Rosa, "pertencia à coluna do bravo farrapo João Antônio da Silveira (Coronel João Antônio da Silveira) que, como Bento Gonçalves e muitos outros, deu tudo de si pela causa da revolução. Inclusive a saúde e a fortuna, pois ambos morreram empobrecidos.
Antônio Machado de Souza, o Capitão Machadinho foi incumbido por João Antônio (então acampado em Triunfo) de se dirigir até as proximidades de São Leopoldo com um piquete de reconhecimento.
O objetivo era observar e colher informações sobre o movimento do batalhão de 400 homens comandados pelo Coronel João Daniel Hillebrandt. Devia ir com muito cuidado, para não ser pressentido e cumprir sua missão com o possível sigilo, em segredo.
O Capitão Machadinho seguiu para São Leopoldo. Depois de passar o rio Caí sem ser visto e cruzar Capela de Santana e os altos do Rincão do Cascalho, descia para a várzea do Arroio Portão, quando teve de penetrar numa densa cerração. Um nevoeiro tão intenso que tornava as coisas invisíveis a uma distância curta (esses nevoeiros até hoje se verificam ali, em certas manhãs muito húmidas).
Acontece, então, o imprevisto e indesejado: o Capitão Machado quase se pecha com um piquete alemão por um tal de capitão, ou major, Kersting ou Kerst. Um militar que fora oficial de carreira na Alemanha e viera para o Brasil não como colono, mas como mercenário trazido por Dom Pedro I, como muitos outros, para combater os argentinos, o qual servia, na ocasião, no corpo comandado pelo Coronel Hillebrandt.
Como a missão não era de luta e como os farrapos não odiavam os alemães, que no princípio tinham sido até seus partidários, o Capitão Machado mandou que seus comandados se mantivessem onde estavam e dirigiu-se sozinho ao comandante alemão. Pretendia parlamentar e evitar um choque.
O alemão, porém, não tinha a mesma disposição e, arrancando rapidamente a sua pistola, alvejou Machado com dois tiros, que não atingiram o alvo porque Machado esporeou o cavalo antes que a pontaria do alemão pudesse ser feita com precisão. Machado revida pela mesma maneira, alvejando o adversário com dois tiros de sua pistola. Mas esse também se esquiva. Atiram-se, então, os dois no e se empenham em luta a espada, posto que as pistolas estavam descarregadas."

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