
Quando Jair Baumgratz elegeu-se primeiro prefeito de São Vendelino, seu irmão César (foto) era vice-prefeito do município mãe: Bom Princípio
No dia 16 de abril, os vendelinenses foram às urnas. Como era a única eleição municipal realizada no estado naquele dia (nos outros municípios, as eleições haviam acontecido cinco meses antes), a imprensa da capital deu grande cobertura ao pleito. Dizia-se que aquela era uma eleição solteira.
Dos 707 votos válidos, 406 foram para Jair Baumgratz e 301 para o seu opositor, o doutor Léo Angst. Um resultado que causou grande surpresa na região, pois o doutor Angst era figura de destaque da política regional há vários anos enquanto que Jair era quase que totalmente desconhecido fora do seu município e havia recém despontado para a política.
Repetira-se o mesmo fenômeno ocorrido seis anos antes em Bom Princípio. Naquela ocasião o grande líder emancipacionista de Bom Princípio, Arno Carrard, perdeu a eleição para o pouco conhecido Hilário Junges. E, da mesma forma como havia ocorrido na primeira eleição municipal de Bom Princípio, se temeu que os eleitores haviam cometido um grande erro ao eleger Hilário em lugar de Carrard. Também no caso de São Vendelino muitos imaginaram que confiar o governo municipal ao jovem e inexperiente Jair Baumgratz teria sido uma decisão errada.
Naquele dia, um domingo, a Rádio Gaúcha transmitia um jogo do Grêmio e interrompeu a transmissão para colocar no ar uma conversa telefônica em que o governador Pedro Simon falava com o novo prefeito eleito. Jair, emocionado e ainda desacostumado a enfrentar tais situações, quase não conseguia pronunciar as palavras que o rádio estava levando para grande parte do país. Só conseguia dizer “obrigado, obrigado” em resposta às felicitações e aos desejos de sucesso que lhe eram dirigidos pelo governador. “Será que Jair não estaria tão despreparado para governar quanto para falar no rádio?”, foi uma pergunta que muitos fizeram, naquele momento.
Depois de tantas emoções, Jair teve de afastar-se de São Vendelino para refrescar a cabeça num passeio com a esposa e o filho Matheus, então com quatro meses.
Mas as emoções estavam apenas começando. Num município que teve um nascimento tão tumultuado, a primeira eleição não poderia transcorrer sem alguma contestação judicial. E ela veio.
O irmão de Jair, César Baumgratz, havia se elegido vice-prefeito de Bom Princípio na chapa de José Ledur. José era um homem simples, de pouco estudo e de muito trabalho. E, ao que parece, não se sentiu muito bem sentado na cadeira do prefeito. Quis partir logo para a ação. Ele era do tipo de administrador que gostava de comandar obras, de ficar junto com os operários e até de assumir pessoalmente a operação das máquinas. Por isto, pouco depois de assumir a prefeitura, ele tirou uma licença do cargo, deixando o seu vice-prefeito assumir em seu lugar.
Este fato foi aproveitado pelo PDS de São Vendelino para impugnar a eleição de Jair Baumgratz. A alegação era a de que tendo César assumido o cargo de prefeito poderia ter auxiliado seu irmão Jair na campanha política. Afinal, a área emancipada de São Vendelino pertencia a Bom Princípio e César poderia ter usado o seu poder de prefeito para favorecer o irmão no pleito.
O caso foi parar no Tribunal Regional Eleitoral e lá Jair foi defendido pelo advogado e líder emedebista Arno Carrard. A defesa alegou que César não era o prefeito de fato, já que José Ledur permaneceu no município e era ele quem realmente mandava na prefeitura durante o período da suposta governança de César. Recortes do jornal local (Fato Novo) foram utilizados para mostrar que era Ledur quem dava entrevistas e tomava todas as medidas fundamentais para do governo no período da sua licença.
Jair presenciou ao julgamento e não conseguia entender a linguagem técnica utilizada por juízes e advogados. Só compreendeu que havia ganho a causa quando Arno Carrard lhe fez, com a mão, um sinal de positivo.
Dois dias depois, 1° de junho de 1989, ocorreria a sua posse e só naquele momento ele teve a confirmação de que seria realmente o prefeito. Pode se imaginar a grande festa que seus correligionários fizeram no dia da posse, depois de uma vitória tão difícil.
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