Neste período, como não podia ler, desenvolveu sua cultura ouvindo os bons programas transmitidos, naquela época, pela rádio Guaíba.
Já adulto descobriu o Centro Louis Braille, em Porto Alegre, onde aprendeu a ler e escrever na linguagem dos cegos e, também, teve aulas de acessibilidade, que lhe deram condições de caminhar sozinho pelas movimentadas ruas de Porto Alegre.
Assim, não se acomodando, correndo atrás, seguiu o caminho do seu crescimento pessoal, que permitiu a Santos chegar até à universidade.
Hoje, Santos é uma pessoa de grande sucesso. Ele é chefe de gabinete do senador Paulo Paim e coordenou a participação do senador na criação do Estatuto da Pessoa com Deficiência. Tarefa que levou Santos a percorrer todos os estados brasileiros, debatendo a questão e recolhendo sugestões.
Santos é um dos maiores nomes brasileiros na questão das relações sociais, no que diz respeito às diferenças. Ele influi no modo como os brasileiros estão enfrentando os problemas de relacionamento entre pessoas diferentes. O que inclui o cego, o surdo, o idoso, a criança, o pobre, o rico, o negro, o branco, o homossexual, o heterossexual.
Enfim, todas as pessoas são diferentes de alguma forma e é preciso que a sociedade aprenda a lidar com isto. Trabalho no qual o caiense Santos Fagundes desenvolve um papel fundamental.
O seu trabalho de conclusão, no curso de Ciências Sociais, trata do assunto das diferenças e foi aprovado com nota máxima.
Que diria que o menino pobre nascido no Campestre da Campestre da Conceição chegaria tão longe?
E mais: será que a sua trajetória de vida seria assim tão extraordinária e admirável se ele não houvesse ficado cego?
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