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sábado, 1 de janeiro de 2011

1058 - Os ploa

A discriminação racial foi causa de fortes conflitos entre pessoas de origem lusa e germânica


Houve, no passado, forte discriminação racial na região de colonização alemã.  As pessoas de origem alemã tinham, geralmente, um sentimento de superioridade em relação ao povo de origem portuguesa. Muitas famílias alemãs não veriam com bons olhos o fato de um filho ou filha casar com alguém de origem portuguesa (também chamados de brasileiros).
Claro que, entre as pessoas de bom senso, havia a ponderação de que "existe muito brasileiro que é pessoa digna e honesta e tem muito alemão que não vale um tiro".  
E este, por seu lado, mostravam ressentimento quanto ao comportamento dos germânicos. Era comum que os luso-brasileiros provocassem o teuto-brasileiro (de origem alemã) o chamando de alemão batata.
As pessoas de origem alemã costumavam chamar os lusos de "ploa", dando à palavra um sentido pejorativo, ou não. Esta expressão, que ainda é usada entre os teuto-brasileiros do Rio Grande do Sul, significa simplesmente luso-brasileiro.
Ploa, conforme se houve das pessoas que usam o alemão na nossa região significa azul. Uma variante (no dialeto falado na região alemã do Hunsrück) da palavra alemã bloa, cujo significado é azul. Mas por que chamar os brasileiros lusos de azuis?
Informações contidas no livro Memórias do Povo Alemão do Rio Grande do Sul, de Felipe Kuhn, explicam o motivo de tal uso.
Acontece que a França, na época de Napoleão, expandiu suas fronteiras e conquistou regiões da atual Alemanha. O povo local ficou submetido ao exército francês, que lhe impunha pesados tributos e outras formas de submissão. Documentos oficiais, como certidões de casamento, eram obrigatoriamente escritas no idioma francês. Ocorriam, certamente abusos e arbitrariedades cometidas pelos soldados e oficiais franceses. Como os oficiais franceses usavam uniforme azul, os franceses eram chamados de bloa (ou ploa, na região do Hunsrück).
Desta forma, os inimigos do povo do Hunsrück eram apelidados de ploa. E esse costume foi trazido para o Brasil pelos imigrantes.
Conforme escreveu Felipe Kuhn, "os azuis eram todos aqueles que, por não serem falantes da língua alemã e não serem germânicos, se tornavam inimigos naturais dos descendentes de imigrantes."
Ainda segundo Kuhn, os colonos alemães do Rio Grande do Sul denominavam assim os índios e os negros. Mas é inegável que, no século XX, e mesmo hoje, os descendentes de germânicos que falam o alemão usam a palavra para designar os brasileiros de origem lusa. Os negros, por sinal, são chamados de schwarz. Ou seja: pretos.
Diga-se, porém, que hoje a palavra ploa não carrega mais um significado fortemente pejorativo. Há uma grande integração entre as populações de origem lusa e germânica, inclusive quanto a casamentos.
No passado, porém, não era assim. Havia discriminação e ressentimento, que vinham à tona em brigas entre pessoas das duas origens. Isso foi particularmente notado quando, em duas ocasiões no século XX (1914 a 1918 e 1939 a 1945), a Alemanha se envolveu em guerras mundiais e o Brasil ficou do lado oposto a ela, tornando-se inimigo. Nessas ocasiões, grupos de luso brasileiros chegaram a incendiar empresas e outras entidades pertencentes a pessoas de origem germânica. Fatos que ocorreram mais fortemente em Porto Alegre.
A discriminação existente entre as comunidades de origem germânica e lusa foi, no passado, um assunto muito delicado, que procurava se tratar com muita cautela. Tratar do assunto era tabu. Hoje, com a discriminação fortemente atenuada, se torna necessário reconhecer a realidade e tratar do assunto de forma clara e aberta.
É notável o fato de que o Grêmio Futebol Porto Alegrense, clube fundado por descendentes de alemães, não aceitava jogadores negros no seu time.  Discriminação que causou grande prejuízo ao clube. Na década de 1940, o rival Internacional (que não fazia discriminação) massacrava o Grêmio com o seu time que ficou conhecido como rolo compressor. 
Foi só no ano de 1952 que o Grêmio, por decisão de diretoria, revogou a norma e contratou o seu primeiro jogador negro (Tesourinha). Fato que, inclusive, causou fortes protestos por parte de uma parte da sua torcida.

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