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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

2781 - Antiguidades: do dente de ouro ao automóvel






Carros antigos são recuperados e ficam em estado de novo
Muitos prédios estão sendo construídos na cidade atualmente.  Mas, talvez, o que mais está chamando atenção atualmente é uma construção de madeira, de estilo rústico. Ela está bem situada: no ponto de encontro de duas das mais importantes avenidas caienses: a Egydio Michaelsen e a Osvaldo Aranha.
Vitor Diell é o proprietário e autor da singular obra arquitetônica. Ele tem 50 anos de idade e uma profissão pouco  comum: a de restaurador de carros antigos. E não é o único na família. Seu irmão Sandro também exerce o ofício.
A aptidão para essa profissão, Vitor adquiriu desde a infância, trabalhando com seu pai, seu Nelson Diell, que foi um dos pioneiros do comércio de antiguidades no Caí. Contemporâneo de Plínio Junchem. 
Seu Nelson começou a trabalhar com a compra de laranja, aipim e outros produtos coloniais, que vendia nas cidades. Aos poucos foi descobrindo que também valia a pena comprar dentes de ouro, gramofones e moedas dos colonos. Assim foi surgindo o comércio de antiguidades que, hoje, é uma especialidade caiense. O negócio foi evoluindo e os móveis antigos assumiram o papel de maior destaque no ramo das antiguidades. Até chegar-se aos carros antigos. No início, os colonos até davam de graça algum carro velho, imprestáveis, que estavam largados na sua propriedade.
Vitor, o “arquiteto” do celeiro, acompanhava seu pai, ajudando no trabalho e foi aprendendo aos poucos. Hoje se dedica apenas à restauração de veículos antigos. Virou um especialista. Para reconstituir uma velha carcaça e deixá-la como nova, ele compra peças nos Estados Unidos e faz um paciente trabalho de reconstituição das partes dos carros que ainda têm condição de ser recuperadas. Um trabalho artesanal, que Vitor faz pessoalmente.
Desde os nove anos de idade, ele já sabia dirigir automóvel e caminhão e, aos doze anos, comprou seu primeiro carro: um Chevrolet 1951. Um pouquinho mais velho do que ele. Um carro que ele comprou estragado e recuperou. Não por ser um atingomobilista, mas para ter um carro. 
Vitor trabalhava mas ganhava pouco. Não dava para comprar um carro novo. Então ele comprava um carro velho, por muito pouco ou quase nada, e o reformava. E assim. Meio sem querer, foi aprendendo o seu atual ofício.
Hoje ele restaura velhas carcaças, compradas em leilão, e vende carros em estado de novo. A qualidade do seu trabalho é reconhecida internacionalmente e seus clientes são, principalmente,  dos Estados Unidos, Alemanha, São Paulo e Rio. 
Vitor é um tipo um tanto fora do convencional e isso o levou a criar, ele mesmo, o prédio da sua oficina.  Além do aspecto atraente, lembrando celeiros das fazendas dos Estados Unidos, o prédio tem a virtude de ser alto.  O local é sujeito a enchentes e Vitor criou um mecanismo para, quando elas ocorrem, levar os seus carros para o segundo piso.


Matéria publicada no jornal Fato Novo em 25 de setembro de 2013

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