quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

3215 - Em Santa Maria, começou a nascer o trio que conquistou ouvintes no Brasil e no mundo

Egon Schaefferaprendeu a tocar violão sozinho e logo se tornou 
um instrumentista diferenciado

Egon completou o curso médio e foi bicho da Universidade Federal de Santa Maria, levando um banho no chafariz da praça pública. Com seu violão conquistou a cidade e  a Rádio Santamariense, que havia sido inaugurada naquele ano.
Os interessados na arte musical surgiram e, entre eles, Paulo José Krischke, filho do Bispo da Igreja Anglicana Egmont Krischke e de dona Noemi. 
Paulo e Egon ficaram amigos e iniciaram a formação do Trio Santamariense na casa de Paulo, situada na rua Venâncio Ayres. Esse trio foi a base, sobre a qual foram criados, depois, o Trio Farroupilha e, depois ainda, o Trio Montecarlo.
Paulo era um excelente cantor. Ele aprendeu violão de forma rápida e precisa e, logo após, foi descoberto Ulisses Bahy Soriano. A voz que faltava para  a formação do trio.
Foi um sucesso e o Trio Santamariense tornou-se, aos poucos, conhecido em todo o Estado. 
O conjunto cantava em festas, clubes e eventos filantrópicos, além das apresentações nas rádios Santamariense e Imembuí. 
Lupicínio Rodrigues acompanhou o terceto nas apresentações para arrecadar fundos para a compra do microscópio eletrônico, uma reivindicação da faculdade de medicina. 
A mãe do Paulo, ao voltar com o marido de uma viagem aos Estados Unidos, trouxe uma guitarra havaiana de presente para o filho. 
Egon estudou uma semana e, num evento beneficente na Sociedade Caixeral, tocou o instrumento ao cantarem a música "Contigo En La Distancia", arrancando aplausos entusiasmados da platéia.

EM PORTO ALEGRE
Quando a Rádio Farroupilha, de Porto Alegre, tomou conhecimento do fenômeno musical que havia surgido em Santa Maria (o Trio Santamariense), os diretores  da emissora convidaram os três jovens músicos a integrar o quadro de artistas da emissora.
Deu sorte que o pai de Paulo Krische, que era bispo da igreja anglicana, foi transferido para Porto Alegre.
O trio, com a participação de Paulo, chegou atá a gravar cinco músicas no estúdio da rádio, para serem usadas na propaganda do novo programa da emissora, com  o espetacular trio surgido repentinamente. As músicas escolhidas para essa gravação foram Prece ao Vento, Malaguenha, Recuerdos de Ti, Ave Maria do Morro e Recuerdos de Itacaray. Na propaganda transmitida na  rádio, o conjuto era anunciado como o melhor trio do Brasil.
Mas , para assinar o contrato, surgiu um forte obstáculo. Seria necessária a licença do pai, que era bispo da igreja  anglicana. 
Houve uma janta, na residência da família, para se discutir o assunto. Então, o pai de Paulo ponderou que o ambiente musical, com apresentações em boates, não era recomendável e que ele teria que dedicar-se aos estudos. 
Dona Noemi intercedeu pelo filho, mas a tentativa foi infrutífera. E assim Paulo cedeu lugar a Erio Wiris Dumke e o Trio Farroupilha chegou à sua composição definitiva.
Hoje Paulo Krische é um renomado escritor e professor universitário e seu irmão, Jair Krischke, é um dos maiores expoentes na defesa dos Direitos Humanos no Brasil e na América Latina.

Foto do acervo de Egon Arnoni Endres

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