sábado, 14 de dezembro de 2013

3239 - Capitão Thomé 8: Contando os mortos

Homens como o Capitão Thomé, com a experiência de haver participado da Guerra do Paraguai, comandaram as escaramuças da revolução de 1893
“Os chimangos, percebendo que insistir seria uma atitude suicida, trataram de recuar às pressas, recolhendo, pelo caminho, alguns companheiros feridos. Muitos foram aprisionados e, com essa atitude receberam atendimento antes de serem julgados. Tião, com alguns homens a cavalo, se lançaram como bestas desgarradas atrás dos fugitivos que, em semicírculo, davam combate aguerridamente em formação de deslocamento. Um grupo com o tenente Laureano, partiu pelo sudoeste Tião, com outro, pelo noroeste. Perseguiram o que restou do chimangos empurrando os em direção às barrancas do rio Taquari.”
“Felizmente, a lua cheia ajudava, iluminando a tentativa de buscas em meio à ramada. Orientavam-se, às vezes, pelos gemidos sufocados de algum moribundo, outras, pelo tropeço em cadáveres enroscados no pala de lã, encharcados no rio de sangue. Aos poucos foram recolhidos, sempre priorizando os companheiros em qualquer estado, nem sempre reconhecidos devido a pouca claridade da noite”
“Com a identificação dos mortos e feridos, foi feito um primeiro levantamento: do lado inimigo,10 prisioneiros, oito feridos e cinco mortos. Do lado legalista,12 feridos e cinco mortos.
“Este foi o saldo do combate. Possivelmente ainda havia algum inimigo gravemente ferido, escondidos nas macegas tentando fugir, ou talvez algum morto, boiando nas águas frias do Arroio, que seria localizado ao amanhecer.”
“O Tenente Ernesto também recebeu os cuidados do curador em seu ferimento, também bastante grave, ocasionado por um cruzamento de espadas na altura do antebraço direito. Só não foi fatal por que o grosso pala estirado ombro abaixo, serviu como escudo protetor, amortecendo o golpe certeiro do gume da espada adversária, que atravessou a camada de lã, projetando a lâmina no corte, fazendo penetrar meio de lado, quase tirando um naco da carne, ainda ficou presa na parte inferior. O capitão Thomé, auxiliado por Tião, interrogava os prisioneiros. Era preciso obter todas as informações, para que fossem tomadas imediatas providências, assim que clareasse o dia.”

Texto postado por Marcos Aguigarto, com base no livro de Duclece Pires intitulado “Os Provisórios - A saga dos Pires Cerveira”




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