sábado, 14 de dezembro de 2013

3240 - Capitão Thomé 7: Batalha no desfiladeiro da morte

A Revolução Federalista, em 1893, colocou o estado todo  em guerra
e o Vale do Caí não esteve livre dos horrores dessa guerra fraticida
“O capitão Thomé, com o restante dos homens, tomou posição a sudoeste para fechar a entrada da canhada após o momento em que todos chimangos tivesse penetrado no pequeno desfiladeiro. A partir de então, a coluna de capitão Thomé começaria a subir em formação de linha de arrastão. Tática empregada com muito sucesso nos combates comandados por capitão Thomé. Com esta formação, fechariam as duas cabeças das colunas de tenente Laureano, formando um grande triângulo completamente fechado, tendo no centro todos inimigos. Daí então, a partir deste momento, iriam desferir um contra-ataque relâmpago de resultado fulminante. O tenente Laureano deu ordens para começar com a operação de avançar em formação, se colocar em posição e aguardar a ordem de atacar. Enquando o tenente Ernesto já se mantinha com seus homens em posições estratégicas, vigilantes e preparados para qualquer surpresa.”
“Tinham vasculhado cada palmo da enorme coxilhas situado na frente do acampamento. O primeiro grito ecoou no silêncio. Era a voz do tenente Laureano: atacar! atacar!..... 
A partir deste momento tudo se transformou num verdadeiro inferno. Os chimangos não sabiam para que lado virar para se defender e uma carnificina começou a acontecer.
A formação do grupo de capitão Thomé, liquidava a todos que tentavam ultrapassar sua linha de ataque. Naquele mesmo momento Tião chegava no acampamento, às pressas, e comunicava ao tenente Ernesto que uma coluna de uns vinte chimangos avançava rapidamente em formação de combate pelo flanco norte, não demorando a chegar pelo lado de cima da coxilha. Esta estratégia dos Chimangos teria sido fatal para a pequena força de tenente Laureano, caso os provisórios não tivesse chegado a tempo para preparar uma contra-ofensiva. Mal deu tempo para o tenente Ernesto organizar os detalhes de defesa, quando os chimangos começaram a atacar com ferocidade.”
“Dentro do pequeno desfiladeiro acontecia um terrível combate com poucas ou quase nenhuma chance para os Chimangos. Aqueles que não conseguiram fugir pela ramada, foram dizimados e seus corpos caíram na ribanceira abaixo, indo para dentro do Arroio. As águas ficaram tintas de sangue no tenebroso espectro de um anoitecer cheio de gemidos. Os gritos ecoavam de todos lados, sufocados pelas águas sanguinolentas a desprender uma névoa macabra como que querendo esconder a dantesca cena que ali acontecia.”
“O Capitão Thomé, com seu grupo, corria para dar ajuda ao tenente Ernesto, que resistia valentemente com os poucos combatentes que restavam. Alguns já feridos ainda pelejavam se arrastando para retaguarda. Inclusive ele, tenente Ernesto, foi ferido gravemente no braço direito. Mesmo assim, resistia bravamente na frente de seus homens.”

Texto postado por Marcos Aguigarto, com base no livro de Duclece Pires intitulado “Os Provisórios - A saga dos Pires Cerveira”



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