sábado, 14 de dezembro de 2013

3242 - Capitão Thomé 5: a cruel revolução

Armas modernas chegaram a ser usadas na Revolução Federalista 
de 1893, mas o Capitão Thomé ainda tinha a espada como principal 
instrumento para enfrentar os inimigos


“Era costume dos provisórios enterrar os seus heróis, mortos em batalha, enrolados no pala verde e vermelho com a mão direita cruzada sobre a barriga, e o braço esquerdo estendido ao longo do corpo, simbolizando a sua última saudação aos seus companheiros que, no mesmo estilo, faziam suas despedidas. Os covardes e os inimigos eram enterrados seminus, com uma trouxa de suas indumentárias jogadas sobre seus pés, numa demonstração de repúdio e desprezo. Os padrões que regiam o disciplina dos combatentes provisórios, foram transmitidos através do tempo, desde os primórdios.”
“Nada no mundo é tão terrível abominável, em qualquer parte da terra, do que uma revolução, porque a única fronteira reconhecida está circunscrita pelo ódio desmedido, que assume proporções incontroláveis, quase sempre extrapolando sentimento, atingindo limites que o indivíduo desconhece, de onde jamais poderá voltar nem esquecer, deixando um rastro de ressentimentos, a perdurar por gerações.”
“Homens como Thomé Pires Cerveira e Ernesto Pires, conheceram como poucos, e tão de perto, as violações dos direitos mais puros e sagrados da criatura humana. A ferocidade animalesca que reduz o homem à condição de monstro, avança numa escalada de requintes incontroláveis, transforma a razão em volúpia de emoções devastadoras, tal qual um vulcão, que deixa nos destroços, apenas a dor dos sofrimentos, como único elemento de reconstrução. Eles aprenderam, por herança, que era preciso estar sempre prontos e preparados, para nunca deixar chegar até os seus domínios a ameaça deste perigo voraz. Eis a razão da existência permanente da tropa legalista dos Provisórios do Cadeia, desde os tempos de Narciso e José, quando da formação do núcleo da colonização da encosta da Serra.”
“Muitos foram os enfrentamentos que tiveram no passado para conter as incursões de grupos rebeldes e bandoleiros que tentavam se aproximar dos limites da fazenda. A permanente vigilância dos provisórios fazia com que eles sempre estivessem prontos para repelir qualquer ataque surpresa. Jamais algum invasor conseguiu chegar por perto e molestar os habitantes das cercanias. Todo aquele que tentou foi castigado até a morte, ou então, como castigo mínimo, dependendo do delito, tinha as orelhas cortadas e era levado para longe. Deixavam-nos em algum lugar para ser visto e servir de exemplo a outros bandidos ou rebeldes que se atrevessem a penetrar nos domínios dos Pires Cerveira com intenções criminosas.”

Texto postado por Marcos Aguigarto, com base no livro de Duclece Pires intitulado “Os Provisórios - A saga dos Pires Cerveira”

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