sábado, 14 de dezembro de 2013

3243 - Capitão Thomé 4:ferimentos eram como medalhas, exibidos com orgulho

A crueldade da Guerra do Paraguai era a mesma de todas as batalhas 

ocorridas no mundo da época, inclusive no Vale do Caí
“Caído no chão, com a cabeça grudada por uns poucos nervos no dorso do pescoço, enquanto o homem estrambuchava com gemido provocado pelo sangue que saía aos borbulhões, os que restavam jogaram as armas ao chão e se entregaram apavorados. Ficaram desnorteados com a queda de seu chefe. Com a situação dominada, o capitão Thomé deu ordem ao sargento Gaudêncio para fazer o levantamento e tratar os feridos. O grupo legalista teve uma baixa e dez feridos, os rebeldes tiveram oito baixas com a do sargentão Constâncio, e mais 15 feridos. O resto foi aprisionado. Enquanto os feridos eram tratados, um piquete removeu os corpos dos inimigos para um capão. Os próprios prisioneiros fizeram uma vala comum e os enterraram junto com quatro cavalos também mortos no combate.”
“Por pouco, o tenente Ernesto não mandou acabar com os inimigos que estavam feridos e enterra-los na mesma vala, junto com os demais. Foi preciso a intervenção do capitão Thomé para acalmar o homem. Um piquete de 5 provisórios sob o comando do sargento Gaudêncio, mais 2 escravos, foram encarregados de levar os prisioneiros até a freguesia do Triunfo, e lá entregá-los ao intendente militar do império, para serem transferidos até capital da província. No fim da tarde a tropa provisória retornou para o acampamento e, no dia seguinte, mandou devolver o espólio para os verdadeiros donos, nas vizinhanças. Ficaram ali aguardando o sargento Gaudêncio retornar da sua missão. Enquanto uns descansavam, outros tratavam dos feridos. Se reorganizavam para voltar para a fazenda.”
“ O Capitão Thomé recebera um ferimento leve no ombro esquerdo, coisa pouca, sem importância, mas que ficou como uma marca daquele combate. Para eles representava motivo de orgulho. Era como se fosse uma condecoração recebido no campo de luta. Coisa de muito valor, um troféu a mais na bagagem do bom guerreiro do exército provisório. Muitas vezes eram as cicatrizes do corpo, que destacavam a bravura dos combatentes, quando os ferimentos fossem relacionados com este tipo de acontecimento. 
“Com a chegada do piquete, sob o comando do sargento Gaudêncio, a caminhada de volta foi iniciada ao clarear do dia seguinte. Devido aos ferimentos, a marcha somente poderia ser feita nas horas mais frescas do dia. Por isso, o tempo gasto para cobrir o trajeto foi bem mais longo. No fim do segundo dia, a tropa chegou à Fazenda do Cadeia, onde todos esperavam com muita ansiedade. O farejador já vinha vindo na frente para dar a notícia da hora da chegada. Foi uma marcha penosa. A dor e o cansaço tomavam conta de todos.”

Texto postado por Marcos Aguigarto, com base no livro de Duclece Pires intitulado “Os Provisórios - A saga dos Pires Cerveira”

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