
A região de Entre Rios (entre o rio Caí e o Taquari, perto das suas foses) foi o cenário de uma das maiores batalhas já travadas no Vale do Caí
“ Os provisórios, sob o comando do capitão Thomé, já os tinham enfrentado uns dois anos antes, no Pareci, nas margens do Rio caí. Ocasião em que eles estavam fazendo muitas arruaças por aqueles lados, com algumas investidas contra as embarcações que subiam o rio levando algum figurão da capital para a comarca de São Sebastião do Caí.”
“ Naquela noite, no acampamento, eles preparavam um plano para atacar o bando, de surpresa, ao alvorecer. O farejador traçou um mapa detalhado da posição dos rebeldes, também vasculhou pelas redondezas sobre as notícias que corriam. Não havia nada de conhecimento quanto ao deslocamento dos provisórios e da presença deles por perto, Isto facilitava bastante um ataque surpresa. Os piquetes se revezavam para dar segurança aos que dormiam, todos já bem orientados pelos chefes de como seria feito o ataque: em duas frentes, para em encurrala-los. De forma a não permitir nenhuma chance de fuga. A ordem era prender ou exterminar, caso oferecessem reação em combate mortal.”
“O capitão Thomé pouco dormiu naquela noite. Como fazia na véspera de cada acontecimento importante, tinha um estranho hábito de ficar sozinho a olhar para o firmamento, olhando um ponto na direção do leste. Contava-se que, depois disso, muitas vezes ele voltava com uma pequena reformulação nos planos. Nunca revelou a ninguém o verdadeiro sentido deste comportamento, mas deixava transparecer um leve brilho místico nos olhos e, depois, deitava e dormia a sono solto.”
“Foi uma coisa terrível. Mal o dia começara a clarear e o estouro dos primeiros momentos se fazia ouvir a distância. O capitão Thomé, com seu grupo atacou pelo flanco direito; o tenente Ernesto, com seu grupo, pelo lado esquerdo.
Os poucos homens do bando que se encontravam pilchados, prontos para oferecer combate, procuravam ocupar posições de defesa, dando cobertura para os demais que, meio tontos, buscavam se organizar desesperadamente. Os provisórios levavam vantagem, não só pelo fator surpresa como também pela organização e perícia devido à experiência adquirida nos campos de batalha da campanha do Paraguai.”
“ O sargentão Constâncio, protegido na retaguarda, montou no seu cavalo e se lançou ferozmente para cima do inimigo. Lutava como um leão. O homem era muito bom de briga.
O tenente Ernesto berrou dando voz de prisão, mas o qüera (valentão) não dava ouvidos para nada. Empinava o cavalo e se arremessava furioso, brandindo a espada com tal perícia que dava medo. Num encontro de relance os dois se engalfinharam num cruzamento de espadas, com tal violência que o tenente Ernesto não teve outro jeito a não ser dar um golpe mortal de floreio, acertando o indivíduo na altura do queixo, o jogando, com violência, por sob a traseira do cavalo.”
Texto postado por Marcos Aguigarto, com base no livro de Duclece Pires intitulado “Os Provisórios - A saga dos Pires Cerveira”
Foto de Claudio Andrade, no Panoramio
Foto de Claudio Andrade, no Panoramio
Nenhum comentário:
Postar um comentário