sábado, 14 de dezembro de 2013

3246 - Capitão Thomé 1: preparados para o entrevero

A sede da Fazenda do Cadeia ficava no Pareci Velho:
perto da barra do arroio Cadeia


“Aquela noite, na casa Grande, o capitão Thomé passou horas em conversação com Gaudêncio,  seu leal sargento-mor e feitor eficiente da fazenda. Preparou um recado escrito para o seu compadre, tenente Ernesto, que Gaudêncio deveria entregar logo ao amanhecer. Alertava o primo e cunhado para ficar preparado com seus homens e tudo o mais para, a qualquer momento, marcharem de encontro às escaramuças que, segundo informações, rondavam não muito longe dali. Aguardavam um emissário com ordens superiores para se lançarem a caminho, prontos para qualquer entrevero.”
“Toda a tropa de provisórios deveria estar organizada até o dia seguinte, em frente do campanário da casa-grande da Fazenda do Cadeia. Momento em que o capitão Thomé daria as ordens finais de movimentação e da defesa das fazendas. O arsenal dos provisórios estava localizado numa caverna muito bem camuflada na ravina, próximo à senzala da Fazenda do Cadeia. Eles mantinham ali, sempre pronto para qualquer eventualidade, uma farta quantidade de lanças, espadas e adagas. Possuíam, também, um pequeno estoque de pólvora e dois bacamartes, que representavam o fantástico poderio de fogo da tropa para situações muito difíceis.”
“Gaudêncio levantou de madrugada e não esperou o sol raiar. Partiu para a Fazenda do Cafundó e, pelo caminho, ia avisando os componentes da tropa para se reunir com o tenente Ernesto Pires, ainda na parte da manhã. Naquele mesmo dia tudo ficou pronto. Apenas aguardavam as ordens do capitão Thomé, que não demorou muito para chegar.
Dois dias depois, uma coluna de 40 ginetes bem armados, levando 10 escravos com uma tropa de mulas carregando mantimentos e bastante munição, saiu da fazenda do cadeia, rumo sudoeste. Rumou para os lados das coxilhas dos entre rios, que ficavam a umas 10 léguas de distância, por onde deveriam estar os rebeldes.”
“A coluna já tinha andado cerca de nove léguas quando, no dia seguinte, à tardinha, o farejador voltou com a notícia de que, há uma légua de distância, estavam acampados uns 30 cavalarianos rebeldes. Os mesmos vinham para esta direção, causando arruaças e estragos nos vilarejos por onde passavam. Eram gente de má índole, qüeras desgarrados, comandados por um tal de sargentão Constâncio, muito conhecido por aquelas bandas como um baderneiro das coxilhas de baixo da serra. Mercenários temidos pelas atrocidades que cometiam com os prisioneiros, quando contratados por algum político para um servicinho de amedronto. Eram acostumados a roubos de gado e assalto às fazendas, onde sempre deixava um rastro de destruição e desgraças.”

Texto postado por Marcos Aguigarto, com base no livro de Duclece Pires intitulado “Os Provisórios - A saga dos Pires Cerveira”

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