quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

3438 - Madame Van Langendonck teve boa impressão de Porto Alegre

A Porto Alegre de 1858 causou boa impressão à nobre holandesa
Porto Alegre é uma bela cidade, inteiramente nova, construída em um terreno acidentado, perto do ponto confluente de quatro rios, que formam uma quase ilha. O ar é salubre, as ruas, direitas e bem pavimentadas. O alto comércio é reservado aos alemães e aos portugueses: estes representam os judeus da Europa. Entre eles, tudo o que produz um ganho qualquer é justificado por suas relações. Por conseguinte, todos enriquecem. Chegando ao Brasil geralmente com uma mão atrás e outra adiante, eles começam por vender aguardente de cana (cachaça) aos negros, cujos roubos compram ou receptam. 
Agentes de loterias incitam os escravos a furtar a seus donos para ter com o que tentar fortuna. Inútil dizer que o negro nunca ganha, obrigado que é, por não saber ler, a confiar na boa fé do agente que, único confidente destas transações clandestinas, quase sempre se apropria dos lucros. 
Além da receptação, do abuso de confiança e do empréstimo a prestação, o indivíduo pratica a usura em larga escala, sem prejuízo do infame ofício com que ele se põe, nos portos marítimos, à disposição dos capitães.
A aristocracia é representada, em Porto Alegre, pelos verdadeiros indígenas, os brasileiros puro-sangue. Povo um pouco indolente porém dócil, benevolente e de uma boa-fé incontestável. Hospitaleiro com tato e delicadeza, ele se esmera em tornar seu país agradável aos estrangeiros, cujos elogios lhe dão prazer. No entanto, não lhe aponte melhoras a introduzir em seu governo ou em suas administrações; ele lhe escutará sem acreditar em você e lhe responderá sorrindo: Paciência.
Os alemães que, pela perseverança e o trabalho adquiriram, no Brasil, um grande conforto ou fortuna, permanecem simples e dignos, muito unidos entre si, e educam perfeitamente seus filhos.

Do livro Uma Colõnia no Brasil, escrito pela Madame van Labedonck

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