quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

3439 - Porto precário exigiu manobras radicais para desencalhar o navio

Veleiros em Porto Alegre, no século XIX
Enfim, em uma quinta-feira, 9 de julho, chegamos diante da barra do Rio Grande do Sul. Para alijar o navio, descarregou-se toda a água potável, o que não o impediu de ter a proa presa nas areias da barra. Para soltá-la, transportou-se da proa para a popa as grossas correntes das âncoras e toda a ferragem que se encontrava a bordo. Fez-se os passageiros correrem de uma extremidade a outra da ponte até que finalmente o brigue flutuasse novamente e que pudéssemos, com a ajuda de um piloto, entrar no porto.
O aspecto do Rio Grande é triste; do porto, não se percebe nenhuma vegetação; nada a não ser areia, areia por toda parte. A cidade é bastante animada: mas dessa agitação mercantil que só é simpática aos traficantes. Poucas ruas são inteiramente pavimentadas. O conforto do interior doméstico deixa muito a desejar: a vida é cara e vive-se mal.
Um navio a vapor esperava os emigrantes. Em vinte e quatro horas, ele nos desembarcou em Porto Alegre, onde fomos recebidos pelo Senhor Conde de Montravel e onde, por sua ordem, nos foi preparado um quarto em seu hotel.

Do livro Uma Colõnia no Brasil, escrito pela Madame van Labedonck
Foto do acervo de Ronaldo Fotografia

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