quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

3440 - Agruras na viagem dos imigrantes

Mortes e nascimentos: ocorrências normais nas viagens dos imigrantes
Uma manhã, urros de desespero que vinham da coberta me despertaram, vesti-me às pressas e fui me informar do que se passava. Ai de mim! Esses gritos pungentes eram emitidos por uma jovem mãe cujo filho de três meses morrera à noite e que não queria consentir que lhe arrancassem das mãos o pequeno corpo para jogá-lo ao mar. O capitão ordenou que o tomassem à força; ele foi envolvido em uma lona, costurada ao redor de seu corpo que foi depois lançado por cima da amurada. O pacote boiou durante alguns segundos, depois uma onda o carregou.
Uma bela menina de quatro anos também morreu no dia seguinte: o mar também engoliu esse cadáver.
Alguns dias depois, um ancião entregou sua alma a Deus: coisa triste de dizer, afirma-se que a total falta de cuidados havia, se não provocado, ao menos apressado a morte deste pobre homem, que no entanto tinha com ele quatro filhos adultos.
Mais tarde, com alguns dias de intervalo, três crianças nasceram a bordo. As mulheres se ajudaram entre si, e tudo se passou a contento. O decano do navio batizou provisoriamente as três pequenas criaturas: uma, nascida na altura das costas brasileiras, entrava em sua nova pátria cidadã de direito.

Do livro Uma Colõnia no Brasil, escrito pela Madame van Labedonck

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