sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

3447 - A primeira namoradinha

A distância não era barreira, no amor entre Egon e Judith, mas a carreira 
musical impediu a concretização dos sonhos do jovem casal
A primeira namoradinha de Egon Schaeffer (o montenegrino criador do Trio  Montecarlo), chamava-se Judith Saraiva e era filha de Timotheo Aparicio Saraiva. Sobrinha neta de Aparício Saraiva, um dos principais comandantes da Revolução Federalista de 1893 (irmão de Gumercindo Saraiva).
O namoro foi tão forte que parecia capaz de ignorar distâncias. 
Mesmo quando a família da jovem foi residir em Rio do Sul, Santa Catarina, Egon deu um jeito  de visitá-la. 
Foi no ano de 1953 que ele foi até aquela cidade, situada a na região central de Santa Catarina. Partindo de Santo Ângelo, ele venceu a distância de 470 quilômetros pilotando, sozinho, um pequeno avião Piper do Aeroclube de Santo Ângelo.
A viagem de ida exigiu uma escala em Vacaria, onde Egon pediu informações sobre as condições de pouso em Rio do Sul. Lhe foi dito  que  havia um campo, numa propriedade rural que ladeava o rio que dava o nome à cidade.
O proprietário, Lourenço, e seus dois filhos já estavam acostumados a ver aviões monomotores de pequeno porte descerem ali.  O campo era situado na margem esquerda do rio e, para chegar ao outro lado, onde ficava a cidade, era preciso atravessar uma ponte pêncil. 
Ao hospedar-se no hotel, Egon foi logo apelidado de Piloto, como era costume na cidade. O rio atravessa a cidade, uma especie de pequena Veneza catarinense. Um lugar bonito. Mas quando as enchentes chegavam, era o caos.
Depois dessa grande aventura, Egon pode desfrutar de três inesquecíveis dias de convívio com a jovem. Felicidade que, conforme eles esperavam, deveria continuar para sempre. 
Ele fez vôos com Judith e sua família, foi preparado um ótimo churrasco e Egon conseguiu até um violão emprestado para emoldurar com cantigas as juras de amor trocadas pelos dois. 
O pai da jovem, perguntou a Egon se ele pretendia continuar na carreira artística. Atividade que não lhe parecia coisa de gente séria. Aparício era um homem muito trabalhador. Possuía um velho caminhão e fazia fretes. Depois foi motorista de ônibus e, por fim, foi zelador de armazéns, em Santo Ângelo.
Passados esses três dias de sonho, Egon voltou para Santo Ângelo num vôo sem escalas.
Egon e Judith  chegaram a ser noivos, mas quando a carreira musical em Porto Alegre engrenou de vez, exigindo toda a sua atenção, Egon não teve outra alternativa  senão desfazer o noivado.
Os dois já haviam até escolhido o nome da primeira filha, se houvesse casamento. Um sonho que, ao menos esse, foi realizado. Judith casou com outro homem e a filha do casal  recebeu o nome de Cíntia. O mesmo aconteceu com Egon: casou-se com outra mulher e sua filha ganhou aquele mesmo nome.
Egon encontrou Judith, pela última vez, em uma ida a Santa Maria, em 1976, em festejos de Páscoa com a família do ex componente do Trio Farroupilha Erio Dumke. 
Judith, aos 37 anos, morreu num desastre de automóvel na estrada que liga Santa Maria a Cruz Alta, em 1976. Deixou dois filhos: Túlio e Cíntia. Sua irmã, Diva Saraiva, casou com o montenegrino Valdemarino Melgaré cujo pai, no passado, foi delegado em de Montenegro.

Foto do acervo de Egon Arnoni Schaeffer

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