Ainda que houvesse no país um grande número de viajantes, cientistas e artistas, e o Rio de Janeiro contasse com mais de vinte empresas alemãs operando na cidade, no começo do século XIX não havia colônias germânicas no país. A presença alemã estava limitada ao comércio em núcleos urbanos, sem influência do governo português. E apesar de o Conselho Ultramarino, em Lisboa, ter visto a necessidade de instalação de colonos não lusos no Brasil, nenhuma tentativa foi realizada até a chegada do príncipe D. João ao Rio de Janeiro, em 1808.
Pelo Tratado de Aliança e Amizade, assinado logo depois com a Inglaterra, D. João havia se comprometido com a extinção gradual do tráfico negreiro até a sua proibição. O perigo de uma revolta de escravos, como a que havia libertado o Haiti de mãos francesas em 1791, era visto pela população branca e livre como algo iminente. Um pouco mais tarde, em carta ao imperador austríaco, sogro do príncipe D. Pedro (futuro D. Pedro I), o rei português expôs seu objetivo quanto ao projeto de mudar a fonte da mão de obra no Brasil: decidira “substituir por colonos brancos os escravos negros”. Do medo das revoltas escravas, da exigência externa pelo fim da escravidão e da necessidade de criação do minifúndio e da produção artesanal surgiu a política de imigração e colonização com alemães.
Em 16 de maio de 1818, D. João VI estabeleceu as condições para a vinda de famílias suíças para o Brasil. Nos dois anos seguintes, por intermédio de Sébastien-Nicolas Gachet, mais de 2 mil suíços, alguns de língua alemã, foram trazidos para a região serrana do Rio de Janeiro. Ali foi fundada a colônia de Nova Friburgo, a primeira tentativa oficial de criação de uma colônia agrícola com europeus não portugueses.
Apresentação da matéria de capa da Revista de História da Bilioteca Nacional, edição de março de 2014

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