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terça-feira, 27 de maio de 2014

4064 - Darci Weissheimer: comerciante de Alto Feliz

A quinta geração de comerciantes Weissheimer
Minha história como comerciante começou muito antes de eu ter nascido e está, inclusive, arraigada na história do Vale do Caí. O primeiro comerciante da região foi meu tataravô. Eu sou da 5ª geração de comerciantes da família. Em 1828, meu tataravô Johann veio da Alemanha, como quase todo o colono alemão da época instalou-se em São Leopoldo. Com o passar dos anos ele conheceu um comerciante e aprendeu como funcionava o negócio. 
Em 1846, então, ele se instalou no Vale do Caí, na cidade de Feliz. Lá o Johann passou seus conhecimentos para o filho Jacob, que passou então os conhecimentos para o meu bisavô João. Depois, meu avô Gustavo, filho do João, resolveu mudar de ares, mas manteve a vocação. Passou pelo Morro das Batatas, Arroio Jaguar, até chegar em Arroio Feliz.
A Casa Comercial Weissheimer onde estamos hoje foi construída em 1950. Meu pai Adalberto passou a tomar conta do negócio, no mesmo ano em que eu nasci. Ou seja, além de filho de comerciantes, eu nasci no mesmo ano que meu pai deu início ao seu negócio.
E você já começou a trabalhar logo no comércio?
Não. Nem queria saber muito do comércio. Fui estudar. Fui pra Capital, me formei na UFRGS, em Administração de Empresas. Morei em várias cidades, trabalhei em grandes empresas Só vinha nos finais de semana para o Alto Feliz para visitar meus pais e jogar futebol nos clubes da região. Foi então que a vida me colocou onde eu estou.
Como assim?
Em 1983, meu pai Adalberto morreu repentinamente e minha mãe desesperada me pediu: “Não me deixa aqui sozinha, por favor.” Foi então que eu larguei tudo que tinha e passei a me dedicar ao comércio. No começo foi trabalhoso. Tive que me reintegrar ao município. Apesar de ser conhecido na cidade, eu precisava cativar novamente os clientes, que estavam acostumados com meu pai. Tinha que manter a fidelidade. E conseguimos focar também em outras áreas como a prestação de serviços, que é essencial. Por exemplo, hoje todo o interior do município recebe sua conta de luz conosco. Antes era nos Correios, mas como as pessoas que trabalham o dia inteiro teriam tempo de retirar estas correspondências? Temos também campanhas de doações, atitudes que nos deixam mais próximos da comunidade. E isto nos diferenciou. E graças a Deus, 30 anos depois ainda estamos aqui firmes e fortes.
A fachada do prédio de vocês é antiga. Por quê?
Quando nós assumimos a Casa Weissheimer, logo muita gente veio pedir porque não mudar, modernizar. Era uma alternativa que tínhamos, mas preferi manter a tradição. Acho que é algo de família. Tem uma coisa que não abrimos mão de jeito nenhum, que é a venda de tecidos em metro. Hoje quase não se tem costureiras para fazer roupa de cama, mesa e banho, mas mesmo assim ainda temos uma grande saída, o que mostra que o pessoal, embora não esteja mais tão acostumado, ainda procura estas coisas. Então, não é um prédio bonito que vai fazer as pessoas escolherem o teu comércio, mas sim a forma como elas são atendidas. E quanto mais personalizado for o nosso atendimento melhor.
Você não queria mais dar continuidade ao trabalho do seu pai. E seus filhos, vão continuar o seu trabalho?
Olha, dificilmente. Eu e minha esposa Vera Lúcia Veit, sempre demos todas as condições para que os nossos filhos pudessem estudar. Hoje todos, o Gustavo, a Cristina e a Patrícia estão formados e têm bons empregos.
Eu sempre digo que o comércio familiar é uma prisão de portas abertas, pois nossas férias não ultrapassam os dois dias. É bem mais tranqüilo ser um empregado em uma empresa em que você é bem remunerado, pois não tem as mesmas obrigações e ainda conta com os benefícios de empregado.
Então ninguém vai seguir com a Casa Comercial?
Tenho um genro, sem querer botar pressão nele, que é vendedor e tem um conhecimento na área. Se for para alguém continuar, acho que será ele. O mundo dá muitas voltas, assim como aconteceu comigo, pode acontecer com outros.
E se não continuar?
Aí vai acontecer como já aconteceu com vários comércios familiares. Vai fechar, como já aconteceu com o primeiro mercado da Feliz, o Mercado Graebin, por exemplo.
Isto lhe deixa triste?
Não. Acho que cada um tem uma missão. Se eu conseguir dar um bem-estar para os meus filhos e ter tido um bom relacionamento com a minha comunidade, a missão da Casa Comercial já está cumprida. Isto me deixa realizado.
E o seu envolvimento com a comunidade, nunca o levou à política?
Sim. Fundei o PDT na cidade e fui presidente por oito anos do partido. Mas depois de um tempo eu comecei a por na balança e vi que para cada amigo que a política me dava, eu perdia outros dois. Isso eu não quero pra mim. Hoje posso dizer que tenho livre acesso com todas as vertentes políticas.
Como você disse, tem pouco tempo livre. O que faz neste tempo?
Quando tenho uma folguinha, eu gosto de pegar os molinetes, a carretilha e ir pescar. Já fui pra Argentina, pro Pantanal, mas gosto bastante é da Lagoa dos Patos. Meu neto está com poucos meses de vida e não vejo a hora de colocar umas botinhas nele e levar para um rio. Não vejo a hora de isso acontecer. É um sonho que tenho.
Além disso, eu gosto de curtir uma piscina com meus amigos. Como saio pouco da cidade, meus momentos de folga são com os amigos na piscina. É a minha forma de me revigorar. Isto é muito mais importante do que juntar dinheiro. Isto é viver plenamente.
E as prateleiras cheias de coisas antigas que tem em sua sala. Por que guardar isso?
Meu sonho é ver o município do Alto Feliz com um museu. O dia que nossa cidade tiver isso eu quero doar. Tem sapatos do casamento dos meus pais, do meu casamento, têm pratos, instrumentos musicais, relógios, até uma escarradeira de dentista da época do meu avô. Tem livros de comércio, que são raridades. Sem contar os móveis antigos que guardo em casa. Tudo isso eu quero que vá para o museu. Espero poder estar vivo para ver isso.


Matéria publicada pelo jornal Visão do Vale em 13 de fevereiro de 2013

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