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quinta-feira, 17 de julho de 2014

4248 - As três colonizações que fizeram a grandeza do Rio Grande do Sul



Embora tenham vindo, para o Rio Grande do Sul, imigrantes oriundos de várias dezenas de países, mas os que maior influência tiveram no desenvolvimento do estado foram três:a portuguesa, a alemã e a italiana.


PORTUGUESA - O Brasil  começou a ser colonizado logo depois do seu descobrimento, em 1500. Aqui os colonos portugueses viveram em situação  de isolamento, distantes dos principais centros políticos, culturais e econômicos do planeta. Por isso progrediram menos do que os portugueses que viviam em Portugal. Mesmo assim, sempre houve, e ainda há, migração de portugueses para o Brasil. E os portugueses recém chegados eram mais informados e conheciam melhor tecnologia do que os brasileiros de origem portuguesa cujos antepassados já haviam chegado há décadas ou a séculos.
No Rio Grande do Sul, a colonização foi tardia, pois nos primeiros séculos depois do descobrimento, o território gaúcho não era considerado português.
Foi só no final do século XVIII, mais ou menos 270 anos depois de 1500, que o império português ousou ocupar esse território. E fez isso concedendo grandes áreas de terras (as sesmarias) para quem ousasse instalar-se num território selvagem, longe de tudo, tendo de enfrentar onças, índios e, o que era pior, as investidas dos castelhanos. O governo espanhol era tolerante com castelhanos aventureiros que investiam contra as fazendas desses primeiros colonizadores do estado, praticando todo tipo de barbaridade, desde o roubo e o homicídio, até o estupro das suas mulheres e filhas. Os espanhóis consideravam os portugueses como invasores do território que lhes pertencia e, portanto esses crimes se justificavam. Esses conflitos ocorreram mais nas áreas  mais próximas das atuais divisas com a Argentina e Uruguai. 
Os imigrantes portugueses que se instalaram no  Vale do Caí e em Porto Alegre, tiveram vida mais amena. Dedicaram-se ao comércio e agropecuária, valendo-se da tecnologia que trouxeram de Portugal, que era superior à dos matutos de origem portuguesa, criados  no interior, analfabetos e desinformados (caipiras). Os açorianos que instalaram-se em Porto Alegre e em alguns outros núcleos do estado, trouxeram tecnologia avançada de cultivo e processamento do trigo, fabricação de farinha e outros processos agrícolas e artesanais. Eles sabiam construir barcos, fabricar tijolos e processar a mandioca transformando-a em farinha, e polvilho.
Alguns desses imigrantes adquiriram grandes áreas de terras que depois serviram para a distribuição aos colonos alemães e italianos.


ALEMÃ - Quando Napoleão invadiu Portugal e a corte de Lisboa teve de fugir para o Brasil para não se submeter ao domínio francês, o governo imperial português passou a dar mais valor ao seu território na América do Sul e procurou expandi-lo. O imperador Dom João VI, estabelecido com a sua corte no Rio de Janeiro, a partir de 1807, continuou incentivando a vinda de imigrantes portugueses para o Rio Grande do Sul. Mas, a partir de 1824, seu filho Dom Pedro I empreendeu algo mais ousado. Ainda preocupado em povoar o Rio Grande, para evitar que os castelhanos lhe tomassem essas terras, Pedro I atraiu colonos alemães para virem colonizar o território gaúcho. A miséria que grassava a Europa ao fim das guerras napoleônicas fez com que alguns milhares de famílias alemãs se dispusessem à grande aventura de mudar-se para uma terra distante da sua e, também, longe da civilização.
Claro. A Europa, naquele tempo, não era nada parecida com o que é hoje e aquelas famílias partiram para o Brasil tentando, assim, fugir da fome e da miséria a que haviam sido empurrados pelos pavores da guerra.
Se vinham para o Brasil com poucos bens, os colonos alemães traziam  consigo  um tesouro em conhecimento. A Europa, mesmo vivendo na  pior das crises (a guerra), era primeiro mundo, na comparação com o Brasil. Havia uma extrema diferença de cultura, ciência e tecnologia entre a Alemanha e o Brasil. Como hoje.
Por isso, apesar das dificuldades iniciais, os colonos acabaram se dando muito bem no Rio Grande do Sul. Por ter mais  conhecimento, eles eram mais competitivos. Quem havia sido empregado, numa fábrica de carretas, aqui se tornava  fabricante e, alguns deles enriqueciam, pois eram muito mais competitivos do que os fabricantes de carroças que então haviam por aqui.
Depois de duas ou três décadas, os alemães já haviam progredido tanto que dominavam o comércio e a indústria no Vale do Sinos e, mesmo, em Porto Alegre. Os colonos mais bem sucedidos nas suas atividades transferiram seus negócios para a capital ou seus filhos fizeram isso e, na segunda metade do século XIX, as empresas mais dinâmicas da capital gaucha pertenciam a imigrantes ou descendentes  de imigrantes alemães. 
Durante a Revolução Farroupilha (1835 a 1845) houve uma interrupção no processo imigratório. Durante o conflito, o os alemães da Colônia São Leopoldo mantiveram-se fiéis ao império e sofreram muito com isso, devido a conflitos com os revolucionários farroupilhas. Mas depois que o governo imperial de Dom Pedro II venceu a guerra, os alemães tiveram benefícios pela sua fidelidade e o governo estimulou a vinda de mais imigrantes dessa origem. O Rio Grande do Sul, então, já não era um mundo tão estranho e selvagem. Os imigrantes das primeiras levas receberam bem os compatriotas que chegavam e estes não enfrentaram grande problema por desconhecer o idioma português.
Os alemães chegados depois de 1845 eram mais instruídos do que os que haviam chegado entre 1824 e 1830. Eles tinham mais conhecimento tecnológico, já que provinham de um dos países mais avançados do mundo. A Alemanha era rica em ciência e suas indústrias já começavam a ter proeminência. Os primeiros automóveis, por exemplo, foram fabricado na Alemanha, nas décadas de 1870 e 1880. 
A imigração alemã para o Rio Grande do Sul foi suspensa somente em 1914, devido à primeira guerra mundial, mas teve continuidade depois do término do conflito, embora com menor intensidade.



ITALIANA - A imigração italiana foi mais tardia, tendo  iniciado em 1875, quando o governo imperial brasileiro desenvolveu um projeto que visava atrair 40 mil imigrantes alemães (já que os alemães trouxeram tanto progresso para a província do Rio Grande do Sul) para povoar a região da Serra. Mas houve pouco interesse de alemães em virem para o Brasil, já que a Alemanha vivia fase de grande prioridade. O governo optou, então, por atrair colonos italianos, já que a Itália passava por grave crise social devido à guerra da unificação.
Vindos do Piemonte, Lombardia e Vêneto (regiões italianas) os colonos foram instalados, com apoio do governo, nos atuais municípios de Garibaldi (na colônia Conde D'Éu), Bento Gonçalves (Colônia Dona Isabel) e Caxias do Sul (Colônia Caxias). Até 1914, chegaram em torno de 90 mil imigrantes vindos do norte da Itália. Região que, hoje, é a mais desenvolvida daquele país.
Logo que chegaram, os colonos dedicaram-se à agricultura, plantando principalmente o milho e o trigo. Também criavam suínos, que tinham muito valor pela produção da banha. Depois desenvolveram a produção de uva, principalmente para a produção de vinho, que tornou-se a maior riqueza da colônia italiana na primeira metade do século XX.
Mas não só agricultores emigraram da Itália para a Serra Gaúcha. Entre eles haviam operários e artesãos, que aqui estabeleceram pequenas oficinas. Principalmente ferraria e funilarias e alguns desses artesãos prosperaram criando indústrias.
Vindos para o Brasil numa época mais tardia (já no final do século XIX) os imigrantes italianos possuíam conhecimento tecnológico muito superior ao dos imigrantes alemães de 1824 a 1830 e isso lhes deu condição de competir no mercado brasileiro. Graças a isso, cidades como Garibaldi, Bento Gonçalves, Farroupilha e Caxias do Sul são hoje importantes polos industriais.

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