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sábado, 20 de setembro de 2014

4825 - Agruras dos motoristas nos velhos tempos

Egon Schaeffer, seu irmão Leopoldo e o primo Lauro, empenhados
num arroio que o carro de Edmundo Schaeffer não conseguiu atravessar


Edmundo Albino Schaeffer dizia que a sua caminhonete Ford Modelo T era anfíbia, pois conseguia andar tanto na terra como na água. batizou a foto tirada com esse titulo. Na época em que foram fabricados esses carros, até nos Estados  Unidos as estradas eram  ruins. Por isso a Ford fabricava seus carros de maneira tal que pudesse enfrentar qualquer tipo de estrada.
E isso era muito bom para ele, que era caixeiro viajante e tinha de enfrentar caminhos tenebrosos nas suas andanças pelo interior gaúcho. Isso acontecia tanto em Santo Ângelo, onde ele foi morar a partir de 1942, quanto no Vale do Caí, onde ele visitava seus parentes e amigos seguidamente.
Além dos buracos, da poeira, dos areais, do barro e dos galhos de árvores que cresciam avançando sobre a estrada e dos trilhos de trem, que precisavam ser atravessados sem viaduto, havia outro grave problema: os arroios que atravessavam as estradas sem haver uma ponte para facilitar as coisas.
Para atravessar o arroio, o motorista só tinha um jeito. Pisar no acelerador e pegar um bom embalo para vencer a resistência da água e conseguir chegar ao outro lado sem  problemas. Por isso o modelo T era dotado de rodas grandes, que o deixavam longe do chão.
Mas, mesmo assim, os problemas nessas travessias eram comuns. Ocorria da água  molhar a fiação elétrica que acionava o motor e então, sem faísca para provocar a explosão do combustível dentro do motor, ele apagava. As vezes era necessário arranjar uma junta de bois na casa de  um colono morador da vizinhança para tirar o carro de dentro d´água. 
Outra situação comum naquela  época, era o motorista estar subindo uma lomba  com seu carro e se deparar com uma placa de sinalização com as palavras  PARAR-OLHAR-ESCUTAR. Sinal de que à frente havia uma linha de trem e não se podia passar por sobre os trilhos sem adotar esses  procedimentos. Do contrário uma locomotiva poderia aparecer, bufando, na direção do carro.
A situação era ainda mais complicada quando o carro parava numa subida. O motorista tinha de pisar no freio e no acelerador ao mesmo tempo, mas o carro, aos poucos, ia descendo de ré  e, com isso, o motor apagava.
Com a tecnologia pouco avançada dos carros daquela época, os problemas eram comuns e acontecia muito do montorista ficar na estrada (expressão muito usada naquela época).
Certa vez, no ano de 1948,  Edmundo Schaeffer vinha voltando da casa de seu pai Leopoldo Schaeffer, na Encosta da Serra (interior de Montenegro), quando o carro afogou na  travessia  de um  riacho.
Apesar do aborrecimento, Edmundo não perdeu a oportunidade de fazer o registro fotográfico da cena. Estavam com ele  os dois filhos (Egon e Ronaldo) e o primo dos garotos, chamado Lauro Daubermann. Lauro também não perdeu a esportiva e aproveitou a  parada para se refrescar tomando um banho no arroio.
Lauro, hoje com 91 anos, mora na rua José de Alencar , em Porto Alegre.
Ele teve o seu momento de fama, recentemente, por ter sido o primeiro sócio do Grêmio Futebol Portoalegrense a receber sua cadeira na Arena. Privilégio que lhe foi dado pela sua idade.
Para resolver o problema, Edmundo teve de esperar que passasse um outro carro pelo local. Demorou, até que apareceu um caminhão, que conseguiu passar pelo arroio sem problema, por ser mais alto do que o automóvel. Edmundo pediu ao motorista avisasse um mecânico para que esse o viesse socorrer. Já  era de tardezinha quando o homem apareceu. Ele veio de bicicleta.
Felizmente, com algumas mexidas no motor o homem conseguiu fazer o motor roncar. 
Edmundo coseguiu seguir em frente levando o mecânico de carona e a bicicleta facilmente acomodada na  espaçosa caminhonete.
Dali fomos todos para a Timbaúva, hoje bairro de Montenegro, onde estávamos hospedados na casa de Arnoldo Borchardt, dono do armazém situado no mesmo lugar em que hoje se encontra o Supermercado Mombach. Arnoldo era cunhado de Edmundo. 
O mecànico foi pago e seguiu para casa com sua bicicleta. 
A família toda havia ficado nervosa, julgando que Edmundo e as crianças haviam sofrido um acidente. Na época, além das estradas e veículos serem precários, também não havia telefone celular.

Foto de Egon Arnoni Schaeffer e foto do seu acervo

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