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sábado, 8 de novembro de 2014

4969 - BR-116 e Getúlio Vargas

Obras da BR-116 no trecho de Dois Irmãos

No final da década de 1930 se projetava a construção de uma rodovia federal que ligasse o Brasil de Sul a Norte e se chamaria BR-2, passando depois para o atual nome de BR-116.
No Rio Grande do Sul, o traçado original começaria na fronteira. Em nossa região a rodovia se ligaria aos Campos de Cima da Serra e daí para Santa Catarina. O traçado original demarcava o trajeto em direção a Nova Petrópolis, Gramado, São Francisco de Paula e Vacaria.
Caxias e a região italiana estavam fora do traçado. A justificativa era de que indo por Gramado e São Francisco se evitaria o trecho mais difícil da Serra Gaúcha, entre Nova Petrópolis, Caxias, São Marcos e Campestre da Serra, rumo a Vacaria. Esse trecho, com cerca de 80 quilômetros, seria montanhoso, com vales, rios e alto custo.
A travessia montanhosa seria entre Nova Petrópolis e Caxias, através do Rio Caí; entre Caxias e São Marcos, tendo a Serra do Rio São Marcos; e entre São Marcos e Campestre da Serra, tendo que superar a Serra do Rio das Antas. De Campestre da Serra a Vacaria a rodovia passaria a ser construída em área campeira. Além das dificuldades de topografia haveria necessidade da construção de três pontes. Os custos por esse trecho seriam muito maiores do que se a rodovia tivesse ligação por Gramado e São Francisco.
Mas os caxienses não desistiram, porque queriam que a rodovia passasse pelo município. Viam que isso seria fundamental para que Caxias se desenvolvesse e não ficasse marginalizada do resto do país. No final dos anos 30 começaram os contatos políticos das lideranças caxienses junto ao governo federal, especialmente depois da posse do prefeito Dante Marcucci, em 1936.  Com o Estado Novo, em 1937, ele foi nomeado por mais oito anos. Permaneceu até 1945, tendo bom relacionamento com Vargas.

Traçado original da
BR-116 foi mudado

Segundo José Ariodante Mattana, mestre de obras do governo Marcucci durante cerca de 10 anos, depois de vários contatos e encontros, Vargas acabou aceitando as argumentações dos caxienses de que a cidade, que já era uma força econômica, necessitava de uma rodovia federal para alavancar definitivamente seu desenvolvimento econômico e da região italiana. Vargas se sensibilizou e autorizou a mudança do traçado original.
A então BR-2 passaria por Caxias do Sul e uniria a cidade por estrada asfaltada com o resto do país. Criaria bases mais sólidas para que a cidade se expandisse e crescesse economicamente, cuja primeira etapa tinha ocorrido em 1910 com a chegada do trem. 
Ainda em 1938, segundo Matanna, engenheiros do Departamento Nacional de Estradas e Rodovias (DNER) vieram a Caxias conversando com o prefeito Marcucci acertando os detalhes finais.
Em 1942, Vargas veio a Caxias e lançou a pedra fundamental da ponte sobre o Rio Caí, entre Vila Cristina e Nova Petrópolis. Daí em diante, as obras foram realizadas com muitas dificuldades. O terreno até Campestre da Serra era íngreme e montanhoso, tortuoso, rios caudalosos, mas foi concluída depois de muito trabalho e empenho.
Em 1950, Vargas veio a Caxias para sua campanha à presidência. Naquele ano, também, o então presidente Eurico Gaspar Dutra, lançou a pedra fundamental do Monumento Nacional ao Imigrante. Em 1951, depois de receber a visita de uma comissão de lideranças caxienses no Palácio do Catete, Getúlio Vargas, que havia se elegido presidente em 1950, autorizou a construção que seria erguida às margens da BR-116.
E Vargas se faria presente na sua inauguração em fevereiro de 1954, durante a realização da Festa Nacional da Uva, na sua última viagem ao Rio Grande do Sul. Para homenagear Vargas, os caxienses construíram um busto que pode ser visto às margens da BR-116 próximo ao Monumento Nacional ao Imigrante.
                                                                                                       
 1950: Vargas no interior de Caxias, com lideranças caxienses, estaduais e nacionais do PTB

Nessa  foto encontram-se três caienses: Egydio Michaelsen, sua esposa e Orestes José Lucas. Egydio é o primeiro à esquerda, de pé. Orestes é o segundo à esquerda, agachado. A presença de Orestes Lucas, que era prefeito caiense, se deve ao fato de que um grande trecho da BR-116 passava por território que, na época, pertencia a São Sebastião do Caí. Localidades situadas  no traçado da estrada, como Picada Café e Nova Petrópolis faziam parte do território  caiense.

Matéria extraída do site Gazeta de Caxias - Fotos do arquivo do Gazeta de Caxias e do acervo de Felipe Kuhn Braun

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