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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

5033 - Entrevista com o Doutor Cassel 8

Avenida Doutor Cassel, a via pública mais importante de São Sebastião do Caí


FN - E a sua atual administração. Tem sido fecunda?
Cassel - Eu acho que sim. Na minha opinião, tem sido. Eu tive muita sorte na escolha dos meus auxiliares. O Paulo Selbach na Secretaria da Fazenda é um espetáculo. Tem aquilo tudo perfeitamente em ordem. Tribunal de Contas esteve por aí examinando nossas escritas e elogiou muito. Eles examinaram também os registros do Nelson Peiter, na Secretaria de Obras e disseram que o melhor serviço encontrado em todo o Estado era o dele. Ele tem tudo registrado: o consumo de combustível de cada patrola dia por dia. Ele trouxe este sistema do DAER, onde trabalhou muitos anos. “Nós não tínhamos visto isto ainda,” disse o pessoal do Tribunal de Contas. O Schneck ajuda muito na parte política. Ele é muito bem relacionado e faz inclusive os contatos da prefeitura com Brasília e Porto Alegre. A Dona Ivone, na Educação, é um espetáculo. O ensino vai muito bem e agora nós já estamos prontos para iniciar a construção da escola da rua Esperanto, que deverá ser a maior realização de todas as minhas quatro administrações, uma escola para mil alunos.

FN - E as outras realizações, Doutor?
Cassel - Nós estamos enfrentando dificuldades porque o Estado está sem dinheiro. Eles se queixam que têm dois bilhões para receber do Banco Central e o banco não entrega. Por isto está demorando a sair a água da Capela e São José do Hortêncio, e o telefone da Conceição. Mesmo assim, se conseguiu o asfaltamento do Parque, da Avenida Osvaldo Aranha, e da subida do hospital. Tem também a abertura da pedreira que considero uma grande realização. A conservação das estradas melhorou muito nesta administração, graças à competência do Nelsinho. Construímos uma nova estrada para Capela do Rosário, que está pronta e ficou muito boa. Abrimos também o posto de higiene em São José do Hortêncio. Até agora o Jair Soares ainda não nomeou um médico para atender lá, mas o meu neto Paulo está atendendo lá de graça. Só assim aquele pessoal de Hortêncio tem médico, o que há muito era uma reivindicação da comunidade. As escolas municipais estão muito bem atendidas. Agora vamos instalar um curso pré escolar de férias, preparando as crianças que vão entrar no primeiro ano. O primeiro curso deste tipo estará funcionando na Vila São Martin, uma das comunidades mais carentes do município.

FN - Quais são os planos parra os quatro anos que ainda lhe restam de Governo?
Cassel - Procurar desenvolver mais o município com a atração de novas indústrias. Também deveremos melhorar bastante a rede de ensino municipal. Outra coisa que faremos muito será o calçamento de ruas, com o uso de pedras fornecidas pela nossa pedreira. Atualmente já estamos fazendo o calçamento de uma rua no Caí, a do Country, com o uso de pedras da nossa pedreira e daqui para frente pretendemos ter constantemente gente trabalhando em calçamentos de ruas. Outra coisa que deverá ser feita ainda neste próximo ano são os trevos de acesso à cidade e inclusive um viaduto nas proximidades do hospital para a passagem de veículos e pedestres por sobre a faixa.

FN - Quanto à vinda de novas indústrias, há algo de concreto? O Senhor poderia dizer o nome das empresas interessadas?
Cassel - Não convém falar ainda, se não acontece como no caso da Pepsi Cola que era pra se instalar aqui e acabaram levando pra Montenegro. Mas posso dizer que está por vir mais uma fábrica de calçados e outra do setor metalúrgico.

FN - O Senhor não acha que uma excessiva concentração no setor calçadista possa trazer problemas para o município?
Cassel - Não. Acho que não. Acredito que é até bom, pois se cria uma especialização da mão de obra que se qualifica para trabalhar neste tipo de produção.

FN - E fora da administração pública, quais são os seus planos? O Senhor, aos 74 anos já está se encaminhando para a aposentadoria?
Cassel - Não. Graças a Deus eu me sinto muito bem. Continuo trabalhando. Agora, é verdade que eu diminuí bastante o meu ritmo de trabalho. Eu tenho o meu neto trabalhando comigo e ele tem correspondido. Trabalha bem, é caprichoso, gosta da profissão. Eu aos poucos vou deixando o serviço pra ele.

FN - Mas o Senhor pretende continuar clinicando ainda por um bom número de anos?
Cassel - Eu acho. Enquanto eu tiver saúde; eu continuo, porque pra mim trabalhar é uma terapia. Me ajuda.

FN - E como é que está a sua saúde?
Cassel - Bem. Graças a Deus. Eu fiz um check-up agora há pouco. Está tudo em dia. O Dr. Felipe até riu. “Pô! Nem esquemia não tem mais. Que milagre foi este”, ele falou.

FN - O Dr. Paulo Caye disse certa vez que o Senhor é para-normal. O que ele quis dizer com isto?
Cassel - Ele quer dizer que eu tenho certa faculdade de operar com muita rapidez e segurança. Aliás, já houve quem me dissesse que eu tenho um guia, o Dr. Custódio de Freitas, um grande cirurgião do passado, que me orienta. Quando eu opero, ele está do meu lado.

FN - Mas o Senhor, pelo jeito, não acredita nisto.
Cassel - Não. Não acredito.

FN - O Senhor é mais materialista?
Cassel - É.

FN - Mas só no campo médico, não é mesmo? Pois o Senhor é muito religioso?
Cassel - Sou. Sou religioso. Tenho uma fé tremenda. Rezo. Pratico a religião.

FN - Mas há uma certa tendência entre os médicos de serem materialistas.
Cassel - É verdade. Mas eu cada vez me torno mais espiritualista. Eu acho que o espírito da pessoa influência extraordinariamente na sua cura em casos de doença.

FN - A sua esposa, Dona Maria das Mercês, com quem o Senhor está casado há 49 anos, aceita a sua dedicação à medicina e à política, ou se queixa como as outras esposas de médicos e de políticos?
Cassel - Ela gosta tanto da política como da medicina. Ela, na verdade, é mais politizada do que eu. Colabora comigo. Nunca se queixa. Está sempre pronta para colaborar em tudo.

FN - Assim o Senhor vai deixar todo mundo com inveja, pois todos brigam com as esposas.
Cassel - Não. Eu não brigo. Olha. Se eu te disser, tchê. A minha mulher nunca me incomodou. Se eu as vezes estou meio brabo, resmungando, ela fica quieta. Não diz nem uma palavra. Daqui a pouco, ela me pergunta: “Como é? Já sarou?”
Pronto. Fica tudo bem. E na minha casa ainda tem uma outra pessoa. O anjo bom da casa. A minha filha de criação, a Didi. Aliás, não dá nem pra dizer que é filha de criação. É uma filha mesmo. É uma criatura fora de série. Se ela me vê aborrecido, angustiado, vem logo me falar: “O quê que o Senhor tem? O quê ta sentindo? Deixe isto de lado. Não se preocupe.”.

FN - Ela está com o Senhor desde criança?
Cassel - Sim. Desde bem pequeninha. A mãe dela era empregada da minha sogra e a sogra deu pra Mercedes cuidar.

FN - O Senhor também chama a sua esposa de Mercedes?
Cassel - Sim. Mas o nome certo, mesmo, é Maria das Mercês.

FN - E a sua secretária, Dona Aidê?
Cassel - Esta também é outra criatura extraordinária. Me aguenta já há 33 anos.

FN - Parece que ela é quem faz com que o pessoal ainda lhe pague alguma coisa.
Cassel - Sim. Ela é meio durona.

FN - Se fosse pelo Senhor...
Cassel - ...eu não ganhava um tostão.

FN - Como é que o Senhor se virava antes dela?
Cassel - Não ganhava nada.

FN - O Senhor sempre teve este temperamento?
Cassel - Sempre. Eu talvez tenha sido um bom médico, mas fui sem dúvida um péssimo comerciante.

FN - O quê o Senhor conseguiu acumular em cinquenta anos de trabalho?
Cassel - Eu tenho uma chácara na Vila Rica, que é uma propriedade relativamente  grande e bastante valorizada. Quando eu comprei, as terras por aqui eram muito baratas. Tenho esta casa onde moro e ainda uma outra casa bastante boa na praia de Imbé. Tenho também reservas em ações e títulos que dariam para eu viver tranquilamente, sem precisar trabalhar.

FN - Não é muito, considerando que nestes cinquenta anos o Senhor sempre foi de trabalhar muito. Trabalha inclusive nos fins de semana. Mas principalmente quando o Senhor atende nos fins de semana o Senhor não ganha nada, porque a Dona Aidê não está aí pra cobrar a consulta.
Cassel - É verdade.

Matéria publicada pelo jornal Fato Novo na sua edição 
de 13 de dezembro de 1984

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