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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

5034 - Entrevista com o Doutor Cassel 7

Doutor Cassel, ao centro, com o arcebispo Dom Vicente Scherer
e o padre Edvino Puhl
FN - Nós últimos vinte anos só deu o Senhor e o Heitor na prefeitura. Como foi isto? Se criou uma rivalidade entre os dois...
CASSEL - Não, não. Eu nunca tive rivalidade com ele. Eu corria normalmente. Ganhava. Ele corria e ganhava também.
FN - Na véspera da eleição, vocês ficam meio inimigos, mas depois se entendem...
CASSEL - Não. Mas não é, sabe. Ele toma uma atitudes meio chatas quando assume. Por exemplo, ele achou um defeito na contabilidade porque faltava uma nota de gasolina que o Cantarola tinha gasto usando o carro dele e a prefeitura repôs. O tribunal não aceitou aquilo e o Heitor fez um escarcel com o caso. Eu, da minha parte, nunca me preocupei em procurar defeitos nas contas da administração do Heitor.

FN - O senhor está bastante acostumado a estar no Governo. Uma hora o Senhor está no comando da Prefeitura, outra hora está fora. Como é, para o senhor, estar fora do poder?
CASSEL - Olha. Fora, eu me sinto muito tranquilo. Levo minha vida tranquilamente. Cuido do meu serviço. Não me meto na administração de quem me sucede. Não critíco. Deixo o barco correr.

FN - O senhor tem outros interesses fora da medicina e da administração pública?
CASSEL - Eu gostava muito de corridas de cavalo e cheguei a ter uma criação de cavalos de corrida. Um negócio que eu comecei mais para satisfazer o meu filho. Eu tinha na chácara dois bons reprodutores e mandava os cavalos da criação para correr no prado, em Porto Alegre. Mas eu não podia cuidar direito do negócio e aquilo estava me dando muito prejuízo. Um dia apareceu um cara aí que me fez uma boa oferta. Eu vendi os reprodutores e acabei com a criação. Assim eu fui deixando morrer meus hobbys. Eu gostava também de caçar e de pescar, mas fui deixando isto tudo de lado.

FN - Mas então chegou o tempo das eleições e o Senhor concorreu de novo. Desta vez foi por sua vontade ou a contra-gosto, como das outras vezes?
Cassel - Olha. Foi assim. Houve uma reunião do partido no Country e o Borgato sugeriu que eu devia, desta vez, ficar de fora. Que eu devia dar oportunidade para um candidato mais jovem. Eu respondi prontamente: “Deixo agora. Eu tenho a minha vida tranquila e organizada e pra mim, ser prefeito é um encargo, não um cargo”. Mas outros acharam, que eu tinha de correr. Acabaram fazendo votação e deu, me parece, doze votos a dois a favor da minha candidatura, e eu tive de aceitar.

FN - Naquela ocasião o Senhor decidiu, com bastante antecedência, tomar o Egon Schneck como vice?
Cassel - Acontece que o Schneck tinha intensão de ser candidato a prefeito, mas ele esteve na minha casa e disse: “Olha, Doutor, contra o Senhor eu não corro. Se o Senhor me aceitar como seu vice eu estou pronto a concorrer, mas contra o Senhor eu não vou”. “Olha,” eu lhe respondi, “se o partido aceitar, pra mim está muito bem.” O Cantarola ficou meio brabo, porque ele também queria ser o meu vice, mas acabou concordando em concorrer a prefeito na sublegenda, com Olavo de vice. Eles fizeram uma boa votação que ajudou na nossa eleição.

Matéria publicada pelo jornal Fato Novo na sua edição 
de 13 de dezembro de 1984

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